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Trânsito e criminalidade são os vilões da estatística do Siate

Violência é a principal
razão da falta de leitos

Estatística dos atendimentos feitos pelo Siate (Serviço Intensivo de Atendimentos a Traumas e Emergências) em Cascavel aponta as vítimas da violência no trânsito e de atos criminosos como os maiores responsáveis pela ocupação de leitos do SUS (Sistema Único de Saúde) nos hospitais da cidade.
De acordo com os dados, o número de leitos disponíveis seria suficiente para atender toda a demanda de pacientes internados por motivos não-violentos, desafogando a fila de espera por cirurgia eletiva ou vagas em hospitais, se não fosse a demanda de leitos por razões violentas, como acidentes de trânsito e a criminalidade, que chega a uma média de 345 internamentos por mês, de janeiro a agosto deste ano. O número corresponde a 15% do total de internamentos, que é, em média, de 2,3 mil por mês.
Segundo o chefe da 10ª Regional da Saúde, Jorge Trannin, existem apenas 277 leitos disponíveis, dos 344 conveniados pelo SUS. “Não adianta aumentar os recursos, porque isso é um saco sem fundo. A estatística comprova que uma simples medida de trânsito resolveria boa parte dos problemas de falta de leitos em hospitais, além de reduzir o custo da Previdência Social”, afirma.
Conforme Trannin, os dados do Siate revelam que “saúde não é só colocar médicos nos postos nem aumentar leitos”. “Se não existir uma política de segurança, transporte, emprego, os problemas de saúde das pessoas não serão resolvidos. Tudo afeta a saúde. Mas se continuarem transformando esta discussão em política não chegaremos a lugar algum. Temos que parar de envolver política na saúde. O negócio é fazer medicina preventiva e não abrir leitos”, avalia.

 

TABELA
Leitos do SUS em Cascavel

Hospital                                Cadastrados       Disponíveis

Santa Catarina                        42                       0       

São Lucas                              50                       25     

Policlínica                              4                         4 UTI neonatal

Hospital Universitário             187                     187   

N. Sra. Salete                         61                       61     

Total                                     344                    277

Fonte: 10ª Regional de Saúde

 

Encaminhamento de leitos do SUS pelo Siate
Janeiro a agosto de 2006 em Cascavel

Tipo de Ocorrência                                       Internamentos

Acidentes de trânsito                                     2.347
Agressão, lesão, arma branca, arma de fogo                   415
Outros motivos                                                               422
TOTAL                                                        3.184

Fonte: Siate Cascavel

 

PUNIÇÃO
Radares seriam a solução
O presidente da Cettrans (Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito), William Fischer, reconhece que a solução de grande parte do problema para a falta de leitos do SUS está em uma ação para diminuir a violência no trânsito. “Quando estive em São Paulo, os técnicos da companhia de engenharia de tráfego do Município disseram que houve uma queda de 7% na ocupação dos leitos em hospitais próximos ao Rio Tietê por causa da fiscalização por radares”, explica.
Ele acredita que a instalação de equipamentos para punir os motoristas que abusam da velocidade e descumprem as leis de trânsito é parte de uma solução paliativa de curto prazo, mas defende ações integradas para solucionar o problema em médio e longo prazos. “Primeiro teremos de mexer no bolso do motorista, com aumento do número de agentes de trânsito e a fiscalização por radares. Depois é necessário ampliar os projetos de conscientização e educação no trânsito”, revela.
De acordo com Fischer, também é necessário um plano viário para a cidade, que contemple vias alternativas com mais segurança para o fluxo de veículos e sinalização mais eficiente. “A relação entre a consciência do motorista e a estrutura viária de trânsito é muito tênue. A maioria dos nossos acidentes é em cruzamentos com semáforo, por isso acredito que a mudança é uma questão de conscientização”, conclui.

