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PERFIL
Boa parte não sabe a data da eleição nem os cargos

Jovem condena corrupção e
não se interessa por política

Apesar de ter a consciência de que a política é fator fundamental para o desenvolvimento e crescimento do Município, Estado e do País, boa parte dos jovens de Cascavel não está preocupada com o futuro político do Brasil. Durante a semana a reportagem do Hoje entrevistou estudantes com idade entre 16 e 20 anos, que já votaram uma vez ou estão na expectativa do primeiro voto, e a maioria não soube ou mostrou indiferença aos questionamentos a respeito da eleição de outubro.
Muitos entrevistados não souberam dizer, por exemplo, o dia da eleição, local de votação e para quais cargos escolheria os candidatos. O nome dos concorrentes também é desconhecido para boa parte dos entrevistados.
No entanto, o jovem cascavelense é unânime ao apontar a corrupção como o maior problema do Brasil. “Quando entram na política alguns até têm idéias boas, mas passando algum tempo e pegando o gostinho acabam entrando na dança e se misturando com a grande maioria”, opina a estudante Juliana de Mello, 17 anos.
Também foi possível detectar um grau diferente de interesse entre alunos das redes particular e estadual de ensino. Nas escolas privadas alguns estudantes souberam informar sobre a eleição - data, local de votação e os cargos em disputa - e disseram também que acompanham o horário eleitoral gratuito, mesmo que por curtos períodos.
Já na rede estadual os alunos encontram uma dificuldade natural porque estudam à noite e muitos trabalham durante o dia. Mesmo assim afirmaram que não têm interesse na programação. “É baboseira o que todos os políticos falam”, frisa Karina Pontes Botelho, 19 anos, aluna do Colégio Carmelo Perrone, no Bairro Alto Alegre. Ela não assiste ao horário eleitoral e não está preocupada com a proximidade das eleições. “Não tirei o título e, se votasse, anularia todas as opções”, falou.

QUESTÃO HISTÓRICA
Doutora analisa a situação política

Para a doutora em Educação com linha de pesquisa sobre política educacional brasileira Francis Mary Guimarrães Nogueira - professora do curso de Pedagogia da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste) -, a democracia burguesa e a corrupção nas eleições são questões históricas no País, e ocorrem também em outros países, “mesmo nos chamados de desenvolvidos”.
“Na época da ditadura a corrupção era imensa, mas não aparecia, pois a sociedade e a imprensa eram amordaçadas, existiam os repressores e, por isso, os resultados dessa corrupção não eram visíveis”, declara.
Francis lembra que no início existia o voto censitário, em que votavam apenas pessoas com renda alta. Logo após foi instituído o voto de cabresto, comprados por pequenos valores pelos candidatos, como cestas básicas.
Sobre a diferenciação das informações entre os jovens dos colégios estaduais e dos particulares, a doutora sintetiza a resposta: “A diferença são as condições materiais, vem de família. Os alunos do colégio estadual não têm dinheiro para comprar jornal, enquanto os da particular são instruídos por pais que lêem bastante e estão ligados na internet”.
“Não devemos fazer uma apreciação pejorativa. É um conjunto que deve ser analisado, mas se resume nas condições da família, escola e dos próprios professores que ganham pouco”, exemplifica.
Para ela, o Estado também não contribui para uma mobilização da política e que atualmente existe um refluxo dos movimentos organizados que poderiam auxiliar a sociedade na construção de pessoas mais politizadas.

ENQUETE

“Político só pensa em roubar, não acredito que eles farão alguma coisa”
Marcelo de Oliveira Potulski, 18 anos

“Tento analisar qual político é menos corrupto para então votar”
Miguel Ângelo Ferreira Júnior, 17 anos

“Político brasileiro promete muito e cumpre pouco”
Indianara Alonso Camargo, 17 anos

“Existem poucos sérios e os que são sofrem porque são taxados como a maioria”
Jéssica Carnieri, 18 anos

“Não gosto de política, a maioria promete, mas não cumpre suas promessas”
Tarliza Nardelli, 17 anos

“É histórica a questão da corrupção dos políticos, a maioria é comprada e tem interesses próprios”
Rafael Ruiz, 19 anos

 

TURNO ÚNICO
Atendimento ao contribuinte será normalizado

Prefeitura deve voltar
a funcionar oito horas

Depois de mais de um ano atendendo no sistema de turno único, em apenas seis horas, a Prefeitura de Cascavel deve reabrir as portas aos contribuintes por oito horas. De acordo com o secretário de Administração, Luiz Lima, o assunto já foi cogitado há alguns dias com o prefeito, Lísias Tomé (PPS), mas ainda não existe uma definição na data. “A possibilidade é grande de retornarmos o atendimento em oito horas, mas vamos aguardar o fim das eleições para novamente retornar ao assunto”, disse ele.
O turno único entrou em vigor em 1º de julho de 2005, quando a prefeitura passou a atender das 12h30 às 18h30. A princípio a validade do decreto terminaria em 19 de dezembro, mas foi estendido por meio de um novo decreto, publicado no dia 20 de dezembro, este por tempo indeterminado.
A adoção do turno único, segundo a prefeitura, se fez necessária para reduzir despesas com vale-transporte, água, luz, telefone e outros materiais. No primeiro mês a economia com o meio turno foi de R$ 400 mil, segundo informações da própria prefeitura, que pretendia reduzir as despesas de manutenção em R$ 3 milhões até o fim do ano passado. No entanto, após o primeiro balanço a prefeitura não voltou a informar se houve e qual a economia com a redução do horário de atendimento.

 

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