Edição nº 4657 - Terça-feira, 12 de junho de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
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VENEZUELA
Presidente prometeu doar US$ 250 mil do próprio bolso, como exemplo

Chávez pede que seguidores doem bens

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, exigiu que seus seguidores abram mão de bens sobressalentes, como uma geladeira a mais, porque espera que apenas verdadeiros socialistas sejam membros do novo partido que ele está formando.
“Quem tem uma geladeira que não precisa, que coloque na praça da vila. Quem tem um caminhão, um ventilador ou um fogão que não precisa, dê alguma coisa. Não sejamos egoístas. Eu exijo isso de vocês”, disse Chávez numa cooperativa leiteira, em comentários divulgados ontem.
Chávez prometeu doar US$ 250 mil (cerca de R$ 500 mil) do próprio bolso. “Vamos ver quem segue o exemplo”, acrescentou.
O presidente nega estar transformando o país em um Estado comunista, como dizem seus críticos.
Mas desde que assumiu o poder, em 1999, Chávez propõe medidas cada vez mais radicais para guiar o país rumo ao que ele define como o Socialismo do Século XXI.
O presidente concentra suas ambições políticas neste ano na formação de um partido governista único, reunindo a miríade de legendas que tradicionalmente o apóiam.
As autoridades dizem que milhões de cidadãos já se filiaram ao Partido Socialista Unificado da Venezuela, que Chávez pretende usar como plataforma para governar o país durante décadas.
"Se eu terminasse com apenas cinco pessoas se apresentando entre esses 5 milhões, eu já ficaria feliz”, disse Chávez domingo, em declarações distribuídas ontem pelo governo e publicadas na imprensa local. “Só quero ser acompanhado por verdadeiros socialistas”.


DEFESA
Bush vai até a Bulgária para
negociar escudo antimísseis

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está na Bulgária para negociações sobre os planos dos Estados Unidos para construir um sistema de defesa antimísseis na Europa. Em Sófia, Bush afirmou que o sistema visa a defesa contra mísseis de longo alcance que, segundo o presidente americano, passariam por cima da Bulgária.
O governo da Bulgária, que é aliado dos Estados Unidos, está preocupado com a possibilidade de ser deixado de fora do plano, que deve incluir instalações na Polônia e na República Checa.
A nação, que fazia parte do bloco comunista, se juntou à Otan em 2004 e agora é integrante da União Européia e teme que, apesar de sua lealdade, o país fique fora do alcance do escudo antimíssil dos Estados Unidos.
A questão contribuiu para o aumento das tensões entre os Estados Unidos e a Rússia. Bush afirmou que espera que a proposta de especialistas americanos e russos colaborarem em sistemas de defesa antimísseis diminua a tensão.
As negociações para incluir a Bulgária nos planos de defesa americanos vão apenas piorar as tensões com os russos, que vêem o sistema como uma ameaça e um desafio à sua influência na região, segundo o correspondente da BBC Jonathan Beale.
A Rússia é contra o plano, que afirma ser uma ameaça, e o presidente Vladimir Putin ameaçou apontar os mísseis russos contra a Europa em resposta aos planos americanos.


Fim da trégua
Homens armados trocaram tiros dentro de dois hospitais de Gaza e ministros fugiram de seu encontro semanal depois de um ataque à sede do governo palestino ontem. Os incidentes, que deixaram nove mortos, põem fim a uma trégua firmada nas últimas horas entre os grupos rivais Hamas e Fatah.
Um membro do Hamas morreu numa troca de tiros em Beit Hanoun, no norte de Gaza. O confronto se transferiu para o hospital, onde os outros três homens foram baleados e morreram. Dez ficaram feridos.
No maior hospital da Cidade de Gaza, o Shifa, combatentes dispararam morteiros e granadas, além do tiroteio de rifles. O hospital foi palco do conflito quando dois membros do clã Bakr - aliado do Fatah - morreram em confrontos com o Hamas. Um homem armado integrante do Hamas morreu em um posto policial do Fatah no norte de Gaza.


Mea culpa
O ministro da Fazenda do Reino Unido, Gordon Brown, que no dia 27 de junho substituirá Tony Blair como primeiro-ministro, admitiu ontem, em Bagdá, que houve “erros” na política britânica para o Iraque. “Embora Tony Blair tenha agido com boa intenção, foram cometidos erros. Acho que é importante aprendermos a lição para que possamos nos concentrar em trabalhar pelo futuro”, afirmou Brown.
O ministro acrescentou que a visita que faz ao Iraque é de avaliação e servirá como “primeiro como contato com a realidade iraquiana”.
Brown, que chegou ontem à capital iraquiana em uma visita surpresa, fez essas declarações em uma entrevista coletiva concedida após a reunião que teve com o chefe do governo iraquiano, Nouri al-Maliki.

IRAQUE
EUA armam sunitas para combater Al Qaeda

Após quatro meses de uma operação militar que visa deter a violência sectária e ataques insurgentes no Iraque, que até agora alcançou poucos resultados, os EUA lançam agora uma nova estratégia no país, segundo reportagem do “New York Times”.
De acordo com o jornal, o Exército americano tenta agora armar grupos sunitas que prometem lutar contra a rede terrorista Al Qaeda, de quem os insurgentes já foram aliados.
Em alguns casos, de acordo com o “Times”, os grupos sunitas são suspeitos de envolvimento com ataques contra tropas americanas no Iraque. Mesmo assim, alguns deles receberão agora, por meio de unidades do Exército iraquiano ligadas aos EUA, com armas, munições e dinheiro.
Fontes do Exército americano ouvidas pelo jornal dizem que os grupos tinham ligação com a Al Qaeda no Iraque, mas teriam se decepcionado com as táticas extremas da rede, particularmente com ataques suicidas que mataram milhares de civis iraquianos.
De acordo com o “Times”, comandantes americanos testaram a estratégia com sucesso na Província de Anbar, a oeste de Bagdá, e já se reuniram com grupos sunitas do centro e do norte do Iraque para negociações. Em troca do apoio americano, os grupos sunitas teriam aceito lutar contra a rede Al Qaeda e suspender ações contra alvos dos EUA no país.
As áreas incluiriam partes de Bagdá, como a região de Amiriya, considerada um bastião xiita; a área ao sul da capital, na Província de Babil, chamada de Triângulo da Morte; a Província de Diyala, ao norte e leste de Bagdá; e a Província de Salahuddin, ao norte de Bagdá.

 

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