Edição nº 4869 - quinta-feira, 10 de janeiro de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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EPIDEMIA

Paranaense morre com suspeita de febre amarela

O empresário Almir Rodrigues da Cunha morreu terça-feira à noite no Hospital Santa Rita, em Maringá, com suspeita de febre amarela. As amostras de sangue serão examinadas no Laboratório Central do Estado, em Curitiba. A previsão é de que os exames fiquem prontos em 20 dias.
O Paraná não é considerado pelo Ministério da Saúde como região de risco de febre amarela.
Segundo a Secretaria de Saúde de Maringá, Almir passou de 20 de dezembro a 1° de janeiro em uma região endêmica de risco - em Caldas Novas (GO).
A região de Maringá fechou 2007 com o registro de 5.644 casos de dengue e duas mortes pela doença. O mosquito transmissor é o Aedes aegipty, mosquito vetor responsável também pela transmissão da febre amarela.
COMBATE
O ministro da Saúde, José Temporão, disse ontem que a estratégia de combate à febre amarela está “100% correta” no País e não há motivos para mudanças, mesmo que nas próximas semanas seja confirmada que a morte de Graco Carvalho Abubakir foi por febre amarela. Ele morreu terça em Brasília, com quadro clínico muito semelhante ao de doentes de febre amarela, e teria contraído a doença em Pirenópolis (GO).
“Se for diagnosticada a febre amarela, não muda absolutamente nada na estratégia de combate”, disse Temporão. O Ministério negou também que serão feitas barreiras sanitárias nas estradas que levam ao Distrito Federal e a Goiás. O ministro disse que a Fiocruz está liberando um lote extra de 2 milhões de doses da vacina. Ano passado foram distribuídas mais de 11,4 milhões de doses da vacina em todo o País.


SYNGENTA
Documento foi retirado ontem na 1ª Vara Cível de Cascavel

Carta de reintegração será
entregue hoje em Curitiba

Os advogados da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, retiraram ontem na 1ª Vara Cível de Cascavel a precatória de intimação expedida pelo juiz Fabrício Mussi em 28 de dezembro que determina a reintegração de posse da área experimental com força policial. O documento deve ser entregue hoje no Fórum de Curitiba, que fará a distribuição para que um oficial de Justiça intime o governador do Estado, Roberto Requião, a fornecer a força policial necessária para cumprir a desocupação do local.
Depois de intimado, Requião tem 15 dias para cumprir a determinação, sob pena de multa diária no valor de R$ 50 mil, que deverá ser custeada pelo Estado.
No dia 21 de dezembro um oficial de Justiça foi até a área invadida e entregou a ordem de desocupação a um membro da Via Campesina, que avisou naquele mesmo momento que não sairiam do local.
A área foi invadida pela primeira vez no dia 14 de março de 2006. Em julho de 2007 os sem-terra saíram da estação experimental por conta de um mandado de reintegração de posse, mas acamparam em um assentamento ao lado da empresa. Na época, a Justiça havia estipulado multa de R$ 2 mil por dia à pessoa do governador Roberto Requião em decorrência do não cumprimento da desocupação. A reintegração ocorreu somente oito dias após a determinação judicial, mas até hoje a ação sobre o pagamento da multa não foi julgada, muito menos houve pagamento.
A área foi ocupada novamente pelos sem-terra no dia 21 de outubro, quando houve confronto entre os invasores e seguranças do local, que culminou na morte de duas pessoas.


Alimentos
Os alimentos tiveram variação de preços superior a do ICV (Índice de Custo de Vida) no acumulado dos últimos três anos - de 22,5% do grupo ante 21,02% do índice. Mas foi só em 2007 que, na variação anual, a inflação dos alimentos superou o índice geral do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que acompanha os preços de dez categorias.
Segundo divulgou o departamento ontem, o ICV subiu 4,8% em 2007 - a maior desde 2004, quando a série foi iniciada - com o empurrão dos alimentos, em alta de 12,48% e contribuição de 3,15 pontos percentuais na taxa geral. Desde 2004, foi o primeiro ano que a taxa do grupo Alimentação é maior que o índice geral.


