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SEM APOIO
Há seis meses a administração não compra flores da entidade

Prefeitura decora cidade,
mas exclui Apae do projeto

Quem passa pela Avenida Brasil até a Rua Francisco Bartinik, na região oeste de Cascavel, vê muitas mudas de betúnias, bocas-de-leão e amor perfeito. Outros pontos da cidade também foram decorados com flores, como as praças do Migrante e Getúlio Vargas, Parque Tarqüínio, a Fonte do Mosaico, em frente à prefeitura, na rotatória próxima à FAG (Faculdade Assis Gurgacz), entre outros canteiros. As espécies foram plantadas há mais de 40 dias e dão vida aos locais. “No total foram mais de 45 mil mudas”, explica o encarregado do setor de Divisão de Ecossistema, Jaime Vazata.
Este ano, as floriculturas Catarinense e Romana foram as fornecedoras, segundo o Departamento de Compras da prefeitura. Até no fim do ano passado, o poder público comprava mudas da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), cultivadas pelos próprios alunos.
A diretora da Apae, Jane Muller, explica que, apesar de a prefeitura não adquira flores da entidade há mais de seis meses, a esperança é que volte a comprar. “Eles compravam para nos ajudar. Não temos nada contra a administração, é parceira, mas gostaríamos que fizessem mais pedidos. Antes tínhamos a parceria, mas desde o final do ano passado não há mais encomendas”, lamenta.
Ela conta que a compra das mudas da Oficina Floricultura ajuda bastante, porque, além do lucro para a escola, é uma forma de incentivar o trabalho pedagógico. “O projeto existe, mas falta apoio. Dependemos da prefeitura para sobreviver”, salienta Jane, que lembra da paixão dos alunos pelo que fazem: “Eles adoram o trabalho que executam. Temos alunos capazes de ingressar no mercado de trabalho”.


ARGUMENTO
Faltam variedades
O presidente da Comissão Permanente de Licitação, Terezinho Lino de Oliveira, do Departamento de Compras da prefeitura, afirma que, além das duas floriculturas, a administração também compra mudas da Apae. “No entanto, há algumas flores que eles não têm ou têm em pouca quantidade. A Apae é uma das fornecedoras, mas nem sempre tem o que precisamos”, justifica Terezinho.
Ele diz que não lembra mais quanto foi investido com a plantação das 45 mil mudas. “Já foi plantado. Nem lembro mais”, resume.
No dia 30, às 13h30, haverá nova licitação para a aquisição de mudas de flores, grama e adubo orgânico na Divisão de Compras.
Entre os pontos que serão decorados estão o chafariz do Lago Municipal, o Zoológico Municipal e no calçadão em frente à Catedral Nossa Senhora Aparecida.

OBRAS PARADAS
As obras no cruzamento das avenidas Piquiri e Brasil, na região leste de Cascavel, pararam durante a semana. Segundo o secretário de Obras, Fernando Dillenburg, a empresa responsável pela construção adiantou a pavimentação asfáltica e aguarda o prazo de entrega dos materiais pelos fabricantes. “O clima ajudou e conseguiram adiantar alguns serviços. Agora esperam a chegada de semáforos que serão instalados no local. Assim poderemos liberar a Avenida Brasil e continuar os trabalhos de ampliação no canteiro da Avenida Piquiri. Não podemos liberar o tráfego sem a sinalização devido à alta velocidade dos veículos que passam no local”, explica Dillenburg.
Os semáforos devem chegar amanhã ou terça-feira.
O secretário informa ainda que as obras estão dentro do cronograma. “O prazo é de 120 dias. Eles devem ter cerca de 60 ainda, mas, pelo andar dos trabalhos, provavelmente terminem antes”.