 

FAMÍLIA ACOLHEDORA

Autoridades apóiam a ampliação do projeto em Cascavel

Programa é solução para
menores em risco social

O Programa de Guarda Subsidiada, chamado em Cascavel de Família Acolhedora, valoriza o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar e prevê o atendimento especializado às famílias de origem, das quais os menores em situação de risco foram retirados, para que, posteriormente, possam ser reintegrados ao lar ou encaminhados a uma família adotiva. A regulamentação da proposta está sendo estudada pelo Município, que já chegou a protocolar um projeto na Câmara, mas o retirou para adequações.
Este programa tem sido a solução mais aceita pelas autoridades que atuam na área da infância e juventude no Município, sendo elogiado e incentivado pelo Judiciário, conselheiras tutelares, Secretaria de Ação Social e CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente).
A promotora de Justiça da Vara da Infância e Juventude de Cascavel, Simone Lúcia Lorens, entende que o programa oferece ao menor a dinâmica de qualquer outro lar. “Queremos preservar esse tipo de ambiente no cotidiano do adolescente e o melhor que encontramos foi o programa Família Acolhedora. A maioria dos menores está estudando e inserida em projetos de contraturno escolar. Até agora só tivemos resultados positivos”, salienta, referindo-se aos jovens já incluídos.
O juiz da Vara da Infância e Juventude de Cascavel, Sérgio Kreuz, diz que “a idéia do projeto é altamente positiva”, principalmente para crianças que não vão para adoção. “Pelo menos, elas crescem em um ambiente familiar e saudável”, ressalta.
A presidente do CMDCA, Edi Maria Volpin, considera o programa excelente. “Dá alento e garantia para que a criança se desenvolva dentro do um grupo familiar, aprendendo princípios e valores”, ressalta.

 

MAIS VERBA
Conselho Tutelar defende
a ampliação de recursos

As conselheiras tutelares Maria Helena Salvati e Karen Richardi consideram o programa muito bom, mas acreditam que a verba prevista para o Família Acolhedora deveria ser ampliada. “Falta um incentivo financeiro para facilitar a entrada de mais pessoas, porque, muitas vezes, o grupo familiar é reprovado devido à sua casa pequena, que não comportaria mais um membro”, explicam.
Elas defendem a inclusão de recursos para investir nas moradias, além da verba que existe para promover a qualidade de vida dos menores.
De acordo com a secretária de Ação Social, Dione Kniphoff, Cascavel já tem oito famílias acolhedoras, que recebem R$ 250 por criança acolhida. “A intenção é conseguir mais 20 famílias”, afirma, lembrando que está sendo preparado um anteprojeto de lei para regulamentar o programa.


RECURSOS
Comunidade pode ajudar

De acordo com a secretária de Ação Social, Dione Kniphoff, o Estado, por meio do FIA (Fundo para Infância e Adolescência), investirá R$ 120 mil e o Município entrará com uma contrapartida de R$ 24 mil para sustentar o programa Família Acolhedora por um ano. As verbas já foram aprovadas pela Câmara de Vereadores, que garantiu a dotação orçamentária. Os recursos seriam suficientes para bancar 48 jovens.
A comunidade pode ser parceira, participando do FIA, que é composto pela destinação de até 6% do Imposto de Renda de pessoas físicas e de até 1% de empresas. Os doadores podem obter uma certificação de que colaborou com o Fundo e abater o valor na declaração do imposto.

Triagem
Mesmo sem a exigência de uma renda mínima das famílias para entrar no programa Guarda Subsidiada, a secretária Dione Kniphoff garante que não existe o risco de uma família utilizá-lo somente para aumentar sua renda. “Temos uma equipe trabalhando na triagem dessas pessoas para garantir que as crianças e adolescentes tenham um verdadeiro ambiente familiar”, enfatiza.
A secretária de Ação Social ressalta que o objetivo do programa é cuidar das crianças e adolescentes e não tirá-los da família, mas, se o afastamento for necessário, em vez de abrigá-los em instituições, o programa permite o acolhimento por outras famílias, previamente cadastradas e treinadas para substituir temporariamente a família em crise. “Não podemos classificar o programa como bom ou ruim, mas como uma alternativa que temos e uma política necessária para o bem-estar dessas crianças e adolescentes”, frisa.

As pessoas interessadas em participar do Programa Família Acolhedora devem procurar a Secretaria de Ação Social e fazer a inscrição. O tempo máximo de acolhimento dos menores é de um ano, podendo ser prorrogado por decisão judicial. A família poderá ter no máximo três menores, a não ser que se trate de um grupo de irmãos, no qual esse número seja maior.


MUDANÇAS
Menor pode
ficar confuso
A psicóloga Vanderléa Pereira alerta para possíveis conflitos pessoais das crianças que vivem em famílias acolhedoras e depois voltam para o seu lar de origem ou vão para uma família definitiva. “A família acolhedora é o ideal como referência, mas provavelmente essa criança ou adolescente terá os seus conflitos. A repercussão dessas mudanças dependerá da forma como essa pessoa está estruturada psicologicamente. Ela pode repercutir de uma forma ruim ou se fortalecer para enfrentar novas situações. Seria prematuro afirmar o que acontecerá”, salienta.
Ela ressalta que a família acolhedora pode estruturar uma criança para compreender melhor sua origem, quando ela voltar para o antigo lar.


