Edição nº 4873 - segunda-feira, 14 de janeiro de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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TRANQÜILO
Dos 24 casos suspeitos, dois foram confirmados e cinco descartados

Na tevê, Temporão diz que
não há risco de epidemia

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez pronunciamento na noite de ontem, em cadeia de rádio e televisão, para tranqüilizar a população de que o Brasil não corre riscos de uma epidemia de febre amarela.
Temporão lembrou que mesmo com dois casos confirmados da doença, o País não tem casos da doença em área urbana desde 1942. Segundo o ministro, os casos suspeitos são de pessoas não vacinadas que entraram em áreas de mata.
De acordo com Temporão, o número de vacinas contra a febre amarela está diminuindo e ele recomendou que apenas as pessoas que irão visitar áreas de risco devem receber a imunização.
“Estou aqui para tranqüilizar a população sobre um assunto que está preocupando os brasileiros nos últimos dias. O temor de que esteja ocorrendo uma epidemia de febre amarela no País. Não existe risco de epidemia”, disse o ministro.
Ele declarou ainda que foi montada uma grande barreira sanitária nas áreas de risco protegendo estados e municípios contra a febre amarela. E convocou: “Se você não mora ou não viajar para estas regiões não precisa se vacinar. Quem já se vacinou pode ficar tranqüilo: o efeito da vacina protege as pessoas durante dez anos. Portanto, só procure os postos de saúde se morar ou for visitar as áreas de risco e nunca se vacinou ou foi vacinado antes de 1999. Mas, lembre-se, tomando a vacina, você só estará totalmente protegido após dez dias”.
O ministro afirmou ainda que o Brasil é o maior produtor mundial de vacina contra a febre amarela. “Os postos de saúde estão sendo abastecidos e as autoridades sanitárias estão preparadas para atender a quem realmente precisa tomar a vacina.”

DEFESA
Em nota, ministério descarta
índice específico de reajuste

O Ministério da Defesa, através da assessoria de comunicação social, distribuiu nota com esclarecimentos sobre a questão do aumento salarial para os militares. Alegou que o ministro Nelson Jobim nunca prometeu um índice específico de reajuste e decidiu coordenar a interlocução com os demais setores do governo para que fosse encontrada, “de forma coletiva, a melhor solução possível”.
Em outubro, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, Jobim informou aos parlamentares que o adicional dos militares poderia ser reajustado em até 37,4%. Na ocasião, informou que o aumento, se aprovado, deveria ocorrer em duas fases, a primeira no ano passado e a outra em setembro deste ano. Mas os planos foram alterados com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que vai provocar cortes no Orçamento.
Sexta-feira, a Agência Brasil publicou reportagem que revela descontentamento de militares da ativa e da reserva, além de discussões sobre uma possível paralisação de atividades caso as negociações não resultem num reajuste satisfatório.


BRASIL
Quase 90% dos municípios não têm Corpo de Bombeiros

Apenas 635 municípios do Brasil dispõem de uma brigada do Corpo de Bombeiros Militar, aponta levantamento realizado pela Agência Brasil. Isso representa 11,41% de todo o país, que tem 5.564 municípios, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em algumas das cidades em que o Corpo de Bombeiros não está presente, cidadãos civis se organizam e formam brigadas de incêndio. Os chamados bombeiros comunitários recebem treinamento para atuar em casos de incêndio e acidentes. Contudo, na maioria dos municípios não existe nenhuma das duas entidades.
Este é o caso de Rio Piracicaba, em Minas Gerais. Na primeira noite do ano oito presos morreram em um incêndio na cadeia do Município. Na cidade, com pouco mais de 14 mil habitantes, não há guarnição do Corpo de Bombeiros nem cidadãos treinados para a função de socorrista.
As leis que versam sobre os serviços de bombeiros são estaduais. Não existe legislação federal que trate do assunto. De modo geral, a legislação existente determina apenas que é obrigação do estado prover o serviço, mas não define que uma cidade com um número mínimo de habitantes tenha obrigatoriamente uma brigada militar.
Para o especialista em Segurança Pública Antônio Flávio Testa, da Universidade de Brasília, o problema faz com que o estado não consiga garantir cidadania a seus habitantes.
“Uma vez que as prefeituras não oferecem uma estrutura adequada e que os Corpos de Bombeiros não estão ali adequados para atender determinadas emergências - que não são apenas de incêndios, mas de desastres de trânsitos, acidentes e outras coisas -, a população fica muito vulnerável e passa a ser um problema estratégico que o estado terá que resolver o mais rápido possível”, analisou.


