TRANQÜILO
Dos 24 casos suspeitos, dois foram confirmados e cinco descartados
Na tevê, Temporão diz que
não há risco de epidemia
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez pronunciamento
na noite de ontem, em cadeia de rádio e televisão, para
tranqüilizar a população de que o Brasil não
corre riscos de uma epidemia de febre amarela.
Temporão lembrou que mesmo com dois casos confirmados da doença,
o País não tem casos da doença em área urbana
desde 1942. Segundo o ministro, os casos suspeitos são de pessoas
não vacinadas que entraram em áreas de mata.
De acordo com Temporão, o número de vacinas contra a febre
amarela está diminuindo e ele recomendou que apenas as pessoas
que irão visitar áreas de risco devem receber a imunização.
“Estou aqui para tranqüilizar a população sobre
um assunto que está preocupando os brasileiros nos últimos
dias. O temor de que esteja ocorrendo uma epidemia de febre amarela no
País. Não existe risco de epidemia”, disse o ministro.
Ele declarou ainda que foi montada uma grande barreira sanitária
nas áreas de risco protegendo estados e municípios contra
a febre amarela. E convocou: “Se você não mora ou não
viajar para estas regiões não precisa se vacinar. Quem já
se vacinou pode ficar tranqüilo: o efeito da vacina protege as pessoas
durante dez anos. Portanto, só procure os postos de saúde
se morar ou for visitar as áreas de risco e nunca se vacinou ou
foi vacinado antes de 1999. Mas, lembre-se, tomando a vacina, você
só estará totalmente protegido após dez dias”.
O ministro afirmou ainda que o Brasil é o maior produtor mundial
de vacina contra a febre amarela. “Os postos de saúde estão
sendo abastecidos e as autoridades sanitárias estão preparadas
para atender a quem realmente precisa tomar a vacina.”
DEFESA
Em nota, ministério descarta
índice específico de reajuste
O Ministério da Defesa, através da assessoria de comunicação
social, distribuiu nota com esclarecimentos sobre a questão do
aumento salarial para os militares. Alegou que o ministro Nelson Jobim
nunca prometeu um índice específico de reajuste e decidiu
coordenar a interlocução com os demais setores do governo
para que fosse encontrada, “de forma coletiva, a melhor solução
possível”.
Em outubro, durante audiência pública na Câmara dos
Deputados, Jobim informou aos parlamentares que o adicional dos militares
poderia ser reajustado em até 37,4%. Na ocasião, informou
que o aumento, se aprovado, deveria ocorrer em duas fases, a primeira
no ano passado e a outra em setembro deste ano. Mas os planos foram alterados
com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira), que vai provocar cortes no Orçamento.
Sexta-feira, a Agência Brasil publicou reportagem que revela descontentamento
de militares da ativa e da reserva, além de discussões sobre
uma possível paralisação de atividades caso as negociações
não resultem num reajuste satisfatório.
BRASIL
Quase 90% dos municípios não têm Corpo de Bombeiros
Apenas 635 municípios do Brasil dispõem de uma brigada
do Corpo de Bombeiros Militar, aponta levantamento realizado pela Agência
Brasil. Isso representa 11,41% de todo o país, que tem 5.564 municípios,
segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em algumas das cidades em que o Corpo de Bombeiros não está
presente, cidadãos civis se organizam e formam brigadas de incêndio.
Os chamados bombeiros comunitários recebem treinamento para atuar
em casos de incêndio e acidentes. Contudo, na maioria dos municípios
não existe nenhuma das duas entidades.
Este é o caso de Rio Piracicaba, em Minas Gerais. Na primeira noite
do ano oito presos morreram em um incêndio na cadeia do Município.
Na cidade, com pouco mais de 14 mil habitantes, não há guarnição
do Corpo de Bombeiros nem cidadãos treinados para a função
de socorrista.
As leis que versam sobre os serviços de bombeiros são estaduais.
Não existe legislação federal que trate do assunto.
De modo geral, a legislação existente determina apenas que
é obrigação do estado prover o serviço, mas
não define que uma cidade com um número mínimo de
habitantes tenha obrigatoriamente uma brigada militar.
