Edição nº 4873 - segunda-feira, 14 de janeiro de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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ULTIMATO

Irã terá quatro semanas para resolver questões nucleares

A AIEA (Agência Internacional da Energia Atômica) anunciou ontem o acordo tratado com o Irã sobre o estabelecimento de um prazo de quatro semanas para resolver todas as questões pendentes sobre seu programa nuclear.
Em conversas em Teerã sexta-feira e sábado, o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei; o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei; e o presidente Mahmud Ahmadinejad estabeleceram um prazo máximo de quatro semanas para finalizar o “documento de trabalho” que deve esclarecer todas as questões pendentes sobre o programa nuclear iraniano, declarou a agência em comunicado publicado em Viena.
O “documento de trabalho” é fruto de um acordo concluído ano passado por ElBaradei e Teerã, que estipula o esclarecimento de todas as questões pendentes referentes ao programa nuclear iraniano.
No documento, a AIEA exige explicações sobre os testes realizados no passado com plutônio e polônio 210, a utilização de centrífugas de tipo P1 e P2 para produzir urânio enriquecido, a mina de urânio de Ghashin, no Sul do Irã, rastros de contaminação de urânio altamente enriquecido descobertos na Universidade técnica de Teerã, e principalmente sobre estudos supostamente ligados a um programa nuclear militar.
O documento estipulava inicialmente que todas estas questões deviam ser esclarecidas antes do fim de 2007, mas o prazo não foi respeitado.
Em Teerã, o líder da Organização Iraniana da Energia Atômica, Gholamreza Aghazadeh, declarou ontem que o Irã tentará responder a todas as perguntas da AIEA. “Vamos tentar resolver todas as questões pendentes daqui a meados de fevereiro, antes do relatório que Mohamed ElBaradei deve apresentar, em março, aos membros do Conselho dos governadores” da agência, declarou Aghazadeh à agência iraniana Isna.


ISRAEL X GAZA
Exército classifica mortos de “terroristas”

Forças armadas mataram
mais de mil palestinos

O chefe do Serviço de Segurança Geral (Shin Bet) de Israel, Yuval Diskin, informou neste domingo, na reunião do Gabinete Nacional, que nos últimos dois anos o Exército israelense e seus agentes mataram cerca de mil “terroristas” em Gaza.
O número representa 5% do total de palestinos armados no território - há sete meses sob controle dos islamitas do Hamas -, de acordo com uma avaliação dos organismos israelenses de segurança, disseram fontes governamentais.
O ministro de Segurança Interior, Avi Dijter, ex-chefe do Shin Bet, informou que 3 mil moradores da localidade de Sderot saíram da cidade devido aos ataques palestinos cometidos a partir de Gaza com foguetes e morteiros caseiros.
Sderot, com 25 mil habitantes, a quatro quilômetros da fronteira com a Faixa de Gaza, é um dos alvos favoritos dos milicianos palestinos desde que começou a revolta em 2000 contra a ocupação israelense.
Os ataques não pararam mesmo depois da saída unilateral do Exército de Israel em 2005 e do desmantelamento dos 21 assentamentos judaicos erguidos nesse território palestino.
Segundo Dijter, o governo deve instruir as Forças Armadas - que recebem diariamente represálias por essas ações - para que mudem suas modalidades, de forma que os civis palestinos, como israelenses de Sderot, deixem suas casas.


Negociação
O presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, revelou ontem que iniciará hoje a negociação com Israel sobre os temas centrais do conflito israelense-palestino. “Se chegarmos a um acordo sobre estes assuntos, poderá haver um tratado de paz”, disse Abbas em discurso público na cidade de Ramala, sede administrativa da ANP.
As negociações - a cargo da ministra de Exteriores de Israel, Tzipi Livni, e do chefe negociador palestino, Ahmed Qorei - serão tratadas de forma paralela em seis assuntos: o futuro de Jerusalém, os assentamentos, os refugiados palestinos, as fronteiras, a segurança e os recursos hídricos.
É a primeira vez que Israel e a ANP negociam sobre estes assuntos desde a Cúpula de Taba, em janeiro de 2001, quando a Intifada já havia começado.
Hoje as equipes negociadoras vão inaugurar o debate, que será depois transferido a subcomissões de analistas que deverão abordar todos os problemas.