VALE-TRANSPORTE
Saída de grandes cambistas gerou uma defasagem de 25% no valor

Mercado paralelo entra em crise

A proposta da CCTT (Companhia Cascavelense de Transporte e Tráfego) para a criação de um cartão magnético ao transporte coletivo em substituição aos vales-transporte de papel colocou o mercado paralelo dos passes em crise.
Sem muita alternativa e com medo de não ter a possibilidade de repassar os vales para seus clientes, os cambistas reduziram o valor pago para R$ 1,50, 25% a menos que o custo de mercado; a revenda, que chegava até R$ 1,90, também foi prejudicada. Em alguns locais é possível comprar vale-transporte de cambistas por R$ 1,75. “Não dá para arriscar, porque, se a CCTT resolver acabar mesmo com os vales e colocar o cartão, ficaremos no prejuízo”, explica um proprietário de banca de revista, que revende os vales por R$ 1,80.
Alguns desses cambistas, que possuem estabelecimentos comerciais, garantem que o esquema de compra e venda diminuiu porque grandes clientes saíram do esquema. “A gente vendia para os supermercados e postos de combustíveis, que repassavam aos funcionários sem precisar comprar da CCTT. Acho que ficava mais barato para eles, mas agora não está mais tendo saída, por isso o preço caiu. Estamos pagando, no máximo, R$ 1,60 e vendemos por R$ 1,80”, revela a proprietária de uma lanchonete no Centro.
Alguns locais já estampam recados aos clientes informando que não aceitam mais os vales-transporte como moeda de troca.

Empresas deixam claro para clientes que não aceitam mais vale-transporte

LAVAGEM
Fim de suposto esquema
Outro fator que teria prejudicado o comércio ilegal de vales-transporte foi a suposta demissão de 12 cobradores de ônibus que estariam envolvidos em um esquema de troca dos vales-transporte por dinheiro. “Eles compravam os vales mais baratos no mercado paralelo e trocavam por dinheiro no ônibus. O passageiro pagava R$ 2 e o cobrador ficava com este valor e deixava um vale-transporte no caixa”, explica uma cambista, que pediu para não ser identificada.
Os diretores das empresas não foram localizados para confirmar as demissões e na CCTT (Companhia Cascavelense de Transporte e Tráfego) ninguém quis comentar o assunto.

IMPOTENTE
CCTT não consegue
fazer a fiscalização
A chefe do setor do Transporte Coletivo da CCTT, Dulce Ana de Castro, garante que a fiscalização está sendo intensificada, mas revela que a empresa pública não tem condições de acompanhar o caminho que o vale-transporte percorre até retornar à CCTT. “Nosso controle ocorre na venda e no retorno desde vale, mas não temos como monitorar a circulação. Fazemos a fiscalização sobre os cobradores e quando recebemos denúncia de pontos de compra vamos até o local. É mais difícil para nós como órgão fiscalizador punir as empresas ou supermercados. Podemos agir com o cobrador, que é funcionário” , salienta.
O presidente da CCTT, William Fischer, lembra que o comércio paralelo de vales-transporte é crime. “Quando o caso envolve alguma empresa a CCTT registra um boletim de ocorrência na delegacia de Polícia Civil, porque isso é um caso de polícia”, reforça.
A chefe do setor do Transporte Coletivo enfatiza que o funcionário de qualquer empresa que for flagrado vendendo os vales-transporte pode ter seu direito de receber esse benefício cortado pela empregadora. “A lei do vale-transporte é clara: a pessoa recebe para o deslocamento de casa para o trabalho e vice-versa”, enfatiza.

SANGA-FUNDA
Mutuários contentes com andamento de obras

As casas no Conjunto Habitacional Sanga Funda, na região norte de Cascavel, começam a ganhar forma. Cerca de 160 pessoas trabalham todo dia na construção das 288 residências, que abrigarão as famílias que há sete anos ocupam uma área no Jardim Gramado, região leste da cidade. O investimento total é de R$ 3.323.978.
“Estamos dentro do cronograma e tudo está ocorrendo conforme o esperado. A previsão de término é dezembro ou início de janeiro”, afirma o integrante do MNLM (Movimento Nacional de Luta pela Moradia), Emanuel Luis Gonçalves.
Um engenheiro, dois mestres de obra e dois contra-mestres, da Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná), fiscalizam e orientam os trabalhadores. “Não é uma mão-de-obra muito qualificada, por isso estamos ajudando, tirando dúvidas, orientando. As casas estão ficando muito boas”, explica o engenheiro da Cohapar, Rafael Marques de Oliveira.
O servente de pedreiro Santo Benedito Pereira está construindo a sua casa e ajuda os demais. A expectativa dele é muito grande, pois será a primeira casa própria para a família de cinco pessoas. “É a casa sonhada. Iremos nos livrar do aluguel. São sete anos de espera”, comenta.

