Edição nº 4626 - Sábado, 12 de maio de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
Principal - Saúde

POLÊMICA
Tratamento tem sido sugerido para todas as doenças

Auto-hemoterapia: uma
prática não reconhecida

Nas últimas semanas, um novo tema tem chamado a atenção na área de saúde e até mesmo despertado preocupação entre os médicos. Trata-se da auto-hemoterapia. No entanto, a falta de informações a respeito dos seus resultados é o principal alerta dos profissionais, além do fato de não ser reconhecido como prática legal pela SBHH (Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia).
A auto-hemoterapia é definida como um recurso terapêutico de baixo custo, simples, que consiste em retirar o sangue de uma veia e aplicar no músculo da própria pessoa da qual o sangue foi retirado, estimulando assim o sistema retículo-endotelial.
O tratamento vem sendo apresentado por meio de vídeos em várias cidades brasileiras.
Segundo Carlos Chiattone, presidente da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e professor de Hematologia da Santa Casa de São Paulo, a principal questão que deve ser levada em conta não é o fato de as pessoas serem a favor da auto-hemoterapia ou contra ela e, sim, a falta de fatos científicos.
“Não existem estudos que comprovem a efetividade do procedimento, como também não há fatos que indiquem riscos ou não. O problema é que o tratamento tem sido sugerido como um medicamento para todas as doenças, o que não pode ser correto por se tratar de diagnósticos diferentes”, afirma Chiattone.
A SBHH, frente a inúmeros questionamentos recebidos, tanto por parte de profissionais médicos como não médicos, esclareceu em nota à imprensa que não reconhece a prática do ponto de vista científico.
Ainda segundo a SBHH, por não existirem informações científicas sobre o referido procedimento, são desconhecidos os possíveis efeitos colaterais e complicações da prática, podendo colocar em risco a saúde dos pacientes a ela submetidos.
Para Chiattone, os pacientes podem correr riscos de infecção do sangue ao entrar em contato com os microorganismos do ar e também causar absessos no local em que foi feita a aplicação.

BOX
Bom senso e cautela
De acordo com médico hemoterapeuta da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), Luís Henrique Susa Mihara, as pessoas não podem esquecer que todo tratamento deve passar por uma recomendação médica.
“A polêmica em torno da auto-hemoterapia tem sido muito grande. Os pacientes precisam consultar seus médicos. Tratamentos de doenças graves têm sido interrompidos em nome da auto-hemoterapia. É preciso bom senso e cautela”, afirma Mihara.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também publicou, em 13 de abril, uma nota proibindo aos médicos a utilização de práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica.
O procedimento da auto-hemoterapia pode ser considerada uma infração sanitária, estando sujeita às penalidades e punição de seus responsáveis.


DISTÚRBIOS
Fobias infantis precisam de tratamento

Medo de água, de altura, de insetos e até de ficar sozinho. Pode parecer um comportamento passageiro e sem importância, mas especialistas garantem que, se não tratadas, as fobias infantis podem dar muita dor-de-cabeça no futuro.
Um estudo feito pela Associação Psiquiátrica Americana no ano de 2002 revelou que entre 2% e 3% das crianças em idade escolar apresentam o distúrbio. Luís Felipe Bressan Cardoso, qutro anos, não quis mais entrar na piscina depois que caiu na água quando tinha um ano.
O medo começou a preocupar a mãe do menino, Déborah Bressan, 31, que decidiu procurar ajuda. “A atitude dele começou até a mudar os nossos hábitos. Quando íamos ao clube, ele não se divertia, enquanto todas as crianças estavam brincando”, conta a mãe.
A maneira que encontrou para curar o problema foi inscrever o filho na natação. “Aos poucos, ele foi melhorando. O trabalho foi lento, mas deu certo”.
PERIGO
O psicólogo Maurício Bastos disse que, se não tratadas, as fobias tendem a se agravar com o passar do tempo. “A pessoa começa a evitar estar em situações nas quais pode entrar em contato com o objeto fóbico, o que lhe causa o medo. Aquilo que inicialmente era pequeno vai se ampliando e a capacidade do indivíduo de se locomover fica restrita”, explica.

Remédios
Segundo Gustavo Teixeira, psiquiatra do setor de Neuropsiquiatria Infanto-Juvenil da Santa Casa do Rio de Janeiro, os casos mais brandos de fobias podem ser curados por meio de um enfrentamento, como aconteceu com Luís Felipe. Os pacientes mais graves, porém, precisam de atendimento psicológico e, dependendo, antidepressivos também devem ser usados.
A psicoterapeuta Lúcia Marmulsztejn acredita em um trabalho integrado. “Para que a criança seja curada mais rápido, todo esforço é válido”.
Diferentemente do que muitas pessoas pensam, as fobias específicas infantis nem sempre são causadas por um trauma relacionado ao objeto de medo. A psicanalista Ninfa Parreiras afirmou que a fobia pode surgir para expressar um problema mais profundo.
Segundo a especialista Ninfa Parreiras, as crianças não conseguem verbalizar os sentimentos como os adultos, então criam um “medo disfarçado”. “É como se dessem pistas de que alguma coisa não anda bem”, diz.
João Pedro Machado Tavares, oito anos, tem fobia de insetos. A mãe, Flávia Barbosa Machado, 34, não sabe como ele adquiriu o problema: “Ele tem isso desde muito pequeno. Se tiver um bicho no quarto, não dorme até me ver matando. Ele entra em pânico”.
O tempo de melhora depende do paciente. Segundo a psicóloga Cláudia Bueno Silveira, a última etapa do tratamento precisa de técnicas comportamentais de exposição gradual: “Quem tem medo de altura, por exemplo, pode subir de andar em andar até o terraço. Mas a melhor opção é buscar ajuda profissional”.

Alzheimer
Relatório publicado em abril de 2007 pela Revista “Alzheimer’s & Dementia” informa que o custo no mundo com a demência é de US$ 315 bilhões. Em 2005 esse custo foi de US$ 210 bilhões.
De acordo com Bengt Winblad, do Instituto de Pesquisa Karolinska na Suécia, o número de pessoas com demência dobra a cada 20 anos.
Segundo a Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), esse significativo crescimento no número de idosos demenciados desafia os sistemas de saúde, os governos e a sociedade. Para a entidade, houvesse uma pesquisa adequada que abordasse formas de tratamento e prevenção em todos os países representaria a economia de vidas e bilhões de dólares.

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