Bolsa-Família
No Paraná, 88% das crianças e adolescentes beneficiários do Bolsa-Família freqüentam a escola. Dos 678.998 alunos, 599.621 tiveram a freqüência escolar informada durante os meses de outubro e novembro de 2007. O resultado é 4% maior que o do Brasil, que obteve o índice de 84% (13,1 milhões de alunos) dos 15,5 milhões dos beneficiários do programa de transferência de renda do governo federal. Os números são do último levantamento feito pelos Ministérios da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em parcerias com municípios e estados. A freqüência escolar das crianças é um dos critérios para que a família receba o benefício.



Febre aftosa
No Paraná, a segunda etapa da campanha de vacinação contra febre aftosa de 2007, realizada em novembro, atingiu 98,44% de imunização do rebanho de bovinos e bubalinos. O resultado da campanha revelou a existência de 9,48 milhões de cabeças no Estado, das quais 9,33 milhões foram vacinadas.
Para o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, esse resultado é considerado satisfatório porque garante a imunização do rebanho. O resultado oficial foi enviado ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento dia 28.

Ferrugem
Nos oito primeiros dias de janeiro foram identificados mais focos de ferrugem asiática em lavouras de soja que em todo o mês de dezembro, de acordo com informações do Consórcio Antiferrugem, liderado pela Embrapa Soja. Neste mês, 58 focos foram confirmados ante 55 em dezembro. O Mato Grosso do Sul continua a liderar as ocorrências, com 64 casos, seguido do Paraná (38), Goiás (7), Mato Grosso (3) e Rio Grande do Sul (1).

ÚLTIMA HORA

A Colômbia autorizou uma missão da Venezuela a receber duas reféns que a guerrilha esquerdista prometeu entregar ao presidente Hugo Chávez, anunciou ontem o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
“Vamos participar desta missão anunciada pelo presidente Chávez e aprovada pelo governo da Colômbia”, disse à Reuters um porta-voz da Cruz Vermelha em Bogotá.
Essa é a segunda vez que a Colômbia autoriza uma missão humanitária depois que em 31 de dezembro fracassou um plano que buscava resgatar das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) as políticas Consuelo González, Clara Rojas e o filho desta, Emmanuel.
A guerrilha só liberará as mulheres após ter admitido que não tinha em seu poder Emmanuel, filho que Rojas teve no cativeiro com um rebelde e que está sob proteção do governo colombiano desde 2005.

ORÇAMENTO
Paulo Bernardo admitiu que PAC também pode ser atingido pelas reduções

90% dos cortes serão no Executivo

Paulo Bernardo, ministro do Planejamento, afirmou ontem que, dos R$ 20 bilhões de cortes que serão feitos no Orçamento de 2008 para compensar o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), cerca de 90% deverão ser feitos no Executivo. Mais cedo, ele já havia dito que os cortes podem atingir os projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
“Os cortes terão que ser proporcionais, senão o peso seria muito forte nos Poderes Legislativo e Judiciário”, disse Bernardo.
Ele explicou que na reunião de ontem, com o relator da Comissão Mista de Orçamento, senador José Maranhão (PMDB-PE), e o relator da comissão, deputado José Pimentel (PT-CE), ficou acertado que será preparado um relatório geral de opções de cortes, que serão apresentadas hoje, em reunião com os líderes aliados.
A partir daí, explicou Bernardo, o governo e os parlamentares trabalharão no detalhamento desses cortes, de modo que o relator consiga preparar o texto do seu parecer e entregá-lo à comissão. “Meu desafio é apresentar o orçamento em 12 de fevereiro e vou fazer isso”, disse Pimentel.
Ele destacou que a postura da oposição de retardar a votação do orçamento vai prejudicar os 27 estados e os mais de 5 mil municípios do País que precisam do Orçamento aprovado para receber recursos do governo federal. Pimentel também afirmou que está descartado o corte linear no Orçamento e que os ajustes serão feitos de forma detalhada.
PAC
Sobre os cortes no PAC, Paulo Bernardo destacou que os investimentos são de caráter estruturante e que, por isso, o governo quer proteger esses recursos. Ele ponderou que, como ocorreu em anos anteriores, o governo pode eventualmente remanejar recursos de uma obra mais atrasada por problemas burocráticos, como falta de licenciamento ambiental, para outras que estejam com andamento normal.
O ministro disse também que alguns senadores como o presidente da Comissão do Orçamento, José Maranhão (PMDB-PB), e o líder do Governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), já mencionaram a hipótese de corte no PAC. “Por isso, não posso dizer que não vai haver cortes em hipóteses alguma”, disse o ministro.


