| PECUÁRIA
Recursos serão usados como indenização de rebanhos
abatidos
Fundo terá R$ 25 milhões
A Medida Provisória 370/07, que abre crédito extraordinário
de R$ 25 milhões para o Ministério da Agricultura, foi aprovada
ontem na Câmara dos Deputados. Os recursos serão aplicados
em programas de erradicação da febre aftosa, principalmente
nas ações de indenização pelo abate do rebanho,
possibilitadas pela MP 371/07, também aprovada. De acordo com o
governo, as verbas são decorrentes de superávit financeiro
do balanço patrimonial da União no ano passado. A MP 370/07
segue para o Senado.
A medida foi relatada pelo deputado Waldir Neves (PDSB-MS), que considerou
inadmissíveis as emendas sugeridas à proposta e recomendou
a aprovação da MP na forma como foi enviada pelo Executivo.
“Essa é uma ação importante para que Mato Grosso
do Sul seja novamente declarada zona livre da febre aftosa”, disse
o relator.
Neves ressaltou a relevância e a urgência da medida. O líder
do PSDB, deputado Antônio Carlos Pannunzio (SP), no entanto, cobrou
do governo a ação imediata alegada na justificativa da MP.
“Consultamos o Siafi na madrugada de hoje [ontem] e constatamos
que nem R$ 1 foi empenhado até o momento nessas ações”,
denunciou o líder. Como a MP tem validade a partir de sua publicação,
ocorrida dia 11 de maio, os recursos já poderiam estar sendo gastos.
Devido à ocorrência de focos de febre aftosa em fazendas
do Mato Grosso do Sul e no Paraná em 2006, a Organização
Mundial de Saúde Animal suspendeu o reconhecimento internacional
do Brasil como zona livre da doença. Apesar das medidas adotadas,
o governo esclarece que os últimos testes mostram a persistência
do vírus na região. As principais providências a serem
tomadas, de acordo com o governo, são a identificação
e a eliminação de potenciais fontes de infecção,
a implantação de zonas de alta vigilância nas fronteiras
com o Paraguai e com a Bolívia e a identificação
de todos os animais suscetíveis à doença.
BOX
Dívidas
O CMN (Conselho Monetário Nacional) instituiu uma linha de crédito
especial, denominada Financiamento de Recebíveis do Agronegócio,
destinada a financiar a liquidação de dívidas de
produtores rurais ou de suas cooperativas com fornecedores de insumos
agropecuários relativas às safras 2004/05 e 2005/06. O financiamento
foi criado pela Medida Provisória 372, e publicada pelo CMN no
dia 1º de junho.
Na avaliação da CNA (Confederação da Agricultura
e Pecuária do Brasil), a MP abre novo espaço para a apresentação
de propostas de solução para o endividamento do setor junto
às áreas financeiras, oficial e privada, e para as dívidas
rurais transferidas à União.
RECORDE
Mesmo com o real fortalecido frente ao dólar, as exportações
do agronegócio seguem alcançando números inéditos.
Em maio os embarques somaram US$ 5,199 bilhões, um recorde para
os meses de maio e o segundo maior valor mensal da série histórica,
iniciada em 1989 - o primeiro foi o de julho de 2006, de US$ 5,236 bilhões.
As importações cresceram 40,9%, atingindo US$ 698 milhões.
Com isso, o saldo da balança comercial ficou em US$ 4,497. O destaque
foi o complexo carnes, que pela primeira vez tem resultado mensal de US$
1 bilhão, contribuindo com quase 20% para o total exportado.
TRAGÉDIA
Oito pessoas
soterradas em
desabamento
Um desabamento ocorrido na tarde de ontem em uma obra na Avenida Cupecê,
no Bairro Jabaquara, na zona sul de São Paulo, soterrou pelo menos
oito pessoas, segundo informações preliminares do Corpo
de Bombeiros. Seis vítimas foram socorridas dos escombros, sendo
que três estão em estado grave. Quinze bombeiros fizeram
buscas no local com a ajuda de quatro cães farejadores.
O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Luciano Daniel disse que o concreto
da obra está secando e, abaixo, há ferragens e madeiras
que atrapalham as buscas.
ICMS
Mudanças serão votadas
em regime de urgência
O líder do Governo na Assembléia Legislativa, Luiz Claudio
Romanelli (PMDB), pediu regime de urgência na votação
da proposta do governador Roberto Requião que assegura a continuidade
das isenções e reduções na cobrança
de ICMS para micro e pequena empresa no Paraná. O projeto já
foi lido em plenário e enviado a CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça) que deve apreciá-lo já na semana que vem.
