Edição nº 4930 - terça-feira, 11 de março de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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O tempo na gestão educacional

Wanda Camargo é presidente da Comissão Central de Processo Seletivo da UniBrasil-Curitiba - enfoque@onda.com.br

Em qualquer tipo de empresa, administração do tempo é importante, pois produtividade e eficácia organizacional dependem estritamente deste fator.
Quando a empresa é da área educacional, esse é um tópico decisivo e delicado, pelas características intrínsecas de um ramo de atividade em que o tempo para escrever, refletir e planejar é diferencial competitivo.
Em administração do tempo é fundamental o estabelecimento de metas. Determinar onde se quer chegar é primordial para orientar decisões. Pessoas podem produzir mais, com menos esforço, através do que se denomina nas teorias administrativas de “trabalho inteligente”. Os resultados das primeiras análises constam em vários manuais de administração e envolvem aspectos como a postergação de decisões; produção intensiva de documentos desnecessários; períodos refazendo atividades erroneamente realizadas; e, principalmente, ausência absoluta de tempo para pensar e planejar, com conseqüente escravização à rotina.
O uso do tempo como diferencial competitivo constitui uma tendência clara, usá-lo como instrumento não apenas de produção de um bem concreto, mas também de melhoria da qualidade de vida, é fundamental. Numa área de intensa produção intelectual como a da educação, o planejamento do “ócio criativo”, diminuição do estresse e a obtenção de maior satisfação pessoal são componentes essenciais para o mérito acadêmico, sem o qual essa atividade resulta vazia de sentido.
Historicamente, no entanto, o "ócio criativo" confundiu-se com o puro ócio, improdutividade e mau uso do erário. Muitas vezes, inclusive, no exercício de uma postura pretensamente ideológica, isenta de princípios éticos que ultrapassem o mero discurso, plena de atitudes reclamatórias de direitos, sem deveres.
Como administrar o tempo do acadêmico? Gastar mais tempo produzindo indicadores sobre o trabalho que propriamente trabalhando é contra-senso e disparate. Indicadores devem ser produzidos sobre fatos, e fatos devem acontecer para o encaminhamento do cumprimento de uma missão, para atingir metas.
Existe um tempo de gerar indicadores, mas também um tempo de preparar o futuro. É fundamental que o professor pense, reflita e crie para que a instituição de ensino cumpra sua função.
Um dos grandes desafios da gestão educacional é a administração de instituições, em que, caracteristicamente, são difusas as fronteiras entre os cargos operacionais e estratégicos, e em que, portanto, a delimitação do tempo destinado às atividades de reflexão ou de ação não está claramente estabelecida.
O tempo deve ser realisticamente programado para que as tarefas certas realmente sejam feitas, pois nem sempre o urgente é importante. Urgente necessita atenção imediata. Importante está vinculado aos objetivos reais a serem atingidos.
Nada é mais importante, na educação, que o conjunto que engloba o mérito acadêmico, a projeção educacional e o respeito dos pares, a escolha entre as várias metodologias disponíveis para atingir a perfeita aprendizagem, a adequada gestão das pessoas que compõem um bom corpo docente e um criativo e vivaz corpo discente.
Assuntos importantes, vinculados aos objetivos, deverão sempre ter prioridade sobre assuntos meramente urgentes, vinculados ao tempo, sob pena da perda da missão da instituição de ensino, perda de seus valores e não cumprimento de sua destinação.
O Princípio de Pareto postula que, dado um número qualquer de itens, um pequeno número destes é sempre mais importante que o restante. Esta é uma prescrição de discriminação, que propõe dedicar mais atenção aos itens importantes e menos atenção aos itens de menor importância, mesmo que urgentes.
A incapacidade de distingui-los, quando a empresa produz bens que mudam de cor quando se passa tinta sobre eles, é punida pela regulação do mercado. Naquelas que produzem bem impalpável, como é o caso da educação, também se pagará caro. Lamentavelmente, por muito mais tempo.

