| CÂMBIO – Economistas acreditam que efeito
será curto e sem efeito positivo
Medida do BC e paliativa e tardia
Alguns economistas acreditam que as medidas adotadas pelo BC (Banco Central)
com o objetivo de frear a valorização do real, terá
efeito momentâneo nos movimentos especulativos de compra e venda
de dólares, mas não aumentará o valor do dólar.
O BC publicou três circulares que restringem à atuação
dos bancos nas operações com moeda estrangeira, com o objetivo
de reduzir a pressão sobre o câmbio.
"São paliativos que chegam tardiamente", comentou o professor
de economia da UnB (Universidade de Brasília), Décio Munhoz.
"É como você querer curar com um AAS uma doença
que já se agravou. O governo deixou, por omissão, chegar
num ponto que não poderia jamais". Para Munhoz, as circulares
têm o mérito de restringirem o poder de pressão dos
"especuladores" sobre a taxa de câmbio. O professor da
unicamp (Universidade de Campinas), Luiz Gonzaga Belluzzo, também
considera a medida boa, mas insuficiente.
"Com as medidas, o governo está tornando os bancos agentes
menores no mercado de câmbio. Ou seja, o impacto dessas operações
meramente especulativas feitas pelos bancos, será reduzido",
avalia Munhoz. Ele comenta que quando o banco age como especulador não
compra dólar porque um cliente vai importar e precisa da moeda
estrangeira e também não vende dólar porque um dos
seus clientes exportou. "Ele (o banco) está fazendo mera arbitragem.
E com isso, eles conseguem influenciar a taxa de câmbio, ou comprando
ou vendendo dólar. As medidas do governo tornam esses agentes menos
importantes".
Entretanto, Munhoz está entre aqueles que defendem que o governo
regulamente a entrada de capitais de curto prazo e volte a taxa o capital
estrangeiro com o imposto de renda. "Como entender esses estímulos
para ingressos de dólares, se tem dólar sobrando no país?".
Munhoz acha muito difícil que o governo consiga conter a valorização
do real sem uma intervenção mais incisiva. "O governo
foi muito omisso durante todo esse período de desvalorização.
Demoramos tanto que temo que possivelmente tenhamos de trabalhar com o
câmbio administrado, como fizemos no passado". Hoje, o regime
de câmbio no Brasil é flutuante, ou seja, varia de acordo
com os movimentos de mercado.
GUARDIÃO
Programa leva pânico ao poder
As últimas operações da Polícia Federal (Hurricane,
Navalha e Xeque-Mate), com a prisão de mais de 200 pessoas flagradas
em conversas telefônicas comprometedoras , entre políticos,
empresários, advogados, policiais e até juízes, instalaram
o pânico nos altos círculos do poder. Por trás da
síndrome está um “personagem” que não
fala e não vê, mas ouve como ninguém: o Guardião,
sofisticado programa de computador capaz de interceptar 400 ligações
telefônicas simultâneas, cruzar dados e produzir informação
segura para ajudar a desmantelar as redes criminosas.
Por causa do Guardião, o uso do telefone virou paranóia.
Setores mais incomodados com a invasão legalmente autorizada, além
de adotarem mudanças nos meios de comunicação pessoal,
começaram a reagir. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) abriu
uma rodada de negociações com a Polícia Federal e
o Ministério Público para, dizem, evitar que o Brasil se
torne um Estado policial.
No Congresso, o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) apresentou projeto
determinando que aparelhos de escuta policial sejam submetidos a auditorias
periódicas. “Não podemos permitir que o Brasil vire
a república do grampo”, justificou.
A reunião da OAB com a PF foi a primeira de uma série, na
tentativa de impedir, sem prejuízo da investigação
policial, violações de direitos legais dos advogados em
relação a seus clientes, entre os quais o sigilo das comunicações.
“Nossa preocupação é fazer com que as operações
se processem dentro dos limites da legalidade”, disse o presidente
da Ordem, Cezar Britto. No caso de Otávio Leite, a preocupação
é assegurar que só sejam grampeadas linhas autorizadas expressamente
pela Justiça, com punição criminal e disciplinar
para policiais que fizerem grampos clandestinos.
BOXX
O programa
Instalado no quinto andar do edifício-sede da PF, em Brasília,
o Guardião está em funcionamento desde 2002. Ao contrário
do que alguns suspeitam, o programa não tem o poder de grampear
aleatoriamente as linhas telefônicas.
Ele só é acionado mediante um sinal enviado pela companhia
telefônica, com o “desvio” das chamadas para o número
interceptado. A captura, por sua vez, só pode ser feita com autorização
judicial, geradora da ordem para a companhia operar o desvio - fornecendo
assim ao Guardião os áudios dos diálogos grampeados.
As interceptações clandestinas, operadas por detetives particulares,
por exemplo, são feitas por meio de maletas equipadas com receptores
e só ocorrem a curta ou média distância, dependendo
da potência dos equipamentos.
O Guardião elevou a performance investigativa da PF e tornou-se
o xodó da Diretoria de Inteligência Policial, que o opera
com um batalhão de peritos e agentes.
Inteiramente desenvolvido no País, o equipamento integra a renovação
da matriz tecnológica da PF, mas está superado.
Enfarte
Morreu sábado em Piracicaba, interior paulista, o empresário
Abel Pereira, acusado de participar da máfia dos sanguessugas.
Seu advogado, que o acompanha há mais de 20 anos, Sérgio
Luiz Pannunzio, disse que Abel estava com depressão em razão
das acusações. "Não havia nenhuma prova contra
ele, tanto que não foi aperto inquérito e não foi
apresentada denúncia, mas isso a imprensa não noticiou",
afirmou o advogado. O empresário sofreu um enfarte 30 minutos depois
de começar uma partida de futebol. Segundo Pannunzio, Abel tinha
boa saúde e tinha realizado exames no Incor há pouco tempo,
mas não foi constatado nenhum problema mais grave. Na avaliação
do advogado, o empresário andava muito triste e preocupado com
os efeitos da acusação sobre seus três filhos. Abel
Pereira foi acusado por Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam, empresa
que teria coordenado a máfia das sanguessugas, de receber propina
pela liberação de recursos no Ministério da Saúde
em favor da Planam na gestão do ex-ministro Barjas Negri, no governo
Fernando Henrique Cardoso.
FOTOLEGENDA:
A 11ª Parada do Orgulho GLBT de São Paulo transformou a Avenida
Paulista e ruas próximas em verdadeiras pistas de dança
para um público estimado em mais de 3 milhões de pessoas.
Na tarde de ontem, os organizadores do evento elevaram a estimativa de
público que antes era de 3,3 milhões para 3,5 milhões.
Os 23 trios elétricos que compõem a parada tocaram em volume
alto batidas eletrônicas e hits de bandas como Erasure, Pet Shop
Boys e New Order. Sucessos de Xuxa e do Balão Mágico provocaram
euforia em milhares de participantes na passagem do trio elétrico
Trash 80's, que relembra sucessos dos anos 80.
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