SEGURANÇA
Irã é “líder
em patrocínio
ao terror”,
afirma Bush

O presidente americano, George W. Bush, disse ontem que o Irã ameaça a segurança do mundo e que os Estados Unidos e seus aliados árabes têm de se unir para confrontar esse perigo “antes que seja tarde demais”.
‘O Irã é o país líder em patrocínio ao terror", disse Bush, que chegou ontem para uma visita aos Emirados Árabes Unidos.
O presidente americano disse ainda que o Irã financia atividades de extremistas, põe em risco a paz no Líbano, envia armas para os talebãs no Afeganistão, intimida os países vizinhos com retórica alarmista, desafia as resoluções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e desestabiliza o Oriente Médio ao seu recusar em ser mais transparente sobre seu programa nuclear.
Bush, que já visitou Israel, Cisjordânia e Kuwait, deve viajar hoje a Dubai, onde se reunirá com empresários locais, antes de seguir para a Arábia Saudita e o Egito.


Corrupção
A Interpol anunciou ontem a renúncia do presidente da entidade e diretor da Polícia da África do Sul, Jackie Selebi, investigado em seu país por um suposto caso de corrupção.
Em comunicado, a organização internacional de Polícia indicou que a sua Secretaria Geral recebeu ontem uma carta de Selebi na qual ele oficializa sua renúncia como presidente da Interpol, com caráter "imediato".
No documento, divulgado pela entidade, Selebi disse que renunciou por não querer que as suspeitas que pairam sobre si levem “descrédito” à organização.
O anúncio da renúncia ocorreu apenas 24 horas depois que a Interpol indicou que discutiria o caso de Selebi em fevereiro e após considerar "inoportuno" de sua parte "comentar a investigação em andamento na África do Sul."
A Promotoria sul-africana tinha informado esta semana que pensava em processar Selebi por suposta corrupção, por ter sido vinculado a um personagem controverso na África do Sul, chamado Glen Agliotti.


Buenos Aires
A situação começou a normalizar ontem no aeroporto internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, após quatro dias de cancelamentos, atrasos e fúria dos passageiros. Pela manhã, quatro dos vôos programados acumulavam atrasos de até cinco horas. Os atrasos ainda são conseqüência da lenta normalização do conflito que levou milhares de passageiros a passarem a madrugada no terminal aéreo, como informaram fontes do Aeropuertos Argentinas 2000 à agência argentina "Telan".
"As demoras ocorrem porque ainda está sendo feito o check-in de vôos do sábado. Tudo está muito atrasado e continua o mal-estar entre os passageiros", acrescentou ontem o porta-voz em relação aos incidentes protagonizados pelos passageiros na noite de sábado.
Segundo o jornal argentino “La Nación”, durante a noite, vários passageiros quebraram uma porta de vidro, agrediram a seguranças do aeroporto e a um porta-voz da companhia aérea. Indignados com os atrasos acumulados desde quinta-feira, os passageiros chegaram a impedir a saída de vôos de outras empresas durante cinco horas.


700 mortes
A violência político-étnica desencadeada após as eleições gerais de 27 de dezembro no Quênia já deixou cerca de 700 mortos, segundo um novo registro divulgado ontem, enquanto a oposição convoca novos protestos contra a reeleição de Kibaki.
"O registro de vítimas é de mais de 700 mortos", disse à AFP ontem um alto oficial da polícia, que solicitou o anonimato, após a descoberta de várias dezenas de corpos. De acordo com este alto oficial da polícia, foram encontrados 89 corpos nos últimos cinco dias nos matagais do vale de Rift e das províncias do oeste do país. Novos protestos estão marcados para a próxima semana.

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