Edição nº 4687 - Quinta-feira, 12 de julho de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
Principal - Opiniões

Circovirose, o mais novo
desafio à suinocultura

Edson Bordin é autor é médico veterinário, patologista, e gerente técnico da Merial Saúde Animal - nadia@textoassessoria.com.br

Conhecida também por SMDS (Síndrome Multissistêmica do Definhamento dos Suínos), a circovirose gera grande preocupação à suinocultura mundial. Descoberta recente da ciência, a doença, que ataca o sistema imunológico de suínos e geralmente está associada a outras enfermidades, é causa significativa de mortalidade entre leitões. Somente na Europa, causou prejuízos da ordem de 600 milhões de euros, em 2006.
No Brasil, ainda não há estimativas confiáveis sobre o impacto da doença. Mas é fato para integradores, sanitaristas, técnicos e suinocultores das principais regiões produtoras que a doença se espalha pelos plantéis brasileiros, causando prejuízos.
A circovirose suína foi diagnosticada pela primeira vez no Canadá, em 1990. É causada pelo circovirus suíno, da família Circoviridae, um dos menores organismos que acometem animais domésticos no mundo, também altamente contagioso, resistente ao ambiente e praticamente imune à maioria dos desinfectantes convencionais.
Sendo uma doença imonossupressora, ou seja, que debilita o sistema de imunológico do animal, a circovirose está associada, normalmente, a outras doenças. Assemelha-se, portanto, à Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) em seres humanos, embora não seja tão letal (entre 6% e 8% dos animais infectados chegam a falecer), mas, igualmente, provoca verdadeira revolução na compreensão sobre o funcionamento do sistema imunológico dos suínos.
Os sintomas clínicos costumam aparecer entre o pós-desmame e o início da engorda (dois a quatro meses). O mais comum é o definhamento do organismo. Por conta dele, a circovirose é apelidada de Doença do Gordo e Magro, em referência aos personagens da televisão, por provocar desenvolvimento desigual nos leitões. Outros sintomas que podem aparecer são apatia, em diferentes graus de severidade, icterícia, lesões cutâneas e adenopatias, ulcerações gástricas, hemorragias cutâneas, adenopatias, emanciação com tosse e outros.
É importante salientar que nem todos os animais infectados desenvolvem a doença. O controle pode ser realizado com a observação dos postulados de Madec, conjunto de medidas para dirimir a persistência do vírus e estimular a resposta imunológica dos animais. Além disso, podem ser usados suplementos nutricionais nutracêuticos, antibióticos bactericidas (em animais já afetados não se recomenda o uso de bacteriostáticos, pois sua eficácia depende do bom estado do sistema imunológico) e imunização, esta uma importante ferramenta preventiva.
A vacinação das matrizes confere imunidade aos leitões, via colostro. As marrãs devem ser imunizadas antes do acasalamento ou inseminação, com dose de reforço no periparto e a cada parição, recomendação também válida para matrizes.
Está chegando ao Brasil a primeira vacina desenvolvida contra a circovirose suína, que já demonstrou eficácia em mais 80 milhões de leitões vacinados no Canadá e na Europa. Circovac, fabricada pela Merial Saúde Animal, representa um novo avanço no controle da doença e, especialmente, porque supera - e muito - em qualidade e eficiência as vacinas autógenas, produzidas a partir de amostras virais coletadas na própria granja.

Acima de qualquer suspeita

Sandra Silva mora em Alegrete (RS) - sandrasilva33@yahoo.com.br

Os últimos episódios que inundaram - e conspurcaram - o Congresso Nacional são atos da peça teatral que se transformou a política brasileira. O gênero é indefinido, com características que se misturam ao drama, à comédia, ao suspense, a aventura, ao horror, ao romance e a ficção.
A espetacular vitória do presidente Luiz Inácio para um segundo mandato e o seqüente crescimento de sua aceitação frente às pesquisas impôs maior aprofundamento nas questões do gerenciamento nacional. Afinal, apesar dos piores escândalos de corrupção já registrados na história brasileira, nada abalou seu prestígio junto à população. Essa blindagem à sua pessoa (muito mais do que à instituição presidência da república) pode ser um dos fatores que conduz a novos e seqüentes golpes contra o patrimônio público. Sabendo que o presidente tem índices muito elevados de aceitabilidade, a bandidagem sentiu-se fortalecida para continuar seus atos ilícitos e destruidores. Com essa certeza debaixo do braço, continuou saqueando os cofres públicos e tornando mais miserável a maior parte da população brasileira, apesar dos esforços do Departamento de Polícia Federal que continua em operações ininterruptas na caça dos criminosos do patrimônio.
A Lei Maria da Penha foi metralhada em alguns pronunciamentos do senador Renan Calheiros, promotor do penúltimo escândalo de improbidade, que chamou a própria filha de bastarda, entre outros vocábulos que atingiram a mãe da menina. Um dia a criança vai virar adulta e certamente vai encontrar algum acervo bibliográfico que traga essa triste manifestação.
Fincado na cadeira de presidente do Congresso, diz e rediz que “daqui não saio, daqui ninguém me tira”. E segue brindando a população com histórias da carochinha ao invés de praticar a hora do conto infantil com o seu rebento, o que seria muito saudável.
Em meio a essa ardente e santa fogueira, seu colega senador Roriz não suportou a denúncia da partição de R$ 2 milhões, saindo de fininho para evitar a cassação de direitos políticos que lhe impediria de voltar à cena política por oito anos. Com a renúncia poderá concorrer a cargo eletivo dentro de dois anos, pois, mesmo sofrendo um processo-crime na Justiça comum, tem enormes chances de ficar “limpinho” politicamente e obter expressiva votação, salvo se a memória do povo for capaz de recordar o seu ato e lhe dar um sonoro “não” na urna eletrônica, o que é amplamente duvidoso.
Correndo carreira com a corrupção, permanece a guerra civil urbana com mortes prematuras de inocentes brasileiros por grupos criminosos concentrados no Rio de Janeiro, cujas células de aprendizagem já se espalham frenéticas por todo o território nacional.
Nossos dirigentes deveriam ser homens sábios e acima de qualquer suspeita. Pelo visto estão mais para suspeitos do que para a sapiência.

 

Expediente - Fale Conosco

Enquete

Na sua opinião, a renovação das cadeiras no Legislativo de Cascavel foi para:

Melhor
Pior
Ficou igual


Resultado Parcial


Pauta
Envie sua sugestão de pauta, matéria ou release para o Jornal Hoje.

Edições Anteriores
disponíveis na íntegra para consulta.

Video 30 anos
Veja aqui o vídeo promocional 30 anos Jornal Hoje

Busca