A regulamentação, segundo Romanelli, é necessária
para que as isenções e reduções já
concedidas sejam mantidas.
A proposta, em curso na Assembléia, amplia as isenções
do ICMS para as empresas com receita bruta anual de até R$ 360
mil. “Nessa faixa, mais de 154 mil micros e pequenas empresas estarão
isentas de tributos no Paraná”, destaca Romanelli.
A cobrança do porcentual de 0,67% começa a partir do limite
de R$ 360 mil até o teto de R$ 480 mil/anual. A partir deste rendimento
até R$ 600 mil/ano, o percentual será de 1,07% e de 1,33%
para as empresas com receitas entre R$ 600 mil/ano até R$ 720 mil/ano.
A cobrança de 1,52% será para empresas com receitas a partir
de R$ 720 mil/ano até R$ 840 mil e chega a 2,07% para empresa com
receita anual acima de R$ 960 mil. O teto desta tabela estabelece a cobrança
de 3,4% para as empresas que tiverem receitas de R$ 2,28 milhões
a R$ 2,4 milhões ao ano.
O projeto também estabelece o parcelamento em até 120 parcelas
mensais dos débitos do ICMS relativos a fatos geradores até
30 de abril de 2007.
Impostômetro
Segunda-feira os brasileiros terão pago, desde o primeiro dia do
ano, R$ 400 bilhões em impostos ao governo federal. É o
que aponta o Impostômetro da Associação Comercial
de São Paulo, sistema que faz o acompanhamento das receitas tributárias,
considerando todos os valores arrecadados pelo governo - impostos, taxas
e contribuições, incluindo multas, juros e correção
monetária.
A arrecadação de impostos chegará a este patamar
por volta das 18h do dia 11. Há dois anos o montante total verificado
pelo Impostômetro foi de R$ 731,8 bilhões. Já em 2006,
subiu para R$ 812,7 bilhões. Neste ano, a projeção
é de que o sistema encerre 2007 com mais de R$ 900 bilhões
em impostos pagos pelos brasileiros.
Sem-terra
Cerca de 1,3 mil sem-terra do Paraná participam do 5º Congresso
do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) de segunda-feira
a sexta-feira, no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília. O
tema central do congresso será Reforma Agrária: por Justiça
Social e Soberania Popular.
FOTOLEGENDA: GAZETA DO POVO
Seguem as operações da Fronteira Sul, também desenvolvidas
na Costa Oeste do Paraná, pelo Exército. São várias
barreiras entre Guaíra e o Chuí (RS) feita por soldados,
com o objetivo de coibir a entrada ilegal de mercadorias. Em Pato Bragado,
um ponto foi instalado no portal do Município, onde as pessoas
são abordadas na travessia.
SOB SUSPEITA
Senador não deixará a presidência da Casa
Renan será investigado
por Conselho de Ética
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), manifestou-se ontem
e disse que não deixará o cargo de presidente do Senado
e continuará representando a Casa. Sobre a decisão do Conselho
de Ética e Decoro Parlamentar de investigar denúncia de
suposto uso de verbas da empreiteira Mendes Júnior para pagamento
de despesas pessoais, Renan reiterou sua confiança de que, ao final,
a verdade prevalecerá. “Estou com a verdade e quem está
com a verdade não teme nada”, afirmou.
Renan explicou ainda seu interesse em colaborar com as investigações
desde o primeiro momento, e salientou ter disponibilizado todos os documentos
relativos ao caso antes mesmo de terem sido solicitados.
O presidente do Conselho de Ética do Senado, senador Sibá
Machado (PT), anunciou a abertura de processo disciplinar contra o presidente
da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB), por suposta quebra de decoro
parlamentar.
Sibá informou também que os conselheiros escolheram o senador
Epitácio Cafeteira (PTB) como relator do processo disciplinar,
que foi solicitado pelo Psol.
A possível quebra de decoro está relacionada à suspeita
de que um lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio
Gontijo, fazia pagamentos de pensão à jornalista Mônica
Veloso, com quem Renan tem uma filha.
ECONOMIA
Copom corta meio ponto da Selic
A inflação sob controle e a valorização do
real frente ao dólar fizeram o Banco Central acelerar o ritmo de
corte da taxa básica de juros. O Copom (Comitê de Política
Monetária) anunciou a redução da Selic de 12,5% para
12% ao ano. Nas três reuniões anteriores, o corte foi menor,
de 0,25 ponto percentual.