Para o especialista em Segurança Pública Antônio Flávio
Testa, da Universidade de Brasília, o problema faz com que o estado
não consiga garantir cidadania a seus habitantes.
“Uma vez que as prefeituras não oferecem uma estrutura adequada
e que os Corpos de Bombeiros não estão ali adequados para
atender determinadas emergências - que não são apenas
de incêndios, mas de desastres de trânsitos, acidentes e outras
coisas -, a população fica muito vulnerável e passa
a ser um problema estratégico que o estado terá que resolver
o mais rápido possível”, analisou.
Milionários
Em um ano, o Brasil elevou o número de milionários em 60
mil, segundo levantamento do BCG (The Boston Consulting Group) publicado
em reportagem da edição dominical da “Folha de S.Paulo”.
Ano passado havia 190 mil milionários no País. Em 2006,
eles eram 130 mil - expansão de 46,1%.
A fortuna desses milionários está estimada em aproximadamente
US$ 675 bilhões, o que equivale a praticamente metade do PIB (Produto
Interno Bruto) brasileiro. Para o BCG, milionários são aqueles
que têm mais de US$ 1 milhão aplicado no mercado financeiro.
Entre os fatores que explicam a explosão do grupo dos milionários
no Brasil estão a expansão de empresas negociadas na Bovespa
(Bolsa de Valores de São Paulo) em 2007, a valorização
do real e os investimentos estrangeiros diretos.
Educação
Dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 41% já elaboraram
um Plano de Educação. Até 2006, eram 33%. Os dados
são do relatório preliminar do Sicme (Sistema de Informações
dos Conselhos Municipais de Educação).
O PME (Plano Municipal de Educação) define objetivos, diretrizes
e os rumos da educação do município e deve ser criado
por lei pela Câmara de Vereadores com a participação
da sociedade. Os municípios com PME traçam suas ações
e têm prazos para executá-las. A comunidade, por sua vez,
deve fiscalizar e cobrar.
ESTADOS UNIDOS
PF estima que 40 quadrilhas atuem em Minas Gerais
Quadrilhas levam 4 mil
emigrantes ilegais ao ano
A Polícia Federal estima que cerca de 40 quadrilhas agem há
pelo menos 20 anos na região leste de Minas Gerais enviando pessoas
para os Estados Unidos de forma ilegal. Em média, são 4
mil emigrantes por ano, o que leva à soma de 80 mil em duas décadas.
De acordo com o delegado-chefe da Polícia Federal em Governador
Valadares, Rui Antônio da Silva, a estrutura destas quadrilhas é
muito bem organizada. Em cada cidade da região há a atuação
de pelo menos um grupo.
Governador Valadares é tradicionalmente conhecida por ser a cidade
brasileira com maior número de emigrantes. Segundo a prefeitura,
a estimativa é que 40 mil valadarenses estejam em outros países,
quase 20% da população. Em 2006, as remessas internacionais
para a cidade chegaram a R$ 80 milhões e representou um terço
do orçamento municipal.
No topo do esquema de emigração, está uma pessoa
conhecida entre os criminosos como “cônsul”. Esta pessoa
financia a viagem de quem quer deixar o País. São comerciantes,
políticos, empresários que arcam com todas as despesas do
emigrante como passaporte, transporte, alimentação, hospedagem
e propina para os “coiotes”, que fazem a travessia dos desertos
da fronteira entre México e Estados Unidos.
Apenas uma dessas quadrilhas é suspeita de ter mandado pelo menos
4 mil pessoas para o exterior. Cada emigrante pagou em média US$
10 mil pelo serviço.
Para evitar o calote depois que a pessoa consegue entrar nos Estados Unidos,
o “cônsul” exige sempre que o emigrante deixe uma garantia,
que pode ser a escritura de um imóvel, o documento de um carro
ou até mesmo uma carta de crédito. O lucro destas quadrilhas,
segundo o que já apurou a PF, é em torno de 80% do valor
investido.
Depois do “cônsul”, no organograma do esquema, vêm
os agenciadores, que são as pessoas que captam os interessados
em deixar o País. Eles agem geralmente por indicação,
no boca-a-boca, e recebem comissões para cada pessoa que paga para
ser enviada ilegalmente para os Estados Unidos.
