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COMÉRCIO INTERNACIONAL
País é acusado de impor sobretaxas antidumping

EUA podem se juntar à
Argentina contra o Brasil

O Brasil começou a se preparar para enfrentar novamente os Estados Unidos na OMC (Organização Mundial do Comércio). Desta vez, como aliados na queixa de Buenos Aires contra as medidas antidumping aplicadas pelo governo brasileiro às importações de resinas usadas na fabricação de garrafas plásticas PET.
A hipótese de Washington integrar-se a essa controvérsia como terceira parte interessada ou como co-demandante é considerada factível pelo Itamaraty. A companhia que solicitou ao governo brasileiro a imposição das sobretaxas antidumping, a M&G Fibras e Resinas, de capital italiano, contratou o escritório de advocacia Noronha Advogados, com sede em São Paulo, para atuar em parceria com o Itamaraty na montagem da defesa.
A possível aliança entre a Argentina e os Estados Unidos nessa controvérsia com o Brasil na OMC tenderia a dificultar a busca de uma solução negociada, como um acordo de preços entre as companhias diretamente envolvidas na disputa - a brasileira M&G, de um lado, e a Voridian argentina e a americana Invista, do outro. Esse cenário tornaria mais complexo o trabalho da defesa brasileira, assim como tenderia a desgastar as relações bilaterais e o próprio Mercosul, bloco que tem na Argentina e no Brasil seus principais sócios. A possível interferência dos Estados Unidos nesse caso, entretanto, tem uma motivação prática e clara.
Por enquanto, não houve posicionamento formal de Washington sobre essa controvérsia, conforme informou o diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, Roberto Azevedo. Mas a participação dos Estados Unidos no caso é considerada inevitável porque esse país jamais deixou de entrar numa briga na OMC relacionada também a seus produtores.
Brasil e Estados Unidos já se enfrentaram 12 vezes nas barras do Órgão de Solução de Controvérsias da OMC. Oito dos casos foram iniciados por reclamação de Brasília contra práticas comerciais de Washington. As outras quatro queixas partiram dos Estados Unidos contra o Brasil. Até o momento, o governo brasileiro não perdeu nenhum caso.

Taxas
A Resolução 29 da Camex (Câmara de Comércio Exterior), que determinou a aplicação das sobretaxas sobre as importações de resina PET fabricadas pela Voridian Argentina e outras empresas desse país vizinho, também previu penalidade similar aos desembarques do mesmo produto fabricado pela Invista e por outras companhias americanas. Uma razão adicional para os Estados Unidos engrossarem as fileiras da Argentina nessa disputa está no fato de a Voridian ser uma empresa de capital americano.
A resolução da Camex previu a aplicação por cinco anos, a partir de 2 de setembro de 2005, de uma sobretaxa antidumping de US$ 345,09 por tonelada de resina fabricada pela Voridian. Para as demais empresas argentinas, esse adicional foi bem maior, de US$ 641,01 por tonelada. Para a Invista, dos Estados Unidos, a sobretaxa foi fixada em US$ 314,41 por tonelada. As demais empresas americanas do setor foram penalizadas com US$ 889,08 por tonelada. Essas medidas foram aplicadas conforme as conclusões do processo de investigação do Decom (Departamento de Defesa Comercial), que constatou que as margens de dumping nos preços de exportação desses produtos excediam o mínimo tolerado.


PESSIMISMO
Bovespa perde 5% no ano

Em um dia de bastante mau humor no mercado financeiro brasileiro, a Bovespa caiu 4,03% sexta-feira, para 42.245 pontos - na mínima, chegou ao patamar de 42.159 pontos. Na primeira semana do ano, a queda foi de 5%.
Ela acompanhou o clima no exterior, também ruim. Às 18h30, a Bolsa de Nova York tinha baixa de 0,68%, aos 12.395,21 pontos, e a Nasdaq (que reúne ações de empresas de tecnologia) recuava 1,05%, para 2.427,50 pontos. As principais européias fecharam em queda.
As duas ações mais negociadas do pregão registraram desvalorizações expressivas: a preferencial da Petrobras recuou 3,06%, a R$ 46,19, e a da Companhia Vale do Rio Doce caiu 3,94%, para R$ 50,90.
De acordo com analistas, os investidores estão embolsando os recentes lucros e corrigindo os exageros observados na última semana de 2006 e em 2 de janeiro, quando a Bolsa brasileira atingiu o nível inédito de 45.382 pontos. “Essa elevação não tinha fundamento, então não podia mesmo se sustentar”, comenta Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros. Em três pregões as perdas alcançam 6,91%; no entanto, analistas dizem que a Bovespa não deve recuar para muito abaixo dos 42 mil pontos - ponto a partir do qual as ações das empresas ficam atraentes para compras, tendo em vista as previsões de faturamento para elas. Nos próximos dias, o mercado internacional deve continuar ditando o humor dos investidores por aqui.


RESIDUAL
Receita libera
consulta ao
1º lote da
malha fina

A Receita Federal libera amanhã a consulta ao primeiro lote residual de restituições do Imposto de Renda da Pessoa Física de 2006 (ano-base 2005). Em 2006 foram retidas em malha fina 746.035 declarações, contra 900 mil em 2005.
Segundo o supervisor nacional do Imposto de Renda, Joaquim Adir, do total dos contribuintes presos à malha, 370.728 ficaram retidos por omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas.
A consulta estará disponível a partir das 8h, no site da Receita Federal e no Receitafone (0300780300). Para ter acesso à informação, basta informar o número do CPF.
A Receita informou que neste primeiro lote residual serão liberadas para consulta 250.994 declarações.


Poupança
A caderneta de poupança fechou 2006 com captação líquida positiva de R$ 6,47 bilhões, revertendo o resultado negativo do ano anterior.
O último balanço positivo da caderneta era de 2004, quando a captação líquida somou R$ 4,5 bilhões. Em 2005, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 2,720 bilhões.
O fluxo de recursos para a poupança vem se mantendo positivo desde setembro e aumentou significativamente nos últimos dois meses do ano com a entrada do 13º salário. Só em dezembro, a captação líquida foi positiva em R$ 7,43 bilhões.
Esse movimento coincide, também, com o período em que os fundos de curto prazo, de renda fixa e DI, voltados para o pequeno investidor, renderam menos que a caderneta, pois acompanham o juro básico da economia (Selic), que está em queda.
Com o corte da Selic para os atuais 13,25% ao ano, muitos fundos de investimento em renda fixa passaram a oferecer uma remuneração líquida inferior à da poupança.
O governo, no entanto, ainda não decidiu se vai alterar o rendimento da poupança.


 

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