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Casas devem ser concluídas até o início do ano que vem


IBAMA
Empresas podem pedir a anulação de multas

A falta de previsão do cargo de fiscal no regimento interno do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), modificado em 2002, pode servir de motivo para empresas infratoras pedirem anulação das multas aplicadas pelo órgão. “Em outros estados a Justiça já anulou multas do Ibama. No Paraná ainda não temos casos neste sentido, mas existe esta possibilidade”, garante a advogada Carmela Manfroi Tissiani.
Na tentativa de solucionar o problema, o Ibama editou uma portaria interna, por meio da qual alguns servidores, contratados para outras funções, foram autorizados a proceder a fiscalização e a aplicação de multas em nome do órgão. “Por meio de cursos preparatórios e da portaria interna, autorizada pelo Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente], todo o servidor que se enquadrar pode ser fiscal”, afirma o chefe do Escritório Regional do Ibama em Cascavel, Walter Gonçalves dos Santos Filho. “Uma portaria interna não tem força de lei”, rebate a advogada.
Ela lembra que, segundo o artigo 37, inciso II, da Constituição Federal, os servidores públicos só podem exercer as funções para as quais foram contratados. “Também por isso, todas as empresas multadas têm como recorrer. Para aquelas que não existem mais possibilidades de recurso administrativo, ainda podem procurar a via judicial”, enfatiza.
PREJUÍZO
Se todos os 100 mil infratores multados pelo Ibama entre 2002 e 2006 conseguirem anular s multas, o prejuízo aos cofres públicos será superior a R$ 650 milhões em devolução de valores já pagos.
O Escritório Regional do Ibama em Cascavel, mesmo com apenas dois funcionários para atender aos 103 municípios do oeste e sudoeste, este ano já efetuou 35 autos de infração, totalizando R$ 2.583.206.

CONSCIENTIZAÇÃO
Trabalho incentiva preservação ambiental

A rotina dos moradores próximos à Escola Municipal Emilia Galafassi, no Bairro Parque São Paulo, região sul de Cascavel, mudou com o início do Projeto Lixouro, em 2001. O trabalho de educação ambiental realizado com os alunos do colégio incentivou os pais a separarem o lixo orgânico do reciclável. Até mesmo quem não têm filhos na escola contribuem com a iniciativa.
Parte do lixo recolhido é vendida para a compra de materiais didáticos, enquanto a outra é usada em trabalhos escolares. De acordo com a criadora e coordenadora do projeto, Jussara Agostini, a idéia é levar a iniciativa às outras escolas de Cascavel e da região. “Estamos em negociação com o Município, entidades governamentais, empresários e universidades para a manutenção do trabalho e a confecção de materiais didáticos. Acredito que em 15 dias teremos o parecer de alguns desses segmentos”, revela.
A professora afirma que a proposta inicial passou por mudanças, que devem ser implantadas com o início das atividades em outros colégios. “No projeto-piloto verificamos primeiro os recursos didáticos usados na realização do trabalho. Depois desenvolvemos novas ferramentas educacionais, que serão implantadas nos próximos trabalhos”, explica.
Para a diretora da Escola Emilia Galafassi, Mariza Aparecida Hutmer, a experiência foi válida e trouxe novo ânimo ao tratamento das questões ambientais. “Depois do projeto os professores comentam toda semana sobre reciclagem e as crianças sempre trazem o lixo para a escola”.