Assim que um grupo de emigrantes deixa a região com destino ao
exterior, entram em ação os apoios, que cuidam da parte
operacional, como onde ficarão hospedados os emigrantes, quais
rotas vão ser utilizadas, conferência de documentação
e alimentação.
A maioria das pessoas chega aos Estados Unidos via México. E é
por isso que o delegado da PF diz que não há muito o que
fazer para acabar com estas quadrilhas aqui, porque, ao contrário
de alguns anos atrás, os emigrantes deixam o Brasil com documentos
autênticos.
CASO GRAVE
José Alencar tem quadro
infeccioso, diz hospital
O hospital Sírio-Libanês divulgou ontem à tarde boletim
médico sobre o quadro de saúde do vice-presidente da República,
José Alencar Gomes da Silva, 76 anos. Segundo o documento, assinado
pelo diretor clínico do hospital, Riad Younes, Alencar foi internado
para o tratamento de um quadro infeccioso e seu estado geral é
estável.
O vice-presidente está sob os cuidados da equipe médica
coordenada por Paulo Hoff. Ainda não há previsão
de alta médica. O próximo boletim médico será
divulgado hoje.
De 3 a 6 de janeiro José Alencar ficou internado no mesmo hospital
para realizar sessões de quimioterapia. Ano passado, o político
se submeteu a uma cirurgia para a retirada de um tumor no abdome.
SÃO PAULO
Chuva derruba barreiras e isola litoral sul
Cerca de 4 mil pessoas estão desabrigadas em Peruíbe, em
conseqüência de uma tromba d’água que caiu na
noite de sábado, atingindo todo o litoral sul paulista. Até
as 2h de ontem choveu mais de 200 milímetros na cidade, de acordo
com o meteoroligista Celso Vernizzi, coisa que não acontecia há
mais de 15 anos naquele município. A situação é
mais grave em Peruíbe, por causa da queda de quatro barreiras na
divisa com Itariri, já no Vale do Ribeira. O decreto de calamidade
pública já está sendo preparado pela prefeita Julieta
Omuro, que assumiu a prefeitura segunda-feira, depois da morte do prefeito
José Preto, ocorrida sábado retrasado.
Várias estradas da região encontram-se interditadas e pela
manhã o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) tentava liberar
a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55) nas proximidades do KM
354. A previsão do diretor do DER regional, Orlando Morgado Júnior,
era de libera ainda ontem a estrada, já que as chuvas deram uma
trégua a partir do meio-dia.
À tarde a Defesa Civil de Peruíbe trabalhou no resgate,
por intermédio de caminhões basculantes, de algumas famílias
ilhadas, que foram encaminhadas para o Centro de Convenções,
localizado na zona central, e para o Centro Comunitário da Caraminguava,
bairro de periferia, bastante atingido pelas águas. A situação
também é crítica nos municípios vizinhos de
Itanhaém e Mongaguá, onde o volume de chuvas também
foi grande.
PECUÁRIA
Brasil e Rússia devem firmar
protocolo sobre exportação
O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa (Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Inácio Kroetz,
tem encontro marcado em Berlim com o diretor do Serviço Federal
de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia,
Serguey Dankvert. Kroetz estará na Alemanha para participar da
Semana Verde e se encontrará com Dankvert, para assinatura de acordo
sobre exportação de carne brasileira.
No dia 23 de novembro, o ministro Reinhold Stephanes anunciou o fim do
embargo à carne brasileira pela Rússia e, em dezembro, oito
estados brasileiros voltaram a exportar carnes bovina e suína para
o mercado russo.
As exportações de carnes dos estados de Mato Grosso do Sul,
Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás,
Amazonas e sul do Pará estavam suspensas desde 2005.
Ano passado cerca de 945 mil toneladas de carnes (bovina, suína,
aves), correspondente à cifra de US$ 1,9 bilhão, foram exportadas
do Brasil para a Rússia. Este valor é 23,87% maior que o
exportado em 2006. O mercado russo consome 15% da carne bovina e 70% da
suína exportada pelo Brasil.
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