MÃE SOCIAL
Dedicação às crianças
A reportagem do Hoje conversou com duas mães sociais, Araci Bier, que está no programa há seis anos, e Ivone Pavoski Matos, participante há três anos. “Meus filhos são adultos, por isso me dediquei somente a elas [crianças do programa]. Nos primeiros meses a convivência foi um pouco difícil, porque eles tinham muitos problemas, mas hoje são meu orgulho”, afirma Araci, que cuida de um menino de 16 anos e de sua irmã de 12, há seis anos. “Sinto-me realizada porque acredito que eles estão preparados para enfrentar a sociedade sem problemas”, garante.
Para Ivone Matos, que já teve oito crianças abrigadas, sempre existe uma troca nesta relação. “De uma forma ou de outra a gente recebe muito deles. Ganhamos experiência aprendendo a conviver com essas crianças”, enfatiza.
Ela está com uma adolescente de 14 anos que faz parte do programa há apenas três meses, mas já ensinou crochê, tricô, pintura e a fazer cartões decorados. “Ainda estamos nos conhecendo, mas nos dando muito bem”, afirma.   

BAIRRO CATARATAS
Comunidade denuncia a falta de manutenção no asfalto

Moradores, empresários e trabalhadores próximos à Rua Francisco Inácio Fernandes, no Bairro Cataratas, região leste de Cascavel, reclamam da falta de manutenção no local. O mecânico Salomão de Souza, da Mecânica Salomão, conta que a via está intransitável. “São muitos buracos. A prefeitura nunca deu assistência. O prefeito [Lísias Tomé] veio aqui quando estava fazendo campanha e disse que arrumaria. Criticou os prefeitos anteriores que não arrumaram o local, mas também não fez nada”, indigna-se Salomão.
O mecânico Nei Oliveira, da Hidraufreios, diz que a situação está assim há mais de cinco anos. “Fica complicado. Quando chove então é pior, já que quem está dirigindo não enxerga os buracos”, revela.
O auxiliar administrativo Evaldo Klein, da Radiadores Fórmula 1, também se queixa: “Esqueceram do bairro [Cataratas]. Deveriam olhar mais, já que aqui é um local industrial. Ao invés de fazerem praças, como a Itália, por exemplo, deveriam arrumar o asfalto”.
O secretário de Obras, Fernando Dillenburg, afirma que a secretaria arrumou as ruas do Bairro Cataratas há 60 dias. “Daqui a uns quatro meses voltaremos lá. Temos equipe de patrolamento que vai aos bairros”, explica Dillenburg.
Ele esclarece que o problema de algumas ruas é porque as pessoas as usam como pátio de caminhões. “Há ruas que são feitas para locais com residências, mas muitos usam como pátio de oficina. É a mesma coisa que comprar um carro Omega e transportar ração. Não sei se é o caso dessa rua, mas, se criassem muros, definindo onde é o pátio da propriedade deles, estariam usando de forma adequada. De qualquer maneira, se nos ligarem, veremos a situação”, garante Dillenburg.

FOTOPERSONAGEM:

“A prefeitura nunca deu assistência”
Salomão de Souza, mecânico

 

Carros de divulgação de festas atrapalham alunos e professores

Universidades sofrem com poluição sonora

Acadêmicos da Unipar (Universidade Paranaense) reclamam do som alto em volta da faculdade no horário da aula. “Nas quintas e sextas-feiras é impossível assistir à aula. Já ligamos para a polícia e para a Cettrans [Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito] e não foi tomada providência alguma. Os carros de divulgação de festas e outros eventos tornam o ambiente impossível. Barzinhos em volta da universidade também abusam do som”, conta indignada a aluna Suzana Ferreira.
A diretora da Unipar, Débora Venturin, afirma que já entrou em contato com estabelecimentos vizinhos para que não façam barulho nos horários de aula. “O problema são os carros de divulgação de festas. Os estabelecimentos, pelo menos, se dispuseram a ajudar”, explica Débora.
A sócia-proprietária da UniBar, Rose Biolchi, diz que há som no estabelecimento em algumas noites, mas à noite abaixa o volume. “Colocamos em som ambiente. Nunca ninguém reclamou”, declara Rose.
Em outras faculdades também existe o problema. A acadêmica Taíse Galdino, da Univel (União de Ensino de Cascavel), conta que o som alto tem atrapalhado. “A falta de respeito com quem está na sala de aula é absurda”, lamenta Taíse.

