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VEREDICTO – Ex-ditador foi condenado pela morte de 148 xiitas

Saddam é condenado à
morte por enforcamento

O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e dois de seus colaboradores mais próximos - o ex-presidente do tribunal revolucionário iraquiano, Awad Ahmed al Bandar, e o meio-irmão de Saddam, Burzan Ibrahim, ex-chefe do serviço secreto do país - foram condenados à forca por crimes de guerra ontem pelo Tribunal Superior Penal do Iraque. Eles foram considerados culpados pela morte de 148 xiitas no povoado de Dujail, em 1982.
Grupos de sunitas foram às ruas de Tikrit, cidade-natal do ex-ditador do Iraque Saddam Hussein, entre outras cidades, para protestar contra a sentença de morte dada a ele. Outros grupos, estes de xiitas, também foram às ruas, mas para celebrar a condenação à morte do ex-ditador.
No bairro xiita de Sadr City, um dos mais pobres de Bagdá (capital do país), centenas de milhares de pessoas foram às ruas cantar e dançar, ignorando o toque de recolher declarado pelas autoridades iraquianas ontem, gritando "Executem Saddam",
No sul do país, onde predominam os xiitas, as manifestações foram pacíficas. Uma fila de carros enfeitados com flores de plástico circularam pelas ruas de Najaf, e grupos de pessoas queimavam retratos de Saddam e de sua família.
Sunitas
Em Tikrit, no entanto, grupos de iraquianos sunitas circularam em comboios de veículos, ostentando metralhadores e outras armas pesadas, desafiando o toque de recolher. Um grupo de cerca de mil pessoas, incluindo alguns policiais, carregando retratos de Saddam, gritava "Vamos vingá-lo, Saddam". De telhados e esquinas da cidade foram feitos disparos para o alto.

 

"Não se vinguem"

O advogado-chefe da equipe de defesa de Saddam, Khalil al Dulaimi, disse que o ex-ditador já esperava a condenação à morte e pediu aos iraquianos que rejeitem a violência sectária e "não se vinguem" das tropas americanas.
"Sua mensagem ao povo iraquiano foi “perdoem e não se vinguem dos países invasores e seus povos'", disse Dulaimi.
O embaixador americano no Iraque, Zalmay Khalilzad, disse que o veredicto foi "um marco importante" na construção da lei no país e pediu mais apoio dos EUA para o governo recém-formado.
O presidente do Iraque, Jalal Talabani, não comentou a condenação, mas disse que o processo foi justo e conforme a lei, segundo o chefe do gabinete e porta-voz do presidente iraquiano, Kamran Qaradaghi.
O juiz Raed Juhi, do Alto Tribunal penal iraquiano, disse que o procedimento de apelação acionado automaticamente após a condenação à morte de Saddam começará hoje. A alta comissária para os direitos humanos na ONU (Organização das Nações Unidas), Louise Arbour, pediu que as autoridades iraquianas respeitem "plenamente o direito de apelação".

BOLÍVIA
Contrato com petrolíferas
chega ao Congresso hoje

A estatal boliviana YPFB enviará ao Congresso hoje todos os contratos assinados com dez empresas dentro do processo de nacionalização dos hidrocarbonetos para que sejam ratificados em cumprimento da Constituição.
O presidente da YPFB, Juan Carlos Ortiz, confirmou à rádio "Erbol", de La Paz, que hoje o Parlamento receberá os documentos com seus anexos incluídos para que sejam conhecidos pelos legisladores e a população.
Ortiz afirmou que na década passada, no primeiro governo de Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-1997), os contratos com as empresas multinacionais petrolíferas eram "secretos" e acrescentou que isto não se repetirá, porque será dada transparência ao novo processo.

PALESTINA
Novo governo pode ser
anunciador em 48 horas

A formação de um novo governo palestino de união nacional poderá ser anunciada em um prazo de 48 horas, asseguraram ontem fontes políticas da ANP (Autoridade Nacional Palestina).
O legislador Mustafa Barghouthi, chefe do grupo parlamentar "Palestina Independente", disse à emissora "Voz da Palestina" que "as coisas progridem rumo a um acordo".
"A maior parte [do acordo] foi concretizada e estamos dando os últimos retoques", afirmou o deputado, acrescentando que se espera o anúncio em um prazo de dois dias.
O otimismo do deputado foi respaldado por informações publicadas ontem pelo jornal "Al-Ayyam", alinhado com o movimento Fatah, que indica que a única coisa que falta ser definida é quem será o próximo primeiro-ministro.
A formação de um governo de união nacional na ANP foi proposta pelo presidente Mahmoud Abbas há vários meses para tentar resolver a crise humanitária na Cisjordânia e em Gaza, provocada em grande parte pelo boicote internacional - diplomático e econômico - ao primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh.


 

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