CUIDADO
Pesquisa revela as limitações nos tratamentos disponíveis
Crises
de asma leve podem ser fatais
Um terço das crises fatais de asma acontece em crianças
com asma leve, fato ignorado por cerca de 50% dos pais no mundo todo.
Esse é o resultado apresentado pelo Gapp (Global Asthma Physician
and Patient Survey - Pesquisa Global sobre Asma entre Médicos e
Pacientes), no 25o Congresso Anual da Academia Européia de Alergologia
e Imunologia Clínica, em Viena, Áustria, em junho.
O estudo é o primeiro levantamento global quantitativo a mostrar
as falhas na comunicação entre os médicos que tratam
crianças com asma e seus pais. Um dos objetivos do Gapp foi identificar
as limitações dos tratamentos disponíveis atualmente
para a enfermidade, cuja prevalência tem crescido aproximadamente
50% a cada década e o custo econômico suplanta o custo combinado
da tuberculose e HIV/Aids. Nos pacientes infantis, globalmente, a freqüência
da doença dobrou nos últimos 20 anos.
A pesquisa, subsidiada pela Altana Pharma e conduzida pela Harris Interactive,
foi realizada com cerca de 2 mil pessoas, em nove países (Alemanha,
Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Itália,
Japão, Reino Unido e Suíça), entre pais de crianças
e adolescentes, com menos de 18 anos, portadores de asma, e médicos
que tratam esses pacientes.
Muitos pacientes com asma subestimam a gravidade de sua doença
e superestimam o grau de controle da asma. Segundo a pesquisa, 42% dos
pais acreditam que a asma do filho causa menor ou maior grau de limitação
de suas atividades cotidianas. Além disso, as entrevistas revelaram
que, durante os últimos 12 meses, 8% das crianças haviam
sido hospitalizadas e 15% levadas ao pronto-socorro, em virtude da asma.
“O tratamento efetivo de quadros crônicos é uma responsabilidade
conjunta, que requer contínua comunicação entre médicos
e crianças com asma e seus pais. O Gapp sugere haver muito espaço
para melhorar esse diálogo em cada um dos países que estudamos”,
declarou Walter Canonica, da Universidade de Gênova, Itália,
durante o congresso. “Um ponto de partida é o campo dos efeitos
colaterais do tratamento, que influenciam na adesão à terapêutica
e que, em muitos casos, os pais não são capazes de identificar.”
COMPROMISSO
Maior problema é a falta de adesão
É comum ocorrer falta de adesão ao tratamento quando os
pais se preocupam com os efeitos colaterais. Cerca de 30% dos pacientes
que já apresentaram pelo menos um efeito colateral pularam doses
e 15% suspenderam totalmente o tratamento. Ocorreram também mudanças
na medicação por parte dos pais: em 18% dos casos devido
à preocupação e em 12% por causa da experiência
com efeitos colaterais.
A falta de adesão pode ser perigosa e exercer grande influência
nos resultados clínicos. Em 75% das crianças que não
seguem o tratamento adequadamente, observou-se, ao menos, uma das seguintes
ocorrências: aumento de sintomas, em 66%; limitação
de atividade física, em 48%; despertar noturno, em 46%; e maior
freqüência de crises da asma, em 40%.
As conseqüências da não-adesão ao tratamento
aumentam também os custos provocados pela asma, visto que 38% dos
pais relataram aumento nas consultas médicas e 14% registraram
mais hospitalizações ou consultas no pronto-socorro.
Falha na comunicação
A falta de conhecimento dos pais sobre os efeitos colaterais pode ser
atribuída à falha de comunicação entre os
médicos e eles. Mais de metade dos pais - 58% no que diz respeito
a efeitos colaterais de curto prazo e 66% no que diz respeito a efeitos
colaterais de longo prazo - disseram que nunca, ou raramente, conversam
com os médicos sobre o assunto.
Do seu lado, 86% dos profissionais garantem que às vezes, ou sempre,
discutem efeitos colaterais de curto prazo, como rouquidão ou dor
de garganta. 65% afirmam que, às vezes, ou sempre, discutem efeitos
colaterais de longo prazo, como catarata ou glaucoma, enfraquecimento
dos ossos ou alteração da densidade óssea e ganho
de peso.
Muito embora os pais, em sua maioria, afirmem serem eles que questionam
sobre os efeitos colaterais, mais de 69% dos médicos dizem-se responsáveis
pela iniciativa.
Novos tratamentos
Apesar das diferenças de opiniões entre médicos e
pais com relação ao tratamento da asma, eles concordam que
a medicação disponível atualmente está aquém
do ideal. 92% dos profissionais acreditam que os corticosteróides
inalados (CI) são os mais indicados. Entretanto, 18% não
consideram a prescrição dos CI como tratamento de primeira
linha para o paciente com asma leve persistente. Segundo as diretrizes
da Gina (Iniciativa Global em Asma), a monoterapia com dose baixa de corticosteróide
inalado constitui o tratamento de primeira linha recomendado na criança
com asma leve persistente.
Surpreendentemente, 41% dos médicos declaram considerar a prescrição
de b-agonistas de longa ação (Laba) e cerca de 48% receitam
medicações de combinação (CI + Laba) como
tratamento de primeira linha.
De acordo com instruções de saúde pública,
recentemente anunciadas pela Agência Reguladora de Medicamentos
e Produtos para Assistência à Saúde e pela FDA (Administração
de Alimentos e Drogas), ambas dos Estados Unidos, em virtude de aumento
de mortalidade, os agonistas b2-adrenérgicos de ação
prolongada não devem ser o primeiro tratamento, e só devem
ser indicados quando os pacientes não responderem de forma adequada
a outras medicações.
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