Saúde Mental também é saúde
Telma Pereira é psicóloga em Cascavel
Visando o nosso bem estar, a melhor forma de conservarmos saúde
mental seria selecionar, a partir de nossas experiências, aquilo
que nos causa sentimentos bons e deixar armazenado. Já o que nos
desperta sentimentos ruins, deveria ser elaborado e expulso da nossa mente.
Mas leitor, esse esquema é tão romântico quanto ingênuo.
A questão é que elaborar sentimentos ruins não é
tarefa fácil, muitas vezes temos dificuldades consideráveis
nesse processo. O que acontece é que sentimentos desagradáveis,
que geram mal estar, são apenas colocados de lado, “esquecidos”,
“guardados num dos arquivos da mente”. O que nosso amigo Freud,
chama de recalque. E acredite, esse tal de recalque causa sintomas comprometedores
de nossa saúde mental, porque ele sempre retorna, disfarçado,
mas retorna.
Fazendo uma analogia com o corpo: assim como o sistema digestivo não
pode acumular toxinas, não pode haver comida parada “esquecida”
em nosso intestino, não dá para deixar emoções
ruins “esquecidas”, guardadas, no sistema psicológico.
As emoções ruins precisam ser trabalhadas, elaboradas, aceitas,
entendidas e transformadas. Assim como a comida precisa ser digerida.
Se a toxina fica parada no sistema digestivo, atrapalha o funcionamento
do corpo, gera mal estar físico. Da mesma forma se os sentimentos
ruins ficam parados, também liberam toxinas, tais como irritabilidade,
mau humor, insônia, dificuldades de relacionamento, inveja, etc.
Em alguns casos chegam a afetar os traços de caráter da
pessoa.
Saúde mental é saúde! É imprescindível
que as pessoas atentem para isso. Assim como o corpo - a estrutura biológica,
pode precisar de ajuda para funcionar melhor, também o psíquico
- a estrutura psicológica, ou a personalidade, ou o ego, ou a alma,
pode também precisar de ajuda para entrar em harmonia.
Há casos em que mesmo diante de crises de pânico ou ansiedade,
uso abusivo de drogas, lutos mal elaborados, dificuldades persistentes
de relacionamento, as pessoas insistem em ignorar que precisam se ajudar,
precisam considerar a influência das emoções mal elaboradas
em suas vidas.
A situação se torna ainda mais desfavorável para
a saúde mental, quando a forma que o indivíduo escolhe para
lidar com sua frustração é o vício. O que
define se a pessoa fará uso abusivo do álcool, por exemplo,
é sua estrutura emocional, assim como é essa mesma estrutura
que definirá se ela lidará com sua ansiedade por meio do
cigarro ou da comida. Todos sabem quantas doenças estão
associadas a esses vícios, o que as pessoas ignoram é a
importância da saúde mental na prevenção desses
vícios.
E você? O que faz com seus sentimentos ruins? Cuidado para não
ter uma indigestão emocional.
Para que serve a escola?
Inay Lauana de Oliveira é aluna do ensino médio do Colégio
Duque de Caxias de Corbélia
No entendimento de muitos, a escola serve para nos ensinar e nos preparar
para a sociedade. E de que maneira isso ocorre?
Que a escola serve para nos ensinar, isso todos nós já sabemos,
mas será que estamos aprendendo o suficiente? Infelizmente, não.
Nas escolas, muitas vezes, só aprendemos a não questionar
para que quando sairmos delas, acreditemos em tudo que nos disserem e
assim seremos praticamente escravos da sociedade. Pode ser que tenha aquele
indivíduo que consiga seus direitos, mas vai ser difícil,
pois fomos educados para aceitar a posição do outro e não
debater idéias, nem exigir nada.
A escola deveria ser o lugar no qual sentíssemos liberdade de expor
nossas idéias. Em certas escolas, alguns professores não
admitem que o aluno discorde dele. Se um aluno tenta apresentar seu posicionamento
é levado para a direção e, muitas vezes, é
punido apenas por ter apresentado sua opinião para debater as questões.
A escola também deveria nos ensinar que o preconceito e vários
outros comportamentos não deveriam fazer parte de nosso dia-a-dia.
Devíamos aprender a ser amigo de todos, não fazer escolhas
que excluam certas etnias ou pessoas com deficiência. A escola deve
ensinar aos alunos que devem se relacionar com todo tipo de pessoa, que
até podemos ajudar essas pessoas com algum tipo de deficiência
ou problema.
A escola, às vezes, reforça preconceitos. Por exemplo, o
machismo. Quando tem uma discussão entre meninos e meninas, em
geral, as meninas são defendidas, mesmo quando não têm
razão, pois são consideradas frágeis. Alguns até
dizem que lugar de mulher é em casa. Antigamente, as mulheres nem
podiam estudar e quando puderam, estudavam separadas dos meninos. Os livros
didáticos têm textos que mostram a mulher em casa, cuidando
dos filhos e servindo o marido.
Há coisas, na escola, que aprendemos de forma distorcida. Por exemplo,
sobre os trabalhadores rurais sem-terra. Pensamos que eles estão
acampados por serem vagabundos, que não correm atrás de
emprego, que querem tirar a terra dos outros. Está certo que cada
um tem uma posição sobre isso, mas a escola nos incentiva
a pensar que são uns trastes querendo tomar o que é dos
outros. A escola poderia discutir sobre a distribuição justa
da terra e sobre a função social da terra, que é
a sobrevivência digna das pessoas. Poucos professores ajudam a compreender
criticamente a realidade. A escola, às vezes, esconde os outros
aspectos da realidade.
A partir dessas discussões podemos perceber que a escola tem várias
funções, dentre elas instruir as pessoas e contribuir para
a construção de valores. Portanto, não há
neutralidade no que se faz na escola.
Será que a escola não poderia mudar? Abrir espaço
para diferentes posições para que todos pudessem discutir
e aprofundar o conhecimento sobre a realidade?
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