| URGÊNCIA
Administração precisa de mais R$ 2,5 milhões
Prefeito volta a pedir
créditos para salários
O prefeito Lísias Tomé (PSC) protocolou ontem, na secretaria da Câmara de Vereadores, vários anteprojetos de lei solicitando abertura de créditos adicionais especiais e suplementares que totalizam mais de R$ 9,4 milhões para pagamento de salários e encargos sociais de servidores das diversas secretarias e para equipamentos, obras, material e salários da Secretaria de Educação. Junto com os anteprojetos, o prefeito encaminhou um ofício solicitando urgência na aprovação dos recursos.
Dos R$ 9,4 milhões solicitados, R$ 2,562 milhões são para pagamento de pessoal e encargos sociais das Secretarias de Administração, Finanças, Ação Social, Cultura, Esporte e Lazer, Meio Ambiente, Agricultura, Serviços e Obras Públicas, Indústria e Comércio, governo municipal e Administração Distrital.
Os recursos para pagamento de pessoal e encargos sociais dos servidores, de acordo com a justificativa do prefeito Lísias Tomé, são provenientes do contrato de prestação de serviços financeiros firmado entre o Município e a Caixa Econômica Federal, que rendeu aos cofres públicos um total de R$ 11 milhões. Todavia, o Município está pedindo remanejamento de um recurso que ainda não entrou no caixa da prefeitura.
No começo de setembro, o prefeito Lísias Tomé já havia solicitado abertura de crédito especial para pagamento de salários dos servidores. Os anteprojetos também foram encaminhados à Câmara, junto com outros solicitando abertura de créditos suplementares para educação e outras necessidades. O total também era de cerca de R$ 9 milhões, mas os vereadores rejeitaram a solicitação de recursos destinados ao pagamento de salários, por entenderem que os recursos da CEF são livres para investimentos e que os recursos para pagamento dos servidores deveriam estar previstos no orçamento do Município.
Os R$ 6,8 milhões para a Secretaria de Educação são remanejamentos e adequação orçamentária para encerramento do exercício financeiro, dentro dos recursos destinados para o setor.
Os vereadores se reúnem para o 9º período de sessões segunda-feira, quando deverão apreciar as matérias do Executivo.
REFORMA
Edgar reúne deputados com empresários
O deputado Edgar Bueno (PDT), prefeito eleito de Cascavel, promoverá um encontro de empresários em Cascavel no dia 31 deste mês com a presença do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Nelson Justos, do presidente da Comissão de Constituição e Justiça da AL, deputado Durval Amaral, e outros deputados, para discutir o anteprojeto da reforma tributária.
O anúncio foi feito ontem por Edgar, quando confirmou também que permanecerá na Assembléia Legislativa até o fim de dezembro, “pois tenho alguns projetos tramitando e, pensando no futuro, pretendo também fazer articulações políticas em Curitiba e Brasília”.
Sobre o anteprojeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de Cascavel para 2009, cuja cópia o prefeito eleito apanhou pessoalmente na Câmara de Vereadores, Edgar Bueno disse que ainda está analisando. Ele observa que, para a lei atender ao seu plano de governo, serão necessárias algumas adaptações. “Vamos conversar com os atuais vereadores para pedir e sugerir a eles algumas emendas que contemplem as ações para o próximo ano”, afirmou.
Sobre a nova composição do Legislativo, Edgar Bueno disse que manterá contato permanente com os vereadores eleitos, “pois temos muito a discutir sobre o futuro de Cascavel”, afirmou.
EVOLUÇÃO
Apesar de ainda terem sido eleitos candidatos considerados “fichas-sujas” em todo o país, o presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, fez uma avaliação positiva do pleito, uma vez que o número de denúncias de irregularidades - como a compra de votos - diminuiu. Para ele, o país atravessa uma fase de aprendizagem e consolidação da democracia, lembrou que a ditadura acabou há apenas 20 anos.