Reminiscências inflacionárias

Luiz Leitão é articulista - luizmleitao@gmail.com

A celebrada estréia do Brasil no seleto grupo dos países credores do sistema financeiro internacional traz à lembrança a cantilena dos que eram contra a política econômica do atual governo e do que o precedeu, e os tempos inglórios em que a inflação cavalgava sobretudo o lombo dos mais pobres, que não tinham como dela se defender.
O presidente Lula costumava dizer: “O que tem de gente torcendo contra não é brincadeira”, embora não reclamasse, por conveniência ou por cortesia, do fogo amigo despejado pelo vice-presidente José de Alencar, que até outro dia não perdia uma oportunidade de criticar as taxas de juros.
Também integraram o time dos sabotadores verbais da política econômica o seu então ministro das Relações Institucionais Tarso Genro, que chegou a anunciar o “fim da era Palocci”, e a chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, a aplicada adversária da política de ajuste fiscal que vivia se engalfinhando com o então ministro da Fazenda Antonio Palocci. O governador de São Paulo, José Serra, empresários, sindicalistas; longa é a lista dos que reprovavam a conduta do Banco Central, ora reclamando dos juros, ora queixando-se da valorização do real em relação ao dólar. Mas a derrota é órfã, e hoje ninguém mais se lembra do que dissera.
O resultado que hoje se saboreia é fruto da redemocratização do País, da alternância no poder e da observância de duras lições passadas, e suscita um retrospecto do período em que o Brasil viveu o pesadelo da hiperinflação que ilustra com perfeição o valor do arejamento de idéias que a democracia torna possível; um antídoto contra os argumentos dos teimosos desenvolvimentistas que não se cansam de apregoar as falsas virtudes do inchaço da máquina estatal.
Ao término do Governo Sarney, de longe o pior da história do Brasil no que diz respeito à condução da economia, durante o qual, apesar da criação de duas moedas, cruzado e cruzado novo, e do corte de seis zeros da moeda - três de cada vez -, a inflação atingiu inacreditáveis 84,32% ao mês. Passando por um empréstimo compulsório até hoje não restituído, a calamitosa condução da política econômica pelo oligarca maranhense culminou na declaração da moratória da dívida externa brasileira.
Não fosse o impeachment, em agosto de 1992, seu sucessor talvez lhe tivesse arrebatado o inglorioso troféu. Fernando Collor assumiu, confiscou todos os depósitos em dinheiro de empresas e pessoas - era permitido sacar apenas 50 cruzeiros - e desbastou mais três zeros da moeda, recriando o cruzeiro. No Governo Itamar Franco, com a inflação ascendendo a estrondosos 2.708% ao ano (os preços subiam 26,7 vezes no período), outra moeda, o cruzeiro real, foi criada, com o corte de mais três zeros. Em maio de 1994, ainda sob Itamar Franco e debaixo das vaias da oposição, foi finalmente instituído o real, que chegou a valer mais que o dólar.
Para a geração que viveu a época em que linhas telefônicas e automóveis eram considerados investimentos financeiros e a “profissão” de doleiro era prestigiada, que assistia à remarcação diária dos preços e, tolamente, ostentando crachás de “fiscais do Sarney”, acreditou que a inflação poderia ser domada por um decreto congelando os preços, a estabilidade econômica não tem preço.
Embalado pelo júbilo, Lula disse, durante visita à Argentina: “Temos, todos os países, que começar a nos endividar. Não para gastar dinheiro à toa, mas para gastar com a infra-estrutura.”
Esqueceu-se o presidente que a dívida interna pública brasileira atingiu a escandalosa cifra de R$ 1,2 trilhão. Aliás, quem proferiu aquelas palavras nem parece a mesma pessoa que há um mês e pouco falava em cortar despesas por conta da perda da CPMF.

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