Apesar de a maioria dos integrantes do Copom votar pela redução
de meio ponto percentual na taxa na reunião de ontem, a decisão
não foi unânime.
“Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas
para a inflação, o Copom decidiu, neste momento, reduzir
a taxa Selic para 12% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor
e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual”,
diz a nota do comitê divulgada ao final da reunião.
Embora a aposta por um corte de meio ponto não fosse unânime
- parte dos analistas esperava uma redução de 0,25 ponto
percentual -, ela era esperada como uma resposta à valorização
do real frente ao dólar. Isso porque parte da apreciação
é causada pelos dólares que entram no País por meio
dos investidores que buscam rentabilidade maior para suas aplicações.
Esse fluxo de moeda estrangeira colabora para a queda da cotação
do dólar, assim como a entrada de recursos via exportações.
Hoje essa valorização do real sobre a divisa norte-americana
é combatida apenas com as compras de dólares no mercado
por parte do Banco Central.
Em relação à economia brasileira, não há
sinais de que a meta de inflação, de 4,5% do IPCA (Índice
de Preços ao Consumidor Amplo), não seja alcançada.
No ano passado, os preços subiram 3,14%. Em 12 meses, está
em 3% e a previsão dos analistas é que ela termine o ano
em 3,5%.
BOXXX
Entidades avaliam
O presidente da Fiep (Federação das Indústrias do
Estado do Paraná), Rodrigo da Rocha Loures, afirmou que a manutenção
de elevadas taxas de juros no Brasil é injustificada. Ao comentar
a decisão do Comitê de Política Monetária do
Banco Central de reduzir a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, o empresário
disse que o País precisa de “um verdadeiro choque nos juros”.
“Chega de cortes modestos. A realidade macroeconômica alterou-se
drasticamente e todos os indicadores mostram que não há
necessidade de taxas de juros tão elevadas. Por que não
diminuir a taxa básica em um ponto percentual ou 0,75, no mínimo?”,
destacou Rocha Loures. “Existem todas as condições
para acelerar a convergência da nossa taxa para a média de
juros praticada nos demais países”.
Já a CNI (Confederação Nacional da Indústria)
recebeu com otimismo a redução nos juros básicos.
“A aceleração no ritmo de abrandamento do rigor monetário
era necessária - e, portanto, bem-vinda; com certeza irá
gerar condições para a continuidade e intensificação
do atual ciclo de crescimento da economia brasileira”, diz a nota
divulgada pela CNI.
ACIDENTE DA GOL
Relatório aponta falha humana
Relatório parcial apresentado ontem pelo relator da CPI (Comissão
Parlamentar de Inquérito) do Apagão Aéreo, senador
Demóstenes Torres (DEM-GO), aponta falha humana como a principal
causa do maior acidente da história da aviação brasileira,
que deixou 154 mortos em setembro.
O documento considera culpados os pilotos do jato Legacy, Joseph Lepore
e Jan Paul Paladino, e os controladores do Cindacta 1, em Brasília,
Lucivando Tibúrcio de Alencar, Leandro José Santos de Barros,
Felipe Santos Reis e Jomarcelo Fernandes dos Santos pelo choque entre
o jato Legacy com o Boeing da Gol.
Para o relator, senador Demóstenes Torres, os problemas de sistema
não tiveram influência na colisão.
Mais partidos
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) analisa dois requerimentos que pedem
a criação de mais dois partidos. São eles: PF (Partido
Federalista) e PND (Partido Nacionalista Democrático). Se os pedidos
forem deferidos, o País passará a contar com 30 partidos
registrados no TSE. Hoje, são 28.
Os partidos têm direito a repartir R$ 121,174 milhões do
fundo partidário, além do tempo de propaganda partidária
gratuita, em cadeia nacional de rádio e tevê, no horário
nobre.
Substituição
O ministro da Justiça, Tarso Genro, descartou ontem a possibilidade
de substituir o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Paulo Lacerda.
Ele sugeriu que aqueles que aguardam a troca do comando da PF busquem
um “banquinho”, dando a entender que a espera será
longa ou até que nem venha a ocorrer. O ministro aproveitou ainda
para desprezar os supostos movimentos de disputa existentes no órgão.
“Se tem algum setor, na PF ou fora dela, que entenda que Lacerda
é interino e que está esperando uma substituição,
é bom comprar um banquinho porque não é visão
alguma do governo”.
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