| TRANSIÇÃO
Legado inclui o presidente do Banco Central Americano
Obama herda três nomes de Bush
O democrata Barack Obama foi eleito presidente com a plataforma de levar a mudança para Washington, mas terá que trabalhar com três grandes nomes do governo do impopular George W. Bush em temas cruciais como a crise financeira, os confrontos militares internacionais e o combate ao terror.
O legado do governo do republicano Bush inclui o republicano Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (FED, Banco Central americano) e ex-presidente do Conselho de Conselheiros Econômicos de Bush, Michael Mullen, diretor da Junta de Chefes do Estado-Maior, grupo que reúne os chefes das Forças Armadas americanas, e Robert Mueller III, diretor do FBI e figura central da política de combate ao terror de Bush.
“É um desafio, mas nada intransponível”, disse William Galston, conselheiro de política interna do governo de Bill Clinton (1993 a 2000). Bernanke, Mullen e Mueller “parecem ser políticos de espírito genuinamente público e não partidários”, afirmou Galston.
Manter grandes nomes do Governo Bush não parece ser um problema para Obama, que tem reiterado em suas declarações o esforço bipartidário no governo. Há até mesmo especulações de que ele, voluntariamente, manterá nomes do Governo Bush para uma transição mais tranqüila.
"[Obama] não é alguém que se sente confortável apenas se construiu toda estrutura ao seu redor. Nós tivemos presidentes assim, mas ele não é um deles. Sua vida o treinou para se dar bem em diferentes ambiente e se ajustar a eles", completou Galston.
Diante do enfraquecimento da economia e dos números preocupantes do desemprego, uma das principais figuras da política econômica de Obama será Bernanke. Ele fica no cargo pelo menos até 2010 e atuará diretamente com o secretário do Tesouro - cujo nome ainda não revelado por Obama - para lidar com a crise financeira e a economia.
Obama e Bernanke, afirma reportagem do “Washington Post”, conversaram várias vezes por telefone e se encontraram pessoalmente apenas uma vez, a pedido do democrata. Nesta reunião, realizada no escritório de Bernanke, Obama ressaltou que respeita a independência política do FED - o que indica que ele manterá a estratégia das últimas administrações de não pressionar o FED a seguir sua política monetária.
Guerra
O Governo Obama contará ainda com Michael Mullen, um dos principais conselheiros do presidente Bush para questões de segurança nacional, principalmente nas estratégias para o Afeganistão e a Guerra do Iraque.
Mullen foi indicado pelo secretário de Defesa, Robert Gates, para um mandato de dois anos que acabará somente no fim de 2009 e que, tradicionalmente, é estendido por um novo mandato como principal conselheiro militar do presidente.
O diretor, afirma reportagem do jornal “The Washington Post”, é partidário da idéia de Obama de que é necessário ampliar os esforços no Afeganistão, mas é contrário a uma data fixa para a retirada das tropas americanas do Iraque.
ZIMBÁBUE
Governo e oposição seguem sem acordo
A Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral encerrou a reunião sem acordo para formar um governo de unidade no Zimbábue. O bloco pediu ao poder e à oposição no Zimbábue que compartilhassem o importante ministério do Interior, que controla a polícia do país. A proposta, no entanto, foi negada pela oposição, liderada por Morgan Tsvangirai.
O país, governado há 28 anos por Robert Mugabe, enfrenta uma crise política depois de um impasse na divisão do poder pactuado em setembro com o partido de oposição Movimento pela Mudança Democrática e uma facção interna.
A direção da Comunidade declarou que a cúpula de emergência do bloco, que reúne 15 países, realizada domingo na localidade sul-africana de Johannesburgo defendeu a formação imediata de um governo de união no Zimbábue.
O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, acertaram formar um governo de unidade há dois meses, mas esse acordo se encontra paralisado devido às disputas sobre a divisão dos ministérios, principalmente o do Interior.
Com a rejeição, fica dificultada a formação de um governo de unidade no país que, sem a concretização do acordo celebrado dia 15 de setembro, tem ficado praticamente sem liderança para resolver uma grave crise econômica interna. O presidente do Zimbábue deixou a reunião com sua equipe sem dar comentários.
VIOLÊNCIA
Duplo atentado mata
28 pessoas em Bagdá
Um atentado a bomba duplo deixou ao menos 28 mortos e dezenas de feridos, entre eles algumas crianças, ontem, em um mercado de Bagdá. Os atentados, ocorridos de maneira conjunta em uma região movimentada da capital, foram os mais violentos desde junho. Nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques.
As explosões aconteceram em alguns minutos de intervalo na avenida principal de Adhamiyah, um bairro de maioria sunita. Um carro-bomba explodiu por volta das 8h (3h em Brasília) no entorno do mercado. Quando os socorros chegaram foram alvo de um suicida que detonou um cinto de explosivos preso ao corpo. Três mulheres, cinco crianças e três policiais estão entre os mortos.
Segundo os testemunhos, um ônibus que levava meninas para a escola estava passando no local no momento do atentado. O veículo foi seriamente danificado e os pais em prantos estavam no local, tentando encontrar as filhas.
Entre os 68 feridos há seis policiais, quatro soldados, cinco mulheres e dez crianças, segundo o ministério da Defesa. O número de vítimas ainda pode aumentar, já que, segundo os médicos, há dezenas de feridos em estado grave no hospital.
Terremoto
Um terremoto de 6,3 graus de magnitude na escala Richter atingiu ontem a Província chinesa de Qianghai (Noroeste). Segundo a agência de notícias Xinhua, não foram registrados danos ou vítimas.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o tremor foi de 6,3 graus e seu epicentro ficou a 1,8 mil quilômetros a oeste de Pequim. O sismo ocorreu às 9h22 (hora local).
A Província atingida fica na região fronteiriça com Sichuan, onde no dia 12 de maio foi registrado um terremoto de 8 graus. Cerca de 88 mil pessoas morreram ou ficaram desaparecidas em decorrência do tremor.
VENEZUELA
Chávez ameaça adversários com tanques
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, numa radicalização de seu discurso a poucas semanas das eleições regionais, ameaçou colocar tanques nas ruas e prender adversários que não reconheçam eventuais derrotas.
As pesquisas mostram que candidatos governistas devem vencer a maioria das disputas para os governos dos estados e prefeituras, mas o chavismo pode enfrentar derrotas em alguns estados e municípios importantes.
“Se vocês permitirem que a oligarquia regresse ao governo, vou acabar tendo de pegar os tanques da brigada blindada para defender o governo revolucionário e para defender o povo”, disse o presidente em comício na noite de sábado no Estado de Carabobo (Noroeste).
"Pátria ou morte, é o lema!", bradou Chávez, depois de admitir que seu candidato não lidera as pesquisas nesse estado, um dos mais populosos do país petroleiro.
Chávez também ameaçou prender alguns políticos adversários por corrupção ou caso não respeitem os resultados da votação de 23 de novembro. O presidente ainda afirmou que vai reduzir os recursos para as regiões governadas por "anti-revolucionários". |