FOTOPERSONAGENS:

“Colocamos em som ambiente”
Rose Biolchi, da UniBar

 

Fiscalização

O fiscal da Secretaria do Meio Ambiente de Cascavel Vanderlei Inácio Marques explica que a lei protege todo cidadão em qualquer local, principalmente quando se trata de uma instituição de ensino. “Escolas devem ser respeitadas e o som deve ter 200 metros de distância. Prevalece a lei do silêncio. Não são constantes as reclamações. Como a maioria é carro de divulgação e não em local fixo, fica complicado fiscalizar”, observa Vanderlei.
Ele lembra que chegando reclamação a secretaria verifica com apoio da Polícia Militar para coibir abusos.
Segundo a Lei 2.530 de 1995, do artigo 3º, inciso 3º, o som máximo permitido durante o dia é de 52 decibéis e de 45 à noite.
O sargento Jerônimo dos Santos Carlos, da Polícia Militar, diz que há muita reclamação em relação à poluição sonora, mas de residências. “A freqüência de reclamação em relação às universidades é pouca”, salienta.
A Cettrans explicou que resolve somente questões de trânsito e não de poluição sonora.

 

Campanha

Os carros de som para divulgação de candidatos também devem passar a 200 metros de distância de escolas, assim como de hospitais, Poder Executivo, casas de saúde, biblioteca pública, igrejas, teatro, entre outros estabelecimentos. É permitido o som das 8h às 24h, segundo a Lei 9.504, artigo 39º, parágrafo 4, com a nova redação dada pela Lei 11.300, de 2006.
A chefe de cartório da 143a Zona Eleitoral, Maura Arbilhato da Silva, conta que não houve reclamação por abuso sonoro das propagandas de candidatos.

 

ESTRUTURA

Para conseguir os recursos necessários, obras e serviços foram deixados de lado

Bombeiros vão refazer quartel central

O Comando do Corpo de Bombeiros - 4º Grupamento de Bombeiros está remanejando recursos previstos para várias obras para executar um projeto antigo: a reforma do quartel central. “Estamos economizando para tornar realidade um sonho que há cinco anos é almejado. Queremos fazer algo que resolva de uma vez por todas a situação e melhore nossa estrutura”, esclarece o comandante Geraldo Domaneschi.
O Corpo de Bombeiros de Cascavel está com as mesmas instalações há mais de 30 anos na Rua General Osório, na área central, e Geraldo explica que várias alterações precisam ser feitas, como: trocar o padrão de energia; arrumar um muro de arrimo que está caindo, já que estourou cano perto e a permanência de viaturas pesadas próximo pioraram a situação; colocar um banheiro para mulheres; construir salas de aula; melhorar a situação dos alojamentos; e fazer um estacionamento coberto, porque as viaturas têm que ficar no sol e na chuva.
“Os alojamentos estão muito ruins”, resume Geraldo. Ele conta que o novo projeto prevê a captura da água da chuva. “É um projeto bem moderno. Inclusive haverá salão de convenções, o que estamos precisando”, salienta o comandante.
A maquete do novo projeto foi concluída há 30 dias, pelo sargento Marcos Varela, que trabalha no setor de análises de projeto.

Obras preteridas

Para fazer a adequação do quartel central foram remanejadas as seguintes obras e valores: reforma e pintura das instalações dos quartéis orçadas em R$ 19,5 mil; edificação no Posto Pioneiros Catarinenses, R$ 147 mil; construção de garagem de viaturas no quartel central, R$ 9,5 mil; aquecimento da piscina do Posto Pioneiros Catarinenses, R$ 7 mil; equipamento e material permanente,  R$ 91 mil.
O major Wilson Luiz Marcante explica que o metro quadrado das obras custa cerca de R$ 867, mas “temos somente R$ 700 por m2”.
Ele diz que os bombeiros tentarão fazer a licitação este ano, mas que será preciso deixar algumas etapas da obra para 2007, já que faltará verba. Até agora foram remanejados R$ 431 mil.
“A idéia é começar a fundação este ano. Às vezes as pessoas acham que não precisamos de melhor estrutura, mas temos que estar preparados para servir a comunidade”, frisa o comandante.

 

 

 

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