Milionários

Em um ano, o Brasil elevou o número de milionários em 60 mil, segundo levantamento do BCG (The Boston Consulting Group) publicado em reportagem da edição dominical da “Folha de S.Paulo”. Ano passado havia 190 mil milionários no País. Em 2006, eles eram 130 mil - expansão de 46,1%.
A fortuna desses milionários está estimada em aproximadamente US$ 675 bilhões, o que equivale a praticamente metade do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Para o BCG, milionários são aqueles que têm mais de US$ 1 milhão aplicado no mercado financeiro.
Entre os fatores que explicam a explosão do grupo dos milionários no Brasil estão a expansão de empresas negociadas na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) em 2007, a valorização do real e os investimentos estrangeiros diretos.


Educação
Dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 41% já elaboraram um Plano de Educação. Até 2006, eram 33%. Os dados são do relatório preliminar do Sicme (Sistema de Informações dos Conselhos Municipais de Educação).
O PME (Plano Municipal de Educação) define objetivos, diretrizes e os rumos da educação do município e deve ser criado por lei pela Câmara de Vereadores com a participação da sociedade. Os municípios com PME traçam suas ações e têm prazos para executá-las. A comunidade, por sua vez, deve fiscalizar e cobrar.


ESTADOS UNIDOS
PF estima que 40 quadrilhas atuem em Minas Gerais

Quadrilhas levam 4 mil
emigrantes ilegais ao ano

A Polícia Federal estima que cerca de 40 quadrilhas agem há pelo menos 20 anos na região leste de Minas Gerais enviando pessoas para os Estados Unidos de forma ilegal. Em média, são 4 mil emigrantes por ano, o que leva à soma de 80 mil em duas décadas. De acordo com o delegado-chefe da Polícia Federal em Governador Valadares, Rui Antônio da Silva, a estrutura destas quadrilhas é muito bem organizada. Em cada cidade da região há a atuação de pelo menos um grupo.
Governador Valadares é tradicionalmente conhecida por ser a cidade brasileira com maior número de emigrantes. Segundo a prefeitura, a estimativa é que 40 mil valadarenses estejam em outros países, quase 20% da população. Em 2006, as remessas internacionais para a cidade chegaram a R$ 80 milhões e representou um terço do orçamento municipal.
No topo do esquema de emigração, está uma pessoa conhecida entre os criminosos como “cônsul”. Esta pessoa financia a viagem de quem quer deixar o País. São comerciantes, políticos, empresários que arcam com todas as despesas do emigrante como passaporte, transporte, alimentação, hospedagem e propina para os “coiotes”, que fazem a travessia dos desertos da fronteira entre México e Estados Unidos.
Apenas uma dessas quadrilhas é suspeita de ter mandado pelo menos 4 mil pessoas para o exterior. Cada emigrante pagou em média US$ 10 mil pelo serviço.
Para evitar o calote depois que a pessoa consegue entrar nos Estados Unidos, o “cônsul” exige sempre que o emigrante deixe uma garantia, que pode ser a escritura de um imóvel, o documento de um carro ou até mesmo uma carta de crédito. O lucro destas quadrilhas, segundo o que já apurou a PF, é em torno de 80% do valor investido.
Depois do “cônsul”, no organograma do esquema, vêm os agenciadores, que são as pessoas que captam os interessados em deixar o País. Eles agem geralmente por indicação, no boca-a-boca, e recebem comissões para cada pessoa que paga para ser enviada ilegalmente para os Estados Unidos.
Assim que um grupo de emigrantes deixa a região com destino ao exterior, entram em ação os apoios, que cuidam da parte operacional, como onde ficarão hospedados os emigrantes, quais rotas vão ser utilizadas, conferência de documentação e alimentação.
A maioria das pessoas chega aos Estados Unidos via México. E é por isso que o delegado da PF diz que não há muito o que fazer para acabar com estas quadrilhas aqui, porque, ao contrário de alguns anos atrás, os emigrantes deixam o Brasil com documentos autênticos.


