O custo da inoperância
A avicultura, um dos carros-chefe das exportações brasileiras,
principalmente na região oeste do Paraná, atravessou um
período violento de crise, devido ao aumento do risco da proliferação
da gripe aviária. O clima de terrorismo teve início em novembro
de 2005, logo após a confirmação de febre aftosa
no Mato Grosso do Sul. Para justificar a ineficiente política sanitária,
o governo federal levantou o assunto da influenza e conseguiu abafar temporariamente
que gastou menos que o previsto para o combate à aftosa.
A histeria em torno do assunto, aliada à febre aftosa nos rebanhos
bovinos, inclusive no Paraná, atingiu duramente o setor. Vários
países embargaram as carnes brasileiras. As restrições
levaram mais de um ano para serem suspensas.
O excesso de oferta derrubou os preços internos e a indústria
foi obrigada a reduzir a produção. O número de demissões
foi grande.
Apesar dos problemas, no segundo semestre do ano passado o setor começou
a se reerguer, embora os preços se mantivessem em níveis
baixos. Como as previsões pessimistas de que o País seria
atingido pela gripe aviária não se confirmaram, as exportações
voltaram a crescer, mas o faturamento continuou baixo.
Tão logo foi atingida pela crise, a cadeia produtiva avícola
cobrou do governo federal a implantação emergencial do plano
de sanidade, chamado de regionalização. A medida tem como
principal objetivo proteger os mercados internos em caso de algum problema
sanitário. O tema está na mesa de discussão tempo
demais.
Esta semana produtores e exportadores de frango, que participaram do 20°
Congresso Brasileiro de Avicultura, realizado em Brasília, reafirmam,
na Carta de Brasília, a importância de o Ministério
da Agricultura implementar o sistema de regionalização da
avicultura e dos programas de prevenção e controle para
influenza aviária e da Doença de Newcastle.
A demora em definir as regras e implantar efetivamente a regionalização
deixa desprotegidos os estados que investem em tecnologia e melhoria na
produção.
|