REGIÃO NORTE
Falta de atenção gera reclamações da comunidade

Moradores trocam nome
de rua para Dr. Lísias

Os moradores da Rua Cacilda Becker, no Jardim Alvorada, região norte de Cascavel, indignados com o descaso da administração municipal com o local, encontraram uma nova forma de protesto. Trocaram, por conta, o nome da rua e agora a tratam de Avenida Dr. Lísias.
“Eu consultava com o Lísias [prefeito de Cascavel, Lísias Tomé] antes de ser prefeito e ele falava que os prefeitos não faziam asfalto por falta de vontade. E agora, que é prefeito, também não o faz”, lamenta a moradora Mafalda de Freitas, 55. E é ela quem explica o apelido: “É uma brincadeira que fizemos, para ver se fazem alguma coisa”.
Mafalda possui alergia respiratória e o pó a prejudica bastante. “É muito ruim. Entra ano, sai ano e não fazem nada. Se não é o pó, são as chuvas que causam mais estragos”.
A doméstica Zenilda Hoissá relata que os moradores plantaram grama e colocaram pedras nos buracos causados pela chuva para evitar a erosão. “É uma maneira que encontramos para sair de casa. Temos de fazer uma volta vários metros acima para desviar do canteiro que se criou no meio da rua”.
BURACOS
A situação da Rua Agostinho dos Santos, no Bairro Consolata, região norte, também é complicada. Os buracos no asfalto estão cada vez maiores e, para desviá-los, os motoristas põem os pedestres em risco.
“Já reclamamos com a prefeitura várias vezes. A situação é tão crítica que, para desviar dos buracos, os motoristas invadem a calçada”, reclama a comerciante Edinéia Kletembert Martins.
Evanor Lemes dos Santos, desempregado, reforça: “Tem que arrumar. É uma vergonha, principalmente por ser uma das principais ruas do bairro”.
“Várias pessoas já caíram de moto por causa da rua irregular”, acrescenta o comerciante Cléber Machado.

BOX
SOLUÇÃO
Segundo o secretário de Obras de Cascavel, Fernando Dillenburg, a previsão é que a partir de amanhã a equipe completa de manutenção das vias sem pavimentação asfáltica esteja na região dos bairros Floresta, Consolata, Clarito e Jardim Alvorada. “A equipe já passou pelos bairros Jardim Colméia, Cataratas, Periollo, Lago Azul, Morumbi e agora estamos no Tarumã. Quando chegarmos a essa região, a situação da Rua Cacilda Becker, com certeza, será verificada”, afirma.
A previsão é de que a equipe tapa-buraco para as vias asfaltadas atenda o Consolata e região na segunda ou terceira semana de setembro. “A equipe já passou pelo São Cristóvão, região do Lago, Pacaembu e Santa Cruz. Em agosto deve trabalhar nos bairros Santo Onofre, Pioneiros Catarinenses, Maria Luiza, Guarujá, 14 de Novembro, Santa Felicidade, Universitário e Cascavel Velho”, acrescenta Dillenburg.

BOX
BAIRRO CANADÁ
Moradores reclamam de
quadra não pavimentada
Moradores do Bairro Canadá, especialmente os que se encontram na Rua Caxias do Sul, entre as ruas Marechal Cândido Rondon e Visconde de Guarapuava, na região norte de Cascavel, reclamam a falta de asfalto na quadra. Domicélia Bigas mora no local há mais de 12 anos e conta que a situação é complicada. “Seja vento, sol ou chuva a situação é crítica. Tudo fica difícil. Há uns dois ou três anos fizeram asfalto na Rua Caxias do Sul, abaixo da Marechal. Pagamos imposto e não recebemos o serviço”, indigna-se Domicélia.
A moradora explica que já foi feita uma reunião com a prefeitura, que pagaria a mão-de-obra e o maquinário, enquanto os moradores teriam de arcar com o material. “Muitos não têm como pagar, outros são inquilinos e não têm interesse em investir, sem falar nos terrenos baldios”, salienta Domicélia.
Isaura Maria da Silva Wilheln observa que os donos dos terrenos baldios não têm interesse em ajudar no pagamento do asfalto, o que dificulta. “Eles não moram aqui, por isso não se preocupam”, lamenta. Ela mora no local há mais de 12 anos.
Domicélia confessa que não consegue vender a casa para se mudar do local porque ninguém quer comprar um imóvel sem asfalto na frente. “Meu sonho seria ver essa rua asfaltada”, revela.

 


 

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