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LEVANTAMENTO – Desempenho dos principais países sofreu variação negativa

Ritmo da expansão da
economia sofreu queda

O ritmo da expansão da economia brasileira sofreu uma queda em fevereiro em comparação a janeiro e não apresenta o mesmo vigor do segundo semestre de 2006. A avaliação é da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que publica um levantamento sobre o desempenho das principais economias do mundo e alerta para uma expansão "mais moderada" dos países ricos nos primeiros meses de 2007 em relação a 2006.
A organização, conhecida como sendo o grupo dos países ricos, elaborou um índice para avaliar a atividade produtiva das economias e decidiu incluir uma análise também da China, Índia e Rússia, além do Brasil.
O índice é formado por dez dados diferentes, entre eles o crescimento do PIB, mas também o índice de desemprego, renda per capta, investimentos e outros itens. Para a OCDE, o indicador dá uma idéia mais completa do caminho em que se dirige uma economia que a avaliação exclusiva do aumento ou recuou do PIB (Produto Interno Bruto).
No caso do Brasil, o País atingiu 128,9 pontos no índice criado pela OCDE. A taxa é 0,1 ponto inferior à de janeiro. Para os economistas da entidade, o resultado mostra um ritmo mais lento de crescimento do País nos dois primeiros meses do ano.

Balanço
A comparação com o resultado obtido pelo País seis meses antes também mostra uma perda de ritmo da expansão. Em relação a agosto de 2006, o índice brasileiro de fevereiro registrou um aumento de 4,3%.
Apesar do aumento, o desempenho é inferior às comparações semestrais feitas até dezembro, quando a taxa era de pelo menos 5% de crescimento. Na China, porém, expansão continua em ritmo acelerado. O país atingiu 253,1 pontos em fevereiro, um aumento de 5,6 pontos em relação a janeiro.
Segundo a OCDE, os chineses vêm apresentando resultados acima do resto do mundo há 15 meses. Já a Índia e a Rússia apresentam um rendimento mais fraco nos dois primeiros meses do ano. Mas ainda assim acima do Brasil, com 151,2 pontos para a Índia e 137,1 pontos para a Rússia.
Segundo a OCDE, não é apenas o Brasil que apresenta um desaquecimento de sua expansão. A avaliação sobre as economias desenvolvidas mostra que a expansão dos países foi menor nos dois primeiros meses do ano em comparação a 2006. Os sete países mais ricos - Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão, França, Canadá e Reino Unido -, atingiram em média 104,9 pontos em fevereiro, contra 105,1 em janeiro e 105,4 pontos em novembro do ano passado.
Parte da explicação seria o aumento das taxas de juros, que estariam contribuindo negativamente para o desempenho dessas economias. Isso apesar de o nível de confiança dos consumidores estar acima das expectativas.

PREVISÃO
Economista diz que Brasil
vai crescer 4% neste ano

A economia brasileira irá crescer 4% ou um pouco menos em 2007 e 2008, segundo estimativa do ex-economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), Michael Mussa, no estudo "Perspectivas Econômicas Globais 2007/2008: Desaceleração a um Crescimento Sustentável". O economista avalia que no Brasil, "com a ajuda de taxas de juros reais mais baixas e a confiança pública em políticas econômicas sensatas, é razoável prever um crescimento real de 4% ou ligeiramente menor" neste ano e no próximo, depois de uma taxa inferior a 3% em 2006.
Segundo Mussa, a inflação brasileira continuaria em torno de 4% ou um pouco menos, o que permitiria novas reduções da taxa básica de juros (a Selic, atualmente em 12,75%), levando as taxas de juros reais a níveis "significativamente abaixo de 10% pela primeira vez em vários anos".
De acordo com o trabalho de Mussa, que atualmente é pesquisador do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington, a expansão da economia latino-americana se reduzirá a cerca de 4% em 2007 e 2008 depois de um ritmo relativamente forte de 5% em 2006.
Para os Estados Unidos, o trabalho prevê uma expansão de pouco mais de 2% para 2007 e 2008, abaixo do ritmo superior a 3 % de 2006. Embora descarte um risco alto de recessão, antecipa um "período de leve estanflação (estancamento mais inflação)".
O estudo frisa os riscos que enfrenta a economia global, como a volatilidade dos preços do petróleo e outras matérias primas, o ajuste da política monetária, um freio nos fundamentos econômicos que poderia provocar quedas nas bolsas e os "desajustes comerciais".

Demanda chinesa devora
produção brasileira de soja

A crescente demanda da China pela soja brasileira é tema de reportagem com chamada de capa do diário “The New York Times”. “Conforme sua economia cresce, também cresce o apetite da China por suínos, aves e carnes bovinas, que exigem maiores volumes de soja para alimentação animal. Atormentada pela escassez de água, a China está se voltando a um novo parceiro comercial a 15 mil milhas de distância - o Brasil - para suprir mais grãos cheios de proteína essenciais para uma dieta mais rica”, relata o jornal.
Segundo a reportagem, isso está alterando completamente o padrão do comércio global de produtos agrícolas. “Antes, o maior fluxo de comércio bilateral de alimentos era entre os Estados Unidos, o maior exportador de alimentos, e o Japão. Mas países com vastas terras aráveis com potencial de expansão, particularmente o Brasil, estão agora correndo para suprir a demanda da China, cuja população de 1,3 bilhão é dez vezes a do Japão”, explica o texto.
Segundo o “The New York Times”, outro fator que vem ajudando a incrementar a participação do Brasil no comércio internacional de soja é o fato de os Estados Unidos estarem aumentando sua área de plantio de milho para a produção de etanol, limitando o potencial de crescimento para o cultivo da soja.
De acordo com a reportagem, o Brasil vendeu à China no ano passado 11 milhões de toneladas de soja, 50% a mais do que no ano anterior e quase 100% a mais do que em 2004. “As indicações são de que o Brasil produziu mais uma colheita recorde, e os analistas esperam que a China a devore”, diz o jornal.

 

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