Reajustes e emendas

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo só vai discutir reajuste para os servidores públicos após adequar o Orçamento ao fim da CPMF. “Não temos a menor condição de decidir aumento de despesas em um momento em que temos um desequilíbrio de R$ 40 bilhões no orçamento. Precisamos resolver isso primeiro”, disse Bernardo, informando que vai voltar a se encontrar na segunda quinzena de fevereiro com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, com quem se reuniu terça-feira.
Questionado se líderes oposicionistas participariam da reunião de hoje, Bernardo respondeu que não e brincou: “A oposição participa para criar problema e nós, para resolver”.
O ministro defendeu também o corte nas chamadas emendas coletivas. “Já falei que o meu sonho de consumo, e que não é propriamente popular no Congresso Nacional, é preservar as emendas parlamentares individuais e suprimir as emendas coletivas”, afirmou o ministro.


MERCADO
Venda industrial cresce 10,96%

O resultado acumulado das vendas industriais paranaenses nos 11 primeiros meses de 2007 registrou aumento de 10,96% comparado com o mesmo período de 2006. O dado, divulgado ontem pelo Departamento Econômico da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), confirma a tendência de a indústria do Paraná fechar o ano de 2007 com o melhor desempenho da série histórica, pesquisada pela entidade desde 1986. “A previsão é de um aumento superior a 10% nas vendas totais da indústria paranaense em 2007 em comparação ao ano anterior”, afirma Maurílio Schmitt, coordenador do Departamento Econômico da Fiep.
Segundo ele, a expressiva safra 2006/2007 e o não aparecimento de problemas fitossanitários permitiram que a indústria de produtos alimentícios e bebidas aumentasse suas vendas nos primeiros 11 meses do ano em relação a igual período de 2006 em 16,06%.


RACIONAMENTO
Reservatórios caem e comitê
se reúne para discutir energia

O nível dos reservatórios de água nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste continua caindo, apesar do esforço do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para poupar as hidrelétricas ao despachar as termelétricas. Assim, em meio às crescentes preocupações com a segurança no fornecimento, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) agendou uma reunião para hoje para analisar a situação dos reservatórios e as condições da geração de energia pelas térmicas.
O Informativo Preliminar Diário da Operação do dia 8 de janeiro, publicado ontem pelo ONS, mostra ligeira queda de 0,1 ponto porcentual no nível de armazenamento das usinas das duas regiões, para 44,7% da capacidade total.
Por conta disso, a diferença entre a curva do nível de armazenamento dos reservatórios e a CAR (Curva de Aversão ao Risco), referência do operador para o volume de água necessário que garantiria o abastecimento do mercado com segurança, diminuiu ainda mais. A variação para CAR caiu de cinco pontos porcentuais, segunda-feira, para 4,3 pontos porcentuais, quarta, tendo em vista que a CAR foi elevada de 39,8% para 40,4% no mesmo período.


Energia nuclear pode ser solução

O anúncio da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre um possível racionamento em virtude do baixo nível dos reservatórios nas usinas hidroelétricas trouxe à tona a discussão sobre a necessidade do Brasil pensar em um plano B. Considerando o pré-anunciado apagão no setor energético e degradações ambientais, o tema energia limpa ganha espaço com a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) apresentada pelo deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR).
A PEC permite que empresas privadas tenham concessão para construção e operação de reatores nucleares, exclusivamente para fins de geração de energia elétrica.
De acordo com o parlamentar tucano, poderão explorar a produção de energia nuclear apenas empresas com 70% de capital de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, podendo construir e operar usinas nucleares. Ao longo de 2007 o próprio governo colocou em discussão o tema energia nuclear como medida de solução e a proposta do deputado tramita desde o início do último período legislativo.

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