Cezar Britto esteve em Curitiba, na abertura da 2.ª Semana Temática da OAB-PR, que tem como tema “Prerrogativas da Advocacia - Direito de Defesa do Cidadão”.
Ele diz que os comitês do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral criados em todo o País ainda não fizeram um balanço formal, mas já foi possível observar que o processo eleitoral teve menos problemas do que em anos anteriores.
Explica que a fiscalização aumentou, ao passo que as denúncias feitas para os comitês diminuíram. Conclui que é resultado do trabalho de conscientização da população iniciado há um ano, com apoio de outras instituições, como o Conselho Nacional de Justiça.
Em relação à venda de votos e a eleição de pessoas que estão com pendências judiciais, ele diz que o povo é soberano e tem o direito de escolher, “inclusive de escolher mal”, falou. “Democracia se aprende exercitando”, completou, afirmando que a conscientização deve ocorrer de forma paulatina.
DANÇA DAS CADEIRAS
Nadir Willi foi dispensado pelo chefe de Gabinete
Secretário de Saúde cai
por não fazer campanha
O secretário de Saúde de Cascavel, Nadir Willi, foi nomeado há dois anos e meio pelo prefeito Lísias Tomé (PSC), depois de quatro trocas de comando na pasta. Mas ontem foi dispensado pelo chefe de Gabinete, Vilson de Oliveira, que também é presidente do PSC. O atual diretor da pasta, Reginaldo Andrade, é o mais cotado para assumir a vaga.
“Assumi a Secretaria de Saúde a convite do prefeito Lísias Tomé e fui exonerado pelo chefe de Gabinete. O prefeito nem me explicou por quê”, desabafou Willi ontem. Ele se mostrou chateado com a forma como foi mandado embora.
Na Secretaria de Saúde, muitos funcionários lamentavam a saída de Nadir Willi, que se emocionou, chegando às lágrimas, por deixar a equipe com quem trabalhou por dois anos e meio.
Perguntado sobre os motivos que levaram à sua demissão, o ex-secretário disse que não recebeu explicações. As informações colhidas dentro do próprio Paço é que o secretário não participou da campanha para a reeleição do prefeito Lísias Tomé e o resultado das urnas forçou a decisão. Outros secretários também poderão ser dispensados na próxima semana.
Nadir Willi confirmou que não participou da campanha eleitoral do prefeito, não usou bótom nem pediu votos. “Quando aceitei comandar a Secretaria de Saúde o fiz porque sou um técnico no assunto, não sou político, e deixei isso bem claro ao prefeito”.
A reportagem do Hoje esteve na prefeitura para falar com o chefe de Gabinete, Vilson de Oliveira, mas ele mandou avisar que estava em reunião com a Procuradoria Jurídica e não poderia atender. Sugeriu que a reportagem voltasse outro dia.
Informatização grátis
Nadir Willi foi dispensado às vésperas de colocar em funcionamento a informatização da saúde, que conseguiu sem custos para a prefeitura, por meio de um termo de cessão de uso que assinou com a Prefeitura de São Paulo.
Os anúncios feitos em campanha pelo prefeito Lísias Tomé, de que faria a informatização ainda este ano, eram baseados na conquista do secretário, que pessoalmente assinou o termo na capital paulista.
O sistema de informatização conseguido pelo ex-secretário terá apenas o custo de implantação do sistema, em torno de R$ 150 mil. “Dentro de dez dias entra em funcionamento”, garantiu Nadir Willi.
Já foram mandados para confecção 300 mil cartões para uso da clientela da rede pública. Os bancos de dados estão prontos. Toda a rede pública será informatizada, as unidades básicas, almoxarifados e entrada e saída de medicamentos. Cascavel chega à era da informatização da saúde e demite o “pai da criança”.
