Poderes
distantes
Embora as
sedes estejam lado a lado, com apenas a travessia de uma rua entre elas,
a Prefeitura de Cascavel e a Câmara Municipal estão separadas
por abismo no que diz respeito ao relacionamento. Tornou-se comum o Executivo
executar ações passando sobre o Legislativo, mesmo em casos
em que precisaria de autorização, como também não
é raro os parlamentares dificultarem a votação de
projetos, em alguns casos em forma de represália.
Não há vencedores, mas certamente há um perdedor:
a população de Cascavel, que confia nos dois poderes a melhoria
na sua qualidade de vida. Interesses políticos e partidários
jamais podem se sobrepor às obrigações dos dois poderes.
Sem entendimento, os dois poderes também criaram programas que,
pelo menos pelo andamento atual, estão fadados ao fracasso. O Executivo
criou o programa Prefeitura na Comunidade, com o objetivo de atender a
população diretamente nos bairros, mas o projeto é
cheio de falhas. Num primeiro momento havia a ausência dos próprios
secretários, que deveriam estar presentes. O outro problema é
que a população desconhece e ignora o programa, pois não
comparece. Falta divulgação adequada e o horário
não é propício, pois boa parte das pessoas está
trabalhando. Resultado é que a prefeitura suspendeu temporariamente
a sua realização e possivelmente não deva mais realizar
essa interiorização de administração.
A Câmara criou a reunião itinerante, para bairros e interior,
para ouvir as reivindicações da população.
Nele não há problema de divulgação ou de público,
pois os moradores dos locais atendidos têm comparecido em grande
número. A falha está no entendimento interno da Câmara,
pois no último encontro apenas seis dos 14 parlamentares não
compareceram e um justificou a ausência.
A reunião itinerante foi criada justamente para aproximar os vereadores
da comunidade e a ausência dos parlamentares compromete o sucesso
do programa. Se há problemas de relacionamentos entre os parlamentares,
isso não pode ser empecilho, mas, se não for solucionada
a ausência nos encontros, não há razão para
a sua continuidade.
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