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9 de setembro, Dia do Médico Veterinário

Piotre Laginski é chefe do Núcleo Regional de Cascavel e presidente da Sociedade Paranaense de Medicina Veterinária - Núcleo de Cascavel - piotre@seab.pr.gov.br

Dia 9 de setembro, uma das mais importantes classes profissionais comemora o seu dia, os médicos veterinários. Profissão tão almejada e batalhada, desde o início de sua formação nos bancos escolares, com o contato ou mesmo paixão pelos animais e os setores que a envolvem.
Os profissionais médicos veterinários são responsáveis, além da saúde direta dos animais, também pela inspeção dos produtos de origem animal, defesa sanitária animal, produção agropecuária, vigilância sanitária, controle de zoonoses, pesquisa, produção de vacinas humanas e animais, saúde dos animais silvestres, responsabilidade técnica, formulações de alimentos, como rações animais, pela criação de leis de biossegurança, perícias florences, por representar setores produtivos e tantas outras áreas de atuação, sempre com responsabilidade e ética profissional.
No dia 9 parabenizamos todos os médicos veterinários pelo seu dia, mas, principalmente, por cuidar da saúde animal, humana e garantir a qualidade dos produtos de origem animal que vão para a nossa mesa. Parabéns médicos veterinários, temos orgulho de trabalharmos e vivermos com vocês.

 

Cidadãos eméritos

Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro e professor universitário - algbr@ig.com.br

Meu pai chegou ao Brasil aos seis anos de idade. Começou a estudar com sete e aos oito já trabalhava para ajudar no orçamento doméstico. Os tempos eram difíceis e a 2a Guerra Mundial já se avizinhava.
Formado em eletrotécnica, ele foi o único - o mais velho de quatro irmãos - a completar o ginásio. Quis estudar mais, mas não havia recursos, só despesas! Fez o primeiro chuveiro elétrico da casa dos pais. Ali também instalou a primeira lâmpada fluorescente da rua, numa época em que o pavimento ainda era de terra e o esgoto a céu aberto.
Já casado - habilidoso, consciente e criativo -, cuidava de toda a manutenção da casa: hidráulica, elétrica, pintura... Teve os filhos como aprendizes.
Pai de cinco filhos, para criá-los trabalhou três períodos por dia, inclusive fins de semana, enrolando bobinas de motores de bondes elétricos e máquinas industriais, e projetando filmes em salas de cinemas. De suas mãos saíam mágicas que surpreendiam até os engenheiros mais experientes!
Cuidou das subestações da rede de ônibus elétricos quando ela funcionava e era motivo de orgulho para uma cidade que sorria e não se atrasava. Por conta disso, ele nos foi “roubado” em vários fins de semana, para resolver problemas emergenciais. Tudo isso sem reconhecimento!
E, mesmo assim, nem problemas de coluna e crises de cálculo renal foram empecilhos à sua obstinação: Leão que é, no zodíaco e na vida!
Aposentado, não parou de trabalhar: dirigiu e ajudou a construir. Mais uma vez economizou dinheiro para os “amigos” enriquecerem. Essa, aliás, é a sua maior mágoa: não ter conseguido prosperar com o seu trabalho, num país onde o labor honesto não é reconhecido, mas tripudiado e explorado! País onde impera o abjeto ditado: “Quem sabe faz, quem não sabe manda!”.
Mas como não enriqueceu? Tem uma mulher maravilhosa, filhos que andam pelas próprias pernas e de cabeça erguida, como ele. Existe maior riqueza?
Pode não ter conseguido tudo o que sonhou - e é sempre triste abdicar de sonhos -, mas pôde dar asas e rumo aos sonhos de seus descendentes.
Infelizmente a honestidade nunca fez jus a prêmios, a não ser de honra ao mérito e consolação. De fato, o merecimento raramente tem o devido valor, sobretudo quando quem julga tem o que não merece, exige o que não dá, promete o que não cumpre, teme perder sua ascendência e, por isso mesmo, se apropria descaradamente do que não faz.
Infelizmente os que trabalham em silêncio raramente são vistos ou ouvidos! A propaganda é a alma do negócio, ainda que enganosa...
Homens como esses nunca terão estátuas em praças, placas em prédios públicos ou títulos de cidadania. Essas homenagens - com honrosas exceções - continuarão reservadas, preferencialmente para os autores das próprias lendas, pelas mãos de seus herdeiros, afilhados ou devedores. Estarão lá, gravados no bronze ou na pedra, mas nunca estarão no coração do povo!
Meu pai e minha mãe - assim como tantos outros pais e mães - ao criarem e educarem dignamente seus filhos e trabalharem honestamente ao longo de suas vidas deram a maior contribuição que um cidadão pode dar à comunidade: serem exemplos vivos de que pensamentos, atos e palavras podem expressar a verdade e de que é possível viver nela e dela!
Não está em nossas mãos prestar a merecida homenagem àqueles que realmente contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Normalmente só nos cabe pagar a conta de sua destruição, operada diligentemente por políticos de má índole, infelizmente, a maioria.
Assim, nossos pais continuarão a ser cidadãos desconhecidos para os que se crêem importantes, mas aos olhos de Deus e em nossos corações sempre serão os que realmente brilham e importam!

 

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