| VENEZUELA
Presidente prometeu doar US$ 250 mil do próprio bolso, como exemplo
Chávez pede que seguidores doem bens
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, exigiu que seus seguidores
abram mão de bens sobressalentes, como uma geladeira a mais, porque
espera que apenas verdadeiros socialistas sejam membros do novo partido
que ele está formando.
“Quem tem uma geladeira que não precisa, que coloque na praça
da vila. Quem tem um caminhão, um ventilador ou um fogão
que não precisa, dê alguma coisa. Não sejamos egoístas.
Eu exijo isso de vocês”, disse Chávez numa cooperativa
leiteira, em comentários divulgados ontem.
Chávez prometeu doar US$ 250 mil (cerca de R$ 500 mil) do próprio
bolso. “Vamos ver quem segue o exemplo”, acrescentou.
O presidente nega estar transformando o país em um Estado comunista,
como dizem seus críticos.
Mas desde que assumiu o poder, em 1999, Chávez propõe medidas
cada vez mais radicais para guiar o país rumo ao que ele define
como o Socialismo do Século XXI.
O presidente concentra suas ambições políticas neste
ano na formação de um partido governista único, reunindo
a miríade de legendas que tradicionalmente o apóiam.
As autoridades dizem que milhões de cidadãos já se
filiaram ao Partido Socialista Unificado da Venezuela, que Chávez
pretende usar como plataforma para governar o país durante décadas.
"Se eu terminasse com apenas cinco pessoas se apresentando entre
esses 5 milhões, eu já ficaria feliz”, disse Chávez
domingo, em declarações distribuídas ontem pelo governo
e publicadas na imprensa local. “Só quero ser acompanhado
por verdadeiros socialistas”.
DEFESA
Bush vai até a Bulgária para
negociar escudo antimísseis
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está na Bulgária
para negociações sobre os planos dos Estados Unidos para
construir um sistema de defesa antimísseis na Europa. Em Sófia,
Bush afirmou que o sistema visa a defesa contra mísseis de longo
alcance que, segundo o presidente americano, passariam por cima da Bulgária.
O governo da Bulgária, que é aliado dos Estados Unidos,
está preocupado com a possibilidade de ser deixado de fora do plano,
que deve incluir instalações na Polônia e na República
Checa.
A nação, que fazia parte do bloco comunista, se juntou à
Otan em 2004 e agora é integrante da União Européia
e teme que, apesar de sua lealdade, o país fique fora do alcance
do escudo antimíssil dos Estados Unidos.
A questão contribuiu para o aumento das tensões entre os
Estados Unidos e a Rússia. Bush afirmou que espera que a proposta
de especialistas americanos e russos colaborarem em sistemas de defesa
antimísseis diminua a tensão.
As negociações para incluir a Bulgária nos planos
de defesa americanos vão apenas piorar as tensões com os
russos, que vêem o sistema como uma ameaça e um desafio à
sua influência na região, segundo o correspondente da BBC
Jonathan Beale.
A Rússia é contra o plano, que afirma ser uma ameaça,
e o presidente Vladimir Putin ameaçou apontar os mísseis
russos contra a Europa em resposta aos planos americanos.
Fim da trégua
Homens armados trocaram tiros dentro de dois hospitais de Gaza e ministros
fugiram de seu encontro semanal depois de um ataque à sede do governo
palestino ontem. Os incidentes, que deixaram nove mortos, põem
fim a uma trégua firmada nas últimas horas entre os grupos
rivais Hamas e Fatah.
Um membro do Hamas morreu numa troca de tiros em Beit Hanoun, no norte
de Gaza. O confronto se transferiu para o hospital, onde os outros três
homens foram baleados e morreram. Dez ficaram feridos.
No maior hospital da Cidade de Gaza, o Shifa, combatentes dispararam morteiros
e granadas, além do tiroteio de rifles. O hospital foi palco do
conflito quando dois membros do clã Bakr - aliado do Fatah - morreram
em confrontos com o Hamas. Um homem armado integrante do Hamas morreu
em um posto policial do Fatah no norte de Gaza.
Mea culpa
O ministro da Fazenda do Reino Unido, Gordon Brown, que no dia 27 de junho
substituirá Tony Blair como primeiro-ministro, admitiu ontem, em
Bagdá, que houve “erros” na política britânica
para o Iraque. “Embora Tony Blair tenha agido com boa intenção,
foram cometidos erros. Acho que é importante aprendermos a lição
para que possamos nos concentrar em trabalhar pelo futuro”, afirmou
Brown.
O ministro acrescentou que a visita que faz ao Iraque é de avaliação
e servirá como “primeiro como contato com a realidade iraquiana”.
Brown, que chegou ontem à capital iraquiana em uma visita surpresa,
fez essas declarações em uma entrevista coletiva concedida
após a reunião que teve com o chefe do governo iraquiano,
Nouri al-Maliki.
IRAQUE
EUA armam sunitas para combater Al Qaeda
Após quatro meses de uma operação militar que visa
deter a violência sectária e ataques insurgentes no Iraque,
que até agora alcançou poucos resultados, os EUA lançam
agora uma nova estratégia no país, segundo reportagem do
“New York Times”.
De acordo com o jornal, o Exército americano tenta agora armar
grupos sunitas que prometem lutar contra a rede terrorista Al Qaeda, de
quem os insurgentes já foram aliados.
Em alguns casos, de acordo com o “Times”, os grupos sunitas
são suspeitos de envolvimento com ataques contra tropas americanas
no Iraque. Mesmo assim, alguns deles receberão agora, por meio
de unidades do Exército iraquiano ligadas aos EUA, com armas, munições
e dinheiro.
Fontes do Exército americano ouvidas pelo jornal dizem que os grupos
tinham ligação com a Al Qaeda no Iraque, mas teriam se decepcionado
com as táticas extremas da rede, particularmente com ataques suicidas
que mataram milhares de civis iraquianos.
De acordo com o “Times”, comandantes americanos testaram a
estratégia com sucesso na Província de Anbar, a oeste de
Bagdá, e já se reuniram com grupos sunitas do centro e do
norte do Iraque para negociações. Em troca do apoio americano,
os grupos sunitas teriam aceito lutar contra a rede Al Qaeda e suspender
ações contra alvos dos EUA no país.
As áreas incluiriam partes de Bagdá, como a região
de Amiriya, considerada um bastião xiita; a área ao sul
da capital, na Província de Babil, chamada de Triângulo da
Morte; a Província de Diyala, ao norte e leste de Bagdá;
e a Província de Salahuddin, ao norte de Bagdá.
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