CASO GRAVE
José Alencar tem quadro
infeccioso, diz hospital

O hospital Sírio-Libanês divulgou ontem à tarde boletim médico sobre o quadro de saúde do vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, 76 anos. Segundo o documento, assinado pelo diretor clínico do hospital, Riad Younes, Alencar foi internado para o tratamento de um quadro infeccioso e seu estado geral é estável.
O vice-presidente está sob os cuidados da equipe médica coordenada por Paulo Hoff. Ainda não há previsão de alta médica. O próximo boletim médico será divulgado hoje.
De 3 a 6 de janeiro José Alencar ficou internado no mesmo hospital para realizar sessões de quimioterapia. Ano passado, o político se submeteu a uma cirurgia para a retirada de um tumor no abdome.


SÃO PAULO
Chuva derruba barreiras e isola litoral sul

Cerca de 4 mil pessoas estão desabrigadas em Peruíbe, em conseqüência de uma tromba d’água que caiu na noite de sábado, atingindo todo o litoral sul paulista. Até as 2h de ontem choveu mais de 200 milímetros na cidade, de acordo com o meteoroligista Celso Vernizzi, coisa que não acontecia há mais de 15 anos naquele município. A situação é mais grave em Peruíbe, por causa da queda de quatro barreiras na divisa com Itariri, já no Vale do Ribeira. O decreto de calamidade pública já está sendo preparado pela prefeita Julieta Omuro, que assumiu a prefeitura segunda-feira, depois da morte do prefeito José Preto, ocorrida sábado retrasado.
Várias estradas da região encontram-se interditadas e pela manhã o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) tentava liberar a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55) nas proximidades do KM 354. A previsão do diretor do DER regional, Orlando Morgado Júnior, era de libera ainda ontem a estrada, já que as chuvas deram uma trégua a partir do meio-dia.
À tarde a Defesa Civil de Peruíbe trabalhou no resgate, por intermédio de caminhões basculantes, de algumas famílias ilhadas, que foram encaminhadas para o Centro de Convenções, localizado na zona central, e para o Centro Comunitário da Caraminguava, bairro de periferia, bastante atingido pelas águas. A situação também é crítica nos municípios vizinhos de Itanhaém e Mongaguá, onde o volume de chuvas também foi grande.

 

PECUÁRIA
Brasil e Rússia devem firmar
protocolo sobre exportação

O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Inácio Kroetz, tem encontro marcado em Berlim com o diretor do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia, Serguey Dankvert. Kroetz estará na Alemanha para participar da Semana Verde e se encontrará com Dankvert, para assinatura de acordo sobre exportação de carne brasileira.
No dia 23 de novembro, o ministro Reinhold Stephanes anunciou o fim do embargo à carne brasileira pela Rússia e, em dezembro, oito estados brasileiros voltaram a exportar carnes bovina e suína para o mercado russo.
As exportações de carnes dos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Amazonas e sul do Pará estavam suspensas desde 2005.
Ano passado cerca de 945 mil toneladas de carnes (bovina, suína, aves), correspondente à cifra de US$ 1,9 bilhão, foram exportadas do Brasil para a Rússia. Este valor é 23,87% maior que o exportado em 2006. O mercado russo consome 15% da carne bovina e 70% da suína exportada pelo Brasil.

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