A crise imobiliária norte-americana
Giácomo Balbinotto Neto é professor de Economia do PPGE/UFRGS
- giacomo.balbinotto@terra.com.br
A crise do subprime está relacionada às perdas geradas
com o financiamento de imóveis no mercado americano, que acabaram
por afetar a saúde financeira de grandes bancos e fundos de investimento
em todo o mundo. A crise emergiu com força a partir de junho de
2007, quebrando fundos, investidores, compradores de residências
e imobiliárias intermediárias, reduzindo significativamente
lucros dos bancos, ameaçando contaminar outros países e
derrubando bolsas de valores mundo afora e levando insegurança
e volatilidade aos mercados.
Contudo, o fato parece ser apenas o começo de uma situação
mais severa que deverá se refletir em 2008, pois existe um elevado
estoque de empréstimos imobiliários que terá aumento
nas prestações ao longo dos próximos dois anos. Isso
terá efeito sobre os bancos, empréstimos, investimentos,
taxa de juros e produto da economia. Em outras palavras, espera-se que
as conseqüências se prolonguem por mais algum tempo. Estima-se
uma perda até o fim deste ano de US$ 300 bilhões.
A situação pode ser vista como uma crise financeira na qual
os mercados financeiros tornam-se incapazes de canalizar os fundos dos
que possuem uma poupança líquida positiva para aqueles que
possuem oportunidades de investimento. As crises financeiras resultam,
assim, em uma brusca contração na atividade econômica,
com quedas acentuadas nos preços dos ativos (no caso em questão,
principalmente o preço dos imóveis e também quedas
nas bolsas de valores) e inúmeras quebras de corporações
financeiras e não financeiras.
Quando choques atingem o sistema financeiro, piorando os problemas de
assimetria de informação, dificultado a precificação
dos ativos e dos projetos de investimento e ainda aumentado a incerteza,
os empréstimos tendem a se reduzir, mesmo para aqueles com oportunidades
produtivas de investimento. A falta de crédito leva os indivíduos
a reduzir o seu consumo e as empresas seus investimentos, gerando uma
redução acentuada da atividade econômica.
Todos os fatores de uma crise financeira se encontram presentes no episódio
da subprime: elevação das taxas de juros pelos bancos e
dos empréstimos interbancários, queda nas bolsas de valores,
redução de preços imóveis (o que diminui o
valor das garantias) e elevação do nível de incerteza
da economia. Esses aspectos agravam os problemas de informação
assimétrica no sistema financeiro (seleção adversa
e risco moral), que se torna ineficiente do ponto de vista da alocação
de recursos na economia - alocar os recursos dos poupadores para os investidores.
O ponto fundamental é que a crise das subprime, ao reduzir o valor
dos imóveis, reduz-se também o valor das garantias, agravando
significativamente os problemas assimetria de informação.
Outro canal pelo qual a crise se manifesta é o canal do balanço
patrimonial. Quanto maior o patrimônio líquido de uma família,
menor é a probabilidade de inadimplência, porque ela estará
escorada por ativos que poderão ser utilizados para pagar seus
empréstimos.
Contudo, no caso da subprime, com a queda no valor dos imóveis
temos uma redução do patrimônio líquido das
famílias. Assim, quando as famílias que requerem crédito
tiverem um patrimônio líquido baixo, as conseqüências
do problema têm mais importância e relevância, e os
emprestadores estarão menos dispostos a conceder empréstimos.
Isso agrava a situação das empresas do setor real da economia.
Portanto, são os problemas de assimetria de informação
que podem gerar crises financeiras, afetando diretamente a função
básica do sistema financeiro de alocação de recursos,
penalizando não somente os agentes envolvidos diretamente - bancos
e financeiras - como outros setores da economia. Tais problemas também
acabam influenciando também outros setores e países.
Assim, a lição que tiramos dessa crise, que ainda está
em curso, é que os problemas de assimetria de informação
(seleção adversa e risco moral) importam e que as crises
financeiras têm relevância fundamental para explicar os movimentos
da economia no curto prazo, aumentado a sua volatilidade e instabilidade.
Deste modo, a regulação bancária e a intervenção
ativa dos principais Bancos Centrais é fundamental para acalmar
os ânimos e fortalecer o sistema financeiro. Assim, não é
por acaso que se está promovendo uma maior intervenção
reguladora no mercado financeiro e uma gestão pró-ativa
pelos principais bancos centrais dos países desenvolvidos. A razão
disso é que assimetria de informação importa!
A injusta parcialidade da Justiça...
Adilson R. Peppes - dirigente sindical em Cascavel - adilsonpeppes@bol.com.br
A comoção tomou conta do País com esse caso enigmático,
mais um crime bárbaro, envolvendo uma criança indefesa,
inocente e há muitos dias essa pergunta rondas as mentes das pessoas
de bem de nosso País: quem matou a menina Isabella?
Parece que quanto mais se investiga o crime, mais as provas são
contestadas, mais as brechas que a nossa Justiça deixa são
usadas para que as dúvidas, que nem a perícia nem os policiais
paulistanos conseguem elucidar, sejam usadas para beneficiar os possíveis
suspeitos.
Os advogados contratados pelas famílias de Alexandre Nardoni e
Anna Carolina Jatobá obtiveram a vitória do habeas corpus,
o que nos deixa a sensação de que, a exemplo de centenas
de outros casos, a solução pode estar distante, ou até
mesmo de se tratar de mais um caso insolúvel.
O poder aquisitivo das famílias envolvidas nesse caso certamente
é um fato que deve ser levado em consideração, famílias
de classe alta, com conhecimentos jurídicos suficientes para que
peritos e investigadores sintam-se pressionados a darem seus laudos sobre
o caso, pois se fossem pessoas sem posses, sem conhecimento das leis,
sem condições financeiras de contratar os melhores advogados,
já teriam sido denunciados, com prisão preventiva decretada
e o caso dado por encerrado.
Mas não é difícil encontrar em nosso país
casos que, por se tratar de pessoas com alto poder aquisitivo, mesmo sendo
comprovadamente culpados, estão soltos, livres, longe de qualquer
punição. São essas coisas que nos enchem de revolta,
que nos deixam a impressão de vivermos num país marginal,
onde as penitenciarias não têm celas para os abastados financeiramente
e que não importa a gravidade dos crimes, tiros à queima-roupa,
atropelamentos inexplicáveis, ou espancamentos absurdos que levaram
à morte inocentes, que deixaram famílias destruídas,
que causaram o sofrimento de muitas mães e sim o poder aquisitivo
e a influência de quem os cometeu.
A reforma do Judiciário é ponto primordial para que possamos
acabar com essas distorções, com essas barbaridades que
nos envergonham, com essa manipulação da Justiça
em favor de quem tem mais e não de quem é inocente.
O tempo vai passar depressa, os recursos e as manobras jurídicas
vão desgastando as provas antes irrefutáveis, a comoção
nacional vai cedendo lugar ao esquecimento do caso e, a continuar no ritmo
que estão as coisas no caso Isabella, não se assustem se
para espanto de todos a perícia concluir que essa menina, ao invés
de ser brutalmente assassinada, suicidou-se atirando-se da janela daquele
apartamento.
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