HOMENAGEM
Com força de vontade, alunos rompem as dificuldades e enfrentam
o banco escolar
Estudantes
pra lá de especiais
“Gosto de aprender e meu pai me traz todos os dias para a aula”.
O depoimento de Rafael Bortolotto, 17, seria normal não fossem
algumas peculiaridades. Para ele, ir para a escola representa vencer desafios,
quebrar paradigmas e romper as dificuldades. Para isso, só muita
força de vontade. Os resultados são a recompensa para comemorar
o Dia do Estudante hoje.
Rafael é deficiente visual, tem atrofia do nervo ótico,
precisa de uma cadeira de rodas para se locomover já que não
tem coordenação motora para andar e escrever. Ele estuda
na 4a série da Escola Municipal Professora Gladis Maria Tibola
e se destaca entre os colegas. “Apesar dos problemas que tem, é
um aluno participativo e tem ótimos conhecimentos gerais”,
observa a coordenadora pedagógica do colégio, Marielva Pizzatto.
A mãe de Rafael, Clecimar Bortolotto, explica que ele gosta de
ir à escola, apesar das dificuldades. “Ele não assiste
a desenho nem a novela, mas telejornal”, observa.
Ela esclarece que a alfabetização do seu filho é
complicada, mas que ele está tentando e que não desiste.
“O Rafael faz fisioterapia todo dia e diz que vai andar um dia”,
revela a mãe. “Existem muitas pessoas que têm tudo
e não dá valor. As pequenas coisas que ele [Rafael] faz
nos deixam muito felizes. Há duas semanas ele conseguiu erguer
a perna sozinho e foi uma vitória”, conta, orgulhosa.
Rafael dispõe de uma professora para ajudá-lo em sala de
aula, já que não consegue escrever. “Ele consegue
se interar na oralidade e eu escrevo para ele”, explica a professora
de apoio permanente, Salete Grazioli.
Sinais de inclusão
Igor de Campos Bussioli, dez anos, tem problemas de audição
e precisa de uma professora intérprete para ajudá-lo a absorver
os conteúdos em sala de aula. Ele estuda na 4a série da
Escola Municipal Professora Gladis Maria Tibola. Por meio de Libras (Língua
Brasileira de Sinais), ele afirma que, com a intérprete, melhorou
muito seu aprendizado.
Para a professora-intérprete Silvia Nara Fagundes Domingues, a
experiência é ótima, já que ela coloca em prática
o que aprendeu no curso de Libras. “É um desafio. Nunca sabemos
tudo. Estamos em constante aprendizado. Ele aprende comigo e eu com ele.
É uma troca”, comenta.
Igor se destaca nos desenhos. “Ele desenha muito bem”, garante
a coordenadora pedagógica do colégio Marielva Pizzatto.
Na escola há diversos alunos com alguma necessidade diferenciada.
Além da classe especial, com seis deficientes, existem uma sala
de condutas típicas, com dois alunos com síndromes que necessitam
do acompanhamento integral do professor, e uma sala de recursos, onde
estão alunos com dificuldades de aprendizagem.
DIREITOS
Curso debate
educação para
deficientes
Os participantes do 3º Curso de Formação de Gestores
e Educadores - Educação Inclusiva: Direito à Diversidade
dedicaram o dia de ontem para discutir os processos educacionais para
pessoas com deficiência visual, com visão reduzida e deficientes
mentais. O evento, promovido pela Secretaria de Educação
de Cascavel e pelo Ministério da Educação, no auditório
do Paço, termina hoje.
O evento está reunindo profissionais de toda a região e
tem por objetivo a melhoria da qualidade do atendimento educacional para
garantir o direito das pessoas com necessidades educacionais especiais.
Hoje, das 8h às 17h, estão previstas as seguintes palestras:
Inclusão de Alunos com Autismo, Condutas Típicas e Outras
Síndromes e Orientações e Marcos Legais Para a Inclusão,
além de apresentação de experiências educacionais
inclusivas.
Enade
A Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) está
conferindo os dados relativos ao Enade (Exame Nacional de Desempenho),
realizado em 6 de novembro de 2005. A instituição teve 17
cursos avaliados cujas notas estão sendo conferidas uma a uma,
para só depois serem incluídas num balanço final.
A universidade estima que os dados finais devem ser encaminhados à
imprensa hoje.
TRANSPORTE
O projeto deveria ter sido apresentado em julho
Contorno Oeste ainda não
está pronto nem no papel
Integrantes da Câmara Setorial dos Transportes se reuniram ontem
para discutir sobre o Plano Viário em relação à
carga e descarga no perímetro central de Cascavel e sobre o projeto
de terminal de transbordo para caminhões. Na reunião era
para ter sido abordado também sobre o Contorno Oeste, mas o engenheiro-chefe
e superintendente regional do DER (Departamento de Estradas e Rodagens),
Milton Podolak, não compareceu.
“Estamos somente com 75% do projeto pronto. Dependemos de dados,
contagens de tráfego e sondagem. Não deixamos o projeto
de lado. Em julho era para ter sido entregue, mas as licitações
de contratação atrasaram. Esperamos que nos próximos
60 dias já esteja pronta a proposta”, explica Milton.
O projeto existe desde 1988, mas foi esquecido e somente no ano passado
foram levantadas novas discussões, tendo de ser refeito, já
que a antiga proposta foi considerada inviável. “O contorno
resolverá o problema de tráfegos de caminhões na
PRT-467 e BR-277. Caminhões de carga pesada poderão cortar
caminho, não precisando passar dentro de Cascavel, evitando grande
tráfego”, analisa Milton.
