Edição nº 4656 - Segunda-feira, 11 de junho de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
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CÂMBIO – Economistas acreditam que efeito será curto e sem efeito positivo

Medida do BC e paliativa e tardia

Alguns economistas acreditam que as medidas adotadas pelo BC (Banco Central) com o objetivo de frear a valorização do real, terá efeito momentâneo nos movimentos especulativos de compra e venda de dólares, mas não aumentará o valor do dólar. O BC publicou três circulares que restringem à atuação dos bancos nas operações com moeda estrangeira, com o objetivo de reduzir a pressão sobre o câmbio.
"São paliativos que chegam tardiamente", comentou o professor de economia da UnB (Universidade de Brasília), Décio Munhoz. "É como você querer curar com um AAS uma doença que já se agravou. O governo deixou, por omissão, chegar num ponto que não poderia jamais". Para Munhoz, as circulares têm o mérito de restringirem o poder de pressão dos "especuladores" sobre a taxa de câmbio. O professor da unicamp (Universidade de Campinas), Luiz Gonzaga Belluzzo, também considera a medida boa, mas insuficiente.
"Com as medidas, o governo está tornando os bancos agentes menores no mercado de câmbio. Ou seja, o impacto dessas operações meramente especulativas feitas pelos bancos, será reduzido", avalia Munhoz. Ele comenta que quando o banco age como especulador não compra dólar porque um cliente vai importar e precisa da moeda estrangeira e também não vende dólar porque um dos seus clientes exportou. "Ele (o banco) está fazendo mera arbitragem. E com isso, eles conseguem influenciar a taxa de câmbio, ou comprando ou vendendo dólar. As medidas do governo tornam esses agentes menos importantes".
Entretanto, Munhoz está entre aqueles que defendem que o governo regulamente a entrada de capitais de curto prazo e volte a taxa o capital estrangeiro com o imposto de renda. "Como entender esses estímulos para ingressos de dólares, se tem dólar sobrando no país?".
Munhoz acha muito difícil que o governo consiga conter a valorização do real sem uma intervenção mais incisiva. "O governo foi muito omisso durante todo esse período de desvalorização. Demoramos tanto que temo que possivelmente tenhamos de trabalhar com o câmbio administrado, como fizemos no passado". Hoje, o regime de câmbio no Brasil é flutuante, ou seja, varia de acordo com os movimentos de mercado.

GUARDIÃO
Programa leva pânico ao poder

As últimas operações da Polícia Federal (Hurricane, Navalha e Xeque-Mate), com a prisão de mais de 200 pessoas flagradas em conversas telefônicas comprometedoras , entre políticos, empresários, advogados, policiais e até juízes, instalaram o pânico nos altos círculos do poder. Por trás da síndrome está um “personagem” que não fala e não vê, mas ouve como ninguém: o Guardião, sofisticado programa de computador capaz de interceptar 400 ligações telefônicas simultâneas, cruzar dados e produzir informação segura para ajudar a desmantelar as redes criminosas.
Por causa do Guardião, o uso do telefone virou paranóia. Setores mais incomodados com a invasão legalmente autorizada, além de adotarem mudanças nos meios de comunicação pessoal, começaram a reagir. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) abriu uma rodada de negociações com a Polícia Federal e o Ministério Público para, dizem, evitar que o Brasil se torne um Estado policial.
No Congresso, o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) apresentou projeto determinando que aparelhos de escuta policial sejam submetidos a auditorias periódicas. “Não podemos permitir que o Brasil vire a república do grampo”, justificou.
A reunião da OAB com a PF foi a primeira de uma série, na tentativa de impedir, sem prejuízo da investigação policial, violações de direitos legais dos advogados em relação a seus clientes, entre os quais o sigilo das comunicações.
“Nossa preocupação é fazer com que as operações se processem dentro dos limites da legalidade”, disse o presidente da Ordem, Cezar Britto. No caso de Otávio Leite, a preocupação é assegurar que só sejam grampeadas linhas autorizadas expressamente pela Justiça, com punição criminal e disciplinar para policiais que fizerem grampos clandestinos.

BOXX
O programa

Instalado no quinto andar do edifício-sede da PF, em Brasília, o Guardião está em funcionamento desde 2002. Ao contrário do que alguns suspeitam, o programa não tem o poder de grampear aleatoriamente as linhas telefônicas.
Ele só é acionado mediante um sinal enviado pela companhia telefônica, com o “desvio” das chamadas para o número interceptado. A captura, por sua vez, só pode ser feita com autorização judicial, geradora da ordem para a companhia operar o desvio - fornecendo assim ao Guardião os áudios dos diálogos grampeados.
As interceptações clandestinas, operadas por detetives particulares, por exemplo, são feitas por meio de maletas equipadas com receptores e só ocorrem a curta ou média distância, dependendo da potência dos equipamentos.
O Guardião elevou a performance investigativa da PF e tornou-se o xodó da Diretoria de Inteligência Policial, que o opera com um batalhão de peritos e agentes.
Inteiramente desenvolvido no País, o equipamento integra a renovação da matriz tecnológica da PF, mas está superado.


Enfarte
Morreu sábado em Piracicaba, interior paulista, o empresário Abel Pereira, acusado de participar da máfia dos sanguessugas. Seu advogado, que o acompanha há mais de 20 anos, Sérgio Luiz Pannunzio, disse que Abel estava com depressão em razão das acusações. "Não havia nenhuma prova contra ele, tanto que não foi aperto inquérito e não foi apresentada denúncia, mas isso a imprensa não noticiou", afirmou o advogado. O empresário sofreu um enfarte 30 minutos depois de começar uma partida de futebol. Segundo Pannunzio, Abel tinha boa saúde e tinha realizado exames no Incor há pouco tempo, mas não foi constatado nenhum problema mais grave. Na avaliação do advogado, o empresário andava muito triste e preocupado com os efeitos da acusação sobre seus três filhos. Abel Pereira foi acusado por Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam, empresa que teria coordenado a máfia das sanguessugas, de receber propina pela liberação de recursos no Ministério da Saúde em favor da Planam na gestão do ex-ministro Barjas Negri, no governo Fernando Henrique Cardoso.

FOTOLEGENDA:
A 11ª Parada do Orgulho GLBT de São Paulo transformou a Avenida Paulista e ruas próximas em verdadeiras pistas de dança para um público estimado em mais de 3 milhões de pessoas. Na tarde de ontem, os organizadores do evento elevaram a estimativa de público que antes era de 3,3 milhões para 3,5 milhões.
Os 23 trios elétricos que compõem a parada tocaram em volume alto batidas eletrônicas e hits de bandas como Erasure, Pet Shop Boys e New Order. Sucessos de Xuxa e do Balão Mágico provocaram euforia em milhares de participantes na passagem do trio elétrico Trash 80's, que relembra sucessos dos anos 80.

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