Nadir Willi se despediu do comando da Secretaria de Saúde com o sentimento do dever cumprido. “Tive um bom relacionamento com os médicos, nunca humilhei ninguém, consegui até avanços salariais. Encaminhei a proposta de plano de cargos e salários da saúde, mas foi engavetada. Saio com o sentimento do dever cumprido, formei uma grande equipe na secretaria, dei outra cara para a secretaria.
CULTURA
Diretor e secretário chegam às vias de fato
A briga entre o diretor de Difusão da Secretaria de Cultura, Wanderley dos Anjos, e o secretário da pasta, Julio Cesar Fernandes, é antiga, mas quinta-feira chegou às vias de fato. Júlio acusa Wanderley de ter-lhe desferido um tapa no rosto. O diretor nega. Cada um conta a sua versão da briga. O fato é que Julio Cesar registrou o segundo boletim de ocorrência e a segunda queixa-crime contra Wanderley, que também alega ter denunciado o secretário.
Ouvido ontem pelo Hoje, o secretário Julio Cesar conta que a briga é pelo poder e que Wanderley sempre quis o comando da secretaria. Em abril deste ano, prazo para as desincompatibilizações de quem quisesse concorrer às eleições municipais, Julio chegou a ventilar a possibilidade de ser candidato. “Ele [Wanderley] já saiu contando a todo o mundo que assumiria a secretaria. Conversei com o dr. Lísias [Tomé], que me pediu para ver com calma, falar com minha família. Foi o que fiz e acabei desistindo da idéia, justamente por questões familiares e financeiras”, contou.
“A partir daí, Wanderley dos Anjos, que tem o cargo de diretor subordinado ao secretário, transferiu-se para o Centro Cultural sem ao menos avisar”, contou Julio. E levou consigo o gerente Luciano Biaggi. “Desde então não dava satisfação ao secretário, nem mesmo fazia as prestações de contas das locações e das pequenas despesas do Centro Cultural”.
Na eleição, Julio não entrou na campanha porque teria sido liberado pelo próprio prefeito a filiar-se no PP de Salazar Barreiros. Depois da eleição, ainda segundo Julio, os problemas se agravaram, porque Wanderley passou a acusá-lo de traidor, inclusive teria passado esse perfil do secretário ao prefeito.
Terça-feira, segundo relato de Julio Cesar, Wanderley passou a relatar que o secretário cairia. O secretário chegou ser chamado à sala do chefe de Gabinete, Vilson de Oliveira, explicou a situação e voltou ao seu posto. Quinta-feira participou da reunião do secretariado, na qual diretores também estavam, no gabinete com o prefeito. “À tarde, depois da reunião, inconformado de me ver na reunião e que eu não tinha sido demitido, [Wanderley] veio aqui, determinou que um funcionário arrombasse uma porta que era de um diretor que foi exonerado [Marcos Piaia], porque a chave não estava aqui. Cheguei naquele momento e disse que ali ele não abriria e que não ocuparia a sala. Foi então que ele esbravejou e acabou me dando um tapa no rosto”, contou Julio Cesar.
Segundo o secretário, a turma do deixa-disso chegou e acabou com a confusão. O prefeito Lísias ligou de Curitiba para o secretário e o convocou para uma conversa para segunda-feira.
O outro lado
O diretor de Difusão da Secretaria de Cultura, Wanderley dos Anjos, garante que a situação não foi a detalhada pelo secretário Julio Cesar Fernandes e que não o agrediu.
Wanderley disse que “tentou num gesto de carinho acalmá-lo, porque estava alterado, colocando a mão sobre seu ombro”.
O diretor quer que Julio prove com exame de lesões corporais. “Ele quer sair de vítima agora. Traiu o Lísias [Tomé] e agora, num ato desesperado para se manter no cargo, se faz de vítima”, considerou.
Wanderley confirmou que a briga dos dois vem desde abril e que também prestou queixa-crime contra Julio, mas não quer entrar em detalhes, pois, segundo ele, corre em segredo de Justiça.
|