Edição nº 5198 - quinta-feira, 04 de dezembro de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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IRRESPONSABILIDADE
Verbas seriam sobras de projetos já executados

Prefeitura terá que devolver
mais de R$ 70 mil a União

As vésperas de deixar o Paço Municipal, a ordem dentro da Prefeitura de Cascavel é para que sejam fechadas todas as contas das secretarias. E neste momento, muitos projetos que estavam engavetados são relembrados e muita proposta está sendo desperdiçada. É o que está ocorrendo, por exemplo, na Secretaria de Ação Social.
Ontem, a pasta teve de devolver R$ 76.784,38 para o Governo Federal. O montante é resultado da soma de dois projetos, sendo um de R$ 13.901,71 e outro de R$ 62.882,67.
Os projetos são de 2006. Para o primeiro, as verbas foram encaminhadas pelo Governo Federal por meio de emenda parlamentar para a compra de equipamentos para o Abrigo da Mulher. A devolução que está sendo feita é uma sobra dos recursos.
No segundo projeto, que tem um valor bastante expressivo para os cofres públicos, são verbas do BNDES (Banco Nacional Desenvolvimento Econômico e Social), que liberou R$ 200 mil para o Projeto Eureca, que é desenvolvido na cidade.
Quem não gostou de saber das devoluções que estão sendo feitas foram os vereadores. Eles alegam não que sabem porque o dinheiro não foi aproveitado se estava disponível. O vereador Otto dos Reis Filho (PDT) acredita que se a administração fosse mais transparente, dúvidas como esta seriam evitadas. “Acho que o secretário deveria mostrar para a sociedade  porque está devolvendo o dinheiro, não sabemos se está certa ou errada a devolução. Eu mesmo não conheço o contrato e com certeza nele consta se deve realmente devolver ou não ou se as verbas poderiam ser utilizadas para outros fins”.
O vereador ainda lamenta a devolução do dinheiro. “É lamentável que se tenha que devolver o dinheiro, sabemos o quanto é difícil conseguir e quando consegue acaba tendo que devolver”.
O presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, Vanderlei Augusto da Silva, também lamentou a devolução dos recursos. “Infelizmente os prazos determinados pelo Ministério da Assistência Social são muito curtos, o que acaba prejudicando o andamento do projeto, por que tem de passar por licitação e todo um trâmite burocrático que é demorado e quem acaba perdendo é a população. Se o prazo fosse maior com certeza as verbas poderiam ser aplicadas em outros programas de assistência social” finaliza.


Outro lado

O secretário de Ação Social, Santo Savi, informou que as verbas que estão sendo devolvidas são sobras e que a população não terá prejuízos. “A população não está sendo prejudicada, muito pelo contrário, são verbas que vieram para a cidade e conseguimos realizar diversas melhorias. O Abrigo de Mulheres, por exemplo, é uma obra já inaugurada e que a população está utilizando e funciona”.
Ainda segundo o secretário, o dinheiro que foi devolvido não poderia ser utilizado em outras benfeitorias para o Município. “São projetos fechados que não podemos remanejar as verbas, por exemplo, se o dinheiro liberado é para compra de uma agulha, não posso comprar outra coisa, tem que ser, obrigatoriamente, a agulha”.

 

CONSCIÊNCIA
Empresários protestam contra pirataria

Carros que passaram pela Avenida Brasil, no Centro de Cascavel na manhã de ontem, receberam um adesivo contra a compra e venda de produtos pirateados. Empresários se mobilizaram para conscientizar a população a respeito dos prejuízos causados pela prática criminosa. A proposta é reprimir o comércio ilegal de DVDs em frente às lojas e outras instituições.
O Sindireceita (Sindicato Nacional dos Analistas Tributários da Receita Federal), o Núcleo Setorial das Videolocadoras da Acic (Associação Comercial e Industrial de Cascavel) e a Acit (Associação Comercial e Industrial de Toledo) se uniram para esclarecer a população sobre a ilegalidade do comércio nas ruas. “As pessoas devem evitar comprar de ambulantes. Os produtos são ilícitos e provocam uma crise intensa nos setores empresariais. Pelo menos 50% das videolocadoras da cidade fecharam e em Toledo a crise também é intensa. Não é somente uma questão social, mas cultural”, diz Tânia Marcon Borges, coordenadora do Núcleo Setorial.
Há quatro anos o trabalho de conscientização é feito em Cascavel, considerada uma cidade pioneira no combate contra a pirataria. Estima-se que a cada oito DVDs de filmes, apenas um seja original. Isso prejudica a arrecadação de impostos e causa aumento do desemprego. “As autoridades e a população devem ficar conscientes de que o prejuízo é de todos. Apoiamos entidades há oito anos para atuar como repressores desse ato criminoso”, alega Marcelo de Oliveira, secretário de comunicação do Sindireceita.
Além de adesivos, pedestres que passam pelo calçadão receberam panfletos incentivando a denúncia de vendedores de produtos piratas. Faixas chamaram a atenção de quem passava pelo local. Apesar da intensa ação contra os produtos piratas, os consumidores ainda levaram para casa objetos que vem de outros países ou são fabricados de forma clandestina no próprio Brasil.
O eletricista, Giovane de Souza Cezimbra, admite que já adquiriu filmes piratas. O baixo custo cobrado pelos muambeiros e a possibilidade de ter o filme em casa, sempre que quiser, chamou a atenção. Porém, esses fatores foram superados, e hoje ele desistiu de adquirir esses produtos devido à baixa qualidade. Mas as críticas às videolocadoras ainda permanecem. “Já comprei filmes pirateados. Mas a qualidade não é boa, às vezes assistir o mesmo perde a graça. Ainda existe muita burocracia para locar um filme, deveriam mudar isso, deixar mais dias. Eles exigem a devolução em um período curto”, diz o eletricista.

“Autoridades e a população devem ficar conscientes”
Marcelo de Oliveira, secretário

“Já comprei filmes pirateados”
Giovane de Souza Cezimbra, eletricista

 

ILUMINAÇÃO
Ruptura de cabo deixou
28 mil casas sem energia

Muita gente teve problemas com a falta de energia elétrica entre a noite de terça-feira e amanhã de ontem na região leste de Cascavel. Um cabo de alta tensão da Copel, que fica no cruzamento das Ruas das Palmeiras e Humberto de Campos, no Bairro Coqueiral, rompeu fazendo com que cerca de 28 mil residências ficassem sem energia elétrica.
Segundo a assessoria de imprensa da Copel, o problema foi resolvido por volta das 10h de ontem. A causa do rompimento foi o vento forte. “Tivemos o registro de ventos fortes na noite de terça-feira o que ocasionou um forte curto-circuito naquele local, a sub-estação desliga automaticamente quando registra este tipo de incidente, por isso vários usuários foram afetados”, afirmou o assessor de imprensa da Copel, Eder Dudzack.
Quem se sentiu prejudicado com a queda na energia deve procurar o Procon pelo telefone (45) 3902-1720.

 

WILSON JOFFRE
Advogados alegam quebra da ordem de pagamento de precatórios

Família Saraiva pede
seqüestro de R$ 33 mi

O seqüestro de R$ 33 milhões dos cofres da Prefeitura de Cascavel foi solicitado pela família Saraiva como pagamento pelo terreno da Praça Wilson Joffre. Os credores entraram com o pedido há cerca de 30 dias, alegando que a prefeitura quebrou a ordem cronológica de pagamento de precatórios. A Projur (Procuradoria Jurídica) do Município foi notificada ontem e avisou que vai recorrer do pedido.
O advogado da família Saraiva, Marco Aurélio Pellizzari Lopes, afirma que o precatório da praça estava em primeiro lugar, mas a prefeitura quitou dívidas posteriores. Ele cita a credora