Circovirose,
o mais novo
desafio à suinocultura
Edson Bordin
é autor é médico veterinário, patologista,
e gerente técnico da Merial Saúde Animal - nadia@textoassessoria.com.br
Conhecida também por SMDS (Síndrome Multissistêmica
do Definhamento dos Suínos), a circovirose gera grande preocupação
à suinocultura mundial. Descoberta recente da ciência, a
doença, que ataca o sistema imunológico de suínos
e geralmente está associada a outras enfermidades, é causa
significativa de mortalidade entre leitões. Somente na Europa,
causou prejuízos da ordem de 600 milhões de euros, em 2006.
No Brasil, ainda não há estimativas confiáveis sobre
o impacto da doença. Mas é fato para integradores, sanitaristas,
técnicos e suinocultores das principais regiões produtoras
que a doença se espalha pelos plantéis brasileiros, causando
prejuízos.
A circovirose suína foi diagnosticada pela primeira vez no Canadá,
em 1990. É causada pelo circovirus suíno, da família
Circoviridae, um dos menores organismos que acometem animais domésticos
no mundo, também altamente contagioso, resistente ao ambiente e
praticamente imune à maioria dos desinfectantes convencionais.
Sendo uma doença imonossupressora, ou seja, que debilita o sistema
de imunológico do animal, a circovirose está associada,
normalmente, a outras doenças. Assemelha-se, portanto, à
Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) em seres humanos,
embora não seja tão letal (entre 6% e 8% dos animais infectados
chegam a falecer), mas, igualmente, provoca verdadeira revolução
na compreensão sobre o funcionamento do sistema imunológico
dos suínos.
Os sintomas clínicos costumam aparecer entre o pós-desmame
e o início da engorda (dois a quatro meses). O mais comum é
o definhamento do organismo. Por conta dele, a circovirose é apelidada
de Doença do Gordo e Magro, em referência aos personagens
da televisão, por provocar desenvolvimento desigual nos leitões.
Outros sintomas que podem aparecer são apatia, em diferentes graus
de severidade, icterícia, lesões cutâneas e adenopatias,
ulcerações gástricas, hemorragias cutâneas,
adenopatias, emanciação com tosse e outros.
É importante salientar que nem todos os animais infectados desenvolvem
a doença. O controle pode ser realizado com a observação
dos postulados de Madec, conjunto de medidas para dirimir a persistência
do vírus e estimular a resposta imunológica dos animais.
Além disso, podem ser usados suplementos nutricionais nutracêuticos,
antibióticos bactericidas (em animais já afetados não
se recomenda o uso de bacteriostáticos, pois sua eficácia
depende do bom estado do sistema imunológico) e imunização,
esta uma importante ferramenta preventiva.
A vacinação das matrizes confere imunidade aos leitões,
via colostro. As marrãs devem ser imunizadas antes do acasalamento
ou inseminação, com dose de reforço no periparto
e a cada parição, recomendação também
válida para matrizes.
Está chegando ao Brasil a primeira vacina desenvolvida contra a
circovirose suína, que já demonstrou eficácia em
mais 80 milhões de leitões vacinados no Canadá e
na Europa. Circovac, fabricada pela Merial Saúde Animal, representa
um novo avanço no controle da doença e, especialmente, porque
supera - e muito - em qualidade e eficiência as vacinas autógenas,
produzidas a partir de amostras virais coletadas na própria granja.
Acima
de qualquer suspeita
Sandra
Silva mora em Alegrete (RS) - sandrasilva33@yahoo.com.br
Os últimos
episódios que inundaram - e conspurcaram - o Congresso Nacional
são atos da peça teatral que se transformou a política
brasileira. O gênero é indefinido, com características
que se misturam ao drama, à comédia, ao suspense, a aventura,
ao horror, ao romance e a ficção.
A espetacular vitória do presidente Luiz Inácio para um
segundo mandato e o seqüente crescimento de sua aceitação
frente às pesquisas impôs maior aprofundamento nas questões
do gerenciamento nacional. Afinal, apesar dos piores escândalos
de corrupção já registrados na história brasileira,
nada abalou seu prestígio junto à população.
Essa blindagem à sua pessoa (muito mais do que à instituição
presidência da república) pode ser um dos fatores que conduz
a novos e seqüentes golpes contra o patrimônio público.
Sabendo que o presidente tem índices muito elevados de aceitabilidade,
a bandidagem sentiu-se fortalecida para continuar seus atos ilícitos
e destruidores. Com essa certeza debaixo do braço, continuou saqueando
os cofres públicos e tornando mais miserável a maior parte
da população brasileira, apesar dos esforços do Departamento
de Polícia Federal que continua em operações ininterruptas
na caça dos criminosos do patrimônio.
A Lei Maria da Penha foi metralhada em alguns pronunciamentos do senador
Renan Calheiros, promotor do penúltimo escândalo de improbidade,
que chamou a própria filha de bastarda, entre outros vocábulos
que atingiram a mãe da menina. Um dia a criança vai virar
adulta e certamente vai encontrar algum acervo bibliográfico que
traga essa triste manifestação.
Fincado na cadeira de presidente do Congresso, diz e rediz que “daqui
não saio, daqui ninguém me tira”. E segue brindando
a população com histórias da carochinha ao invés
de praticar a hora do conto infantil com o seu rebento, o que seria muito
saudável.
Em meio a essa ardente e santa fogueira, seu colega senador Roriz não
suportou a denúncia da partição de R$ 2 milhões,
saindo de fininho para evitar a cassação de direitos políticos
que lhe impediria de voltar à cena política por oito anos.
Com a renúncia poderá concorrer a cargo eletivo dentro de
dois anos, pois, mesmo sofrendo um processo-crime na Justiça comum,
tem enormes chances de ficar “limpinho” politicamente e obter
expressiva votação, salvo se a memória do povo for
capaz de recordar o seu ato e lhe dar um sonoro “não”
na urna eletrônica, o que é amplamente duvidoso.
Correndo carreira com a corrupção, permanece a guerra civil
urbana com mortes prematuras de inocentes brasileiros por grupos criminosos
concentrados no Rio de Janeiro, cujas células de aprendizagem já
se espalham frenéticas por todo o território nacional.
Nossos dirigentes deveriam ser homens sábios e acima de qualquer
suspeita. Pelo visto estão mais para suspeitos do que para a sapiência.
|