Ele esclarece que o projeto está sendo bem planejado e que, após
concluído, prefeitura e empresários precisarão conseguir
recursos com o governo federal.
Estacionamento para caminhões
Um pátio de estacionamento para os veículos de carga deve
ser construído ainda este ano. Ontem, na reunião da Câmara
Setorial dos Transportes, o secretário de Planejamento, Luiz Alberto
Círico, apresentou um pré-projeto sobre a construção.
“Com o projeto pronto podemos ir atrás de apoio financeiro”,
garante Círico.
A proposta foi elogiada pelo presidente da Associavel (Associação
dos Caminhoneiros de Cascavel), Geová Pereira.
Com a construção do pátio de caminhões, todos
os veículos de carga que hoje ficam estacionados nas ruas do perímetro
urbano seriam deslocados para um único local. Os benefícios
seriam imediatos.
Segundo o presidente do Sintropar (Sindicato das Empresas de Transportes
de Cargas do Oeste do Estado do Paraná), Oscar Agostinetto, esses
veículos deixariam de trafegar na malha urbana provocando menor
desgaste ao pavimento, “além de não causar tumulto
no trânsito”.
O estacionamento os caminhões permitirá segurança
aos motoristas, que poderiam descansar com a família nos fins de
semana e não mais no interior dos veículos.
Os diretores da Associavel estão em processo adiantado para que
a obra seja feita em uma área de dez alqueires ao lado do Autódromo
Internacional de Cascavel, às margens da BR-277, na saída
para Curitiba. Caso as negociações sejam bem sucedidas é
possível que o pátio seja construído ainda este ano.
Plano Viário
O coordenador da Comissão de Carga Fracionada, Jair Roberto Arendt,
propôs ontem que o horário de carga e descarga na área
central de Cascavel seja livre. Hoje o período do serviço
é das 18h às 10h. “No entanto, às 18h as lojas
já fecharam e das 9h às 10h é impossível realizar
todo o trabalho de carga ou descarga”, observa Jair.
Ele lembra que a proposta é limitar o tamanho dos veículos
e fazer uma melhor sinalização, com locais demarcados. “É
preciso disciplina para que favoreça os transportadores e a comunidade”,
enfatiza.
O secretário de Planejamento, Luiz Alberto Círico, afirma
que Cascavel tem um plano viário bom, mas falta definir ruas e
locais. “Com uma melhor estruturação por meio da comunicação
visual teremos mais segurança, além de economizar tempo
e combustível”, avalia.
SAÚDE
São Lucas pode ser descredenciado
O chefe da 10ª Regional de Saúde, Jorge Trannin, anunciou
ontem que dará 30 dias para o Hospital São Lucas disponibilizar
à população os 50 leitos do SUS (Sistema Único
de Saúde) que possui, caso contrário poderá ser descredenciado
ou perder o atendimento de alta complexidade. “Não quero
descredenciar o hospital, mas o São Lucas tem 50 leitos disponíveis
e está com apenas 13 pacientes internados hoje [ontem]”,
argumenta.
Ele revela que existe uma fila de espera de 5 mil pessoas para serem atendidas
pelo SUS. “A resposta que tenho é de que o hospital não
tem interesse em continuar no sistema. Eles também podem reduzir
o número de leitos, o que implicaria em perder o atendimento de
alta complexidade, porque é necessário ter no mínimo
50 leitos credenciados e disponibilizar 60% disso para baixa e média
complexidade para garantir a alta complexidade”, explica.
De acordo com Trannin, o São Lucas está descumprindo a lei
e o MP (Ministério Público) cobra uma solução
da 10ª Regional. “O hospital informou que não colocará
os 50 leitos em funcionamento, então a tendência é
diminuir ou descredenciar”, afiança.
O diretor do Hospital São Lucas, Luiz Tozo, não quis comentar
o assunto.
Tudo igual
Apesar do risco de reduzir a quantidade de leitos do SUS no Hospital São
Lucas, o chefe da 10ª Regional de Saúde, Jorge Trannin, garante
que não afetará o atendimento à população.
“Vamos abrir mais 20 leitos no Hospital Santa Catarina, que deve
suprir essa demanda, já que, na prática, o São Lucas
ocupa de 15 a 20 leitos por dia”, explica.
Trannin comenta que falta apenas uma vistoria da Vigilância Sanitária
para liberar novos leitos no Santa Catarina.
O proprietário do hospital, Mauro Fujiwara, afirma que a volta
do atendimento à população pelo SUS ocorrerá
de forma gradativa, porque o corpo médico não está
completo. Os profissionais estariam inseguros quanto às garantias
de receber pelo serviço prestado, uma vez que o hospital passou
por três administrações nos últimos três
meses.
ESTIAGEM
Cerca de 20 mil famílias moradoras do Distrito de Juvinópolis
e alunos da Escola Municipal Thomaz Antonio Gonzaga, do Distrito de Jangada
Taborda, em Cascavel, receberam ontem caminhões-pipa. O abastecimento
de água foi feito por equipes da Secretaria de Meio Ambiente para
amenizar a estiagem. Há cerca de dois meses o trabalho vem sendo
realizado. A previsão é de que hoje os caminhões
retornem à região de Jangada Taborda.
Moradores do Jardim Esmeralda, próximo ao Estádio Olímpico
de Cascavel, protestaram ontem de manhã contra a demora na pavimentação
de algumas ruas do bairro. Os manifestantes pararam as máquinas
da prefeitura que faziam o asfaltamento das ruas de um lote baldio. Os
moradores reclamam que há vários trechos em que os serviços
já deveriam ter sido executados.
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