| ULTIMATO
Irã terá quatro semanas para resolver questões
nucleares
A AIEA (Agência Internacional da Energia Atômica) anunciou
ontem o acordo tratado com o Irã sobre o estabelecimento de um
prazo de quatro semanas para resolver todas as questões pendentes
sobre seu programa nuclear.
Em conversas em Teerã sexta-feira e sábado, o diretor-geral
da AIEA, Mohamed ElBaradei; o guia supremo iraniano, o aiatolá
Ali Khamenei; e o presidente Mahmud Ahmadinejad estabeleceram um prazo
máximo de quatro semanas para finalizar o “documento de trabalho”
que deve esclarecer todas as questões pendentes sobre o programa
nuclear iraniano, declarou a agência em comunicado publicado em
Viena.
O “documento de trabalho” é fruto de um acordo concluído
ano passado por ElBaradei e Teerã, que estipula o esclarecimento
de todas as questões pendentes referentes ao programa nuclear iraniano.
No documento, a AIEA exige explicações sobre os testes realizados
no passado com plutônio e polônio 210, a utilização
de centrífugas de tipo P1 e P2 para produzir urânio enriquecido,
a mina de urânio de Ghashin, no Sul do Irã, rastros de contaminação
de urânio altamente enriquecido descobertos na Universidade técnica
de Teerã, e principalmente sobre estudos supostamente ligados a
um programa nuclear militar.
O documento estipulava inicialmente que todas estas questões deviam
ser esclarecidas antes do fim de 2007, mas o prazo não foi respeitado.
Em Teerã, o líder da Organização Iraniana
da Energia Atômica, Gholamreza Aghazadeh, declarou ontem que o Irã
tentará responder a todas as perguntas da AIEA. “Vamos tentar
resolver todas as questões pendentes daqui a meados de fevereiro,
antes do relatório que Mohamed ElBaradei deve apresentar, em março,
aos membros do Conselho dos governadores” da agência, declarou
Aghazadeh à agência iraniana Isna.
ISRAEL X GAZA
Exército classifica mortos de “terroristas”
Forças armadas mataram
mais de mil palestinos
O chefe do Serviço de Segurança Geral (Shin Bet) de Israel,
Yuval Diskin, informou neste domingo, na reunião do Gabinete Nacional,
que nos últimos dois anos o Exército israelense e seus agentes
mataram cerca de mil “terroristas” em Gaza.
O número representa 5% do total de palestinos armados no território
- há sete meses sob controle dos islamitas do Hamas -, de acordo
com uma avaliação dos organismos israelenses de segurança,
disseram fontes governamentais.
O ministro de Segurança Interior, Avi Dijter, ex-chefe do Shin
Bet, informou que 3 mil moradores da localidade de Sderot saíram
da cidade devido aos ataques palestinos cometidos a partir de Gaza com
foguetes e morteiros caseiros.
Sderot, com 25 mil habitantes, a quatro quilômetros da fronteira
com a Faixa de Gaza, é um dos alvos favoritos dos milicianos palestinos
desde que começou a revolta em 2000 contra a ocupação
israelense.
Os ataques não pararam mesmo depois da saída unilateral
do Exército de Israel em 2005 e do desmantelamento dos 21 assentamentos
judaicos erguidos nesse território palestino.
Segundo Dijter, o governo deve instruir as Forças Armadas - que
recebem diariamente represálias por essas ações -
para que mudem suas modalidades, de forma que os civis palestinos, como
israelenses de Sderot, deixem suas casas.
Negociação
O presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, revelou
ontem que iniciará hoje a negociação com Israel sobre
os temas centrais do conflito israelense-palestino. “Se chegarmos
a um acordo sobre estes assuntos, poderá haver um tratado de paz”,
disse Abbas em discurso público na cidade de Ramala, sede administrativa
da ANP.
As negociações - a cargo da ministra de Exteriores de Israel,
Tzipi Livni, e do chefe negociador palestino, Ahmed Qorei - serão
tratadas de forma paralela em seis assuntos: o futuro de Jerusalém,
os assentamentos, os refugiados palestinos, as fronteiras, a segurança
e os recursos hídricos.
É a primeira vez que Israel e a ANP negociam sobre estes assuntos
desde a Cúpula de Taba, em janeiro de 2001, quando a Intifada já
havia começado.
Hoje as equipes negociadoras vão inaugurar o debate, que será
depois transferido a subcomissões de analistas que deverão
abordar todos os problemas.
SEGURANÇA
Irã é “líder
em patrocínio
ao terror”,
afirma Bush
O presidente americano, George W. Bush, disse ontem que o Irã
ameaça a segurança do mundo e que os Estados Unidos e seus
aliados árabes têm de se unir para confrontar esse perigo
“antes que seja tarde demais”.
‘O Irã é o país líder em patrocínio
ao terror", disse Bush, que chegou ontem para uma visita aos Emirados
Árabes Unidos.
O presidente americano disse ainda que o Irã financia atividades
de extremistas, põe em risco a paz no Líbano, envia armas
para os talebãs no Afeganistão, intimida os países
vizinhos com retórica alarmista, desafia as resoluções
do Conselho de Segurança da ONU (Organização das
Nações Unidas) e desestabiliza o Oriente Médio ao
seu recusar em ser mais transparente sobre seu programa nuclear.
Bush, que já visitou Israel, Cisjordânia e Kuwait, deve viajar
hoje a Dubai, onde se reunirá com empresários locais, antes
de seguir para a Arábia Saudita e o Egito.
Corrupção
A Interpol anunciou ontem a renúncia do presidente da entidade
e diretor da Polícia da África do Sul, Jackie Selebi, investigado
em seu país por um suposto caso de corrupção.
Em comunicado, a organização internacional de Polícia
indicou que a sua Secretaria Geral recebeu ontem uma carta de Selebi na
qual ele oficializa sua renúncia como presidente da Interpol, com
caráter "imediato".
No documento, divulgado pela entidade, Selebi disse que renunciou por
não querer que as suspeitas que pairam sobre si levem “descrédito”
à organização.
O anúncio da renúncia ocorreu apenas 24 horas depois que
a Interpol indicou que discutiria o caso de Selebi em fevereiro e após
considerar "inoportuno" de sua parte "comentar a investigação
em andamento na África do Sul."
A Promotoria sul-africana tinha informado esta semana que pensava em processar
Selebi por suposta corrupção, por ter sido vinculado a um
personagem controverso na África do Sul, chamado Glen Agliotti.
Buenos Aires
A situação começou a normalizar ontem no aeroporto
internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, após quatro dias de cancelamentos,
atrasos e fúria dos passageiros. Pela manhã, quatro dos
vôos programados acumulavam atrasos de até cinco horas. Os
atrasos ainda são conseqüência da lenta normalização
do conflito que levou milhares de passageiros a passarem a madrugada no
terminal aéreo, como informaram fontes do Aeropuertos Argentinas
2000 à agência argentina "Telan".
"As demoras ocorrem porque ainda está sendo feito o check-in
de vôos do sábado. Tudo está muito atrasado e continua
o mal-estar entre os passageiros", acrescentou ontem o porta-voz
em relação aos incidentes protagonizados pelos passageiros
na noite de sábado.
Segundo o jornal argentino “La Nación”, durante a noite,
vários passageiros quebraram uma porta de vidro, agrediram a seguranças
do aeroporto e a um porta-voz da companhia aérea. Indignados com
os atrasos acumulados desde quinta-feira, os passageiros chegaram a impedir
a saída de vôos de outras empresas durante cinco horas.
700 mortes
A violência político-étnica desencadeada após
as eleições gerais de 27 de dezembro no Quênia já
deixou cerca de 700 mortos, segundo um novo registro divulgado ontem,
enquanto a oposição convoca novos protestos contra a reeleição
de Kibaki.
"O registro de vítimas é de mais de 700 mortos",
disse à AFP ontem um alto oficial da polícia, que solicitou
o anonimato, após a descoberta de várias dezenas de corpos.
De acordo com este alto oficial da polícia, foram encontrados 89
corpos nos últimos cinco dias nos matagais do vale de Rift e das
províncias do oeste do país. Novos protestos estão
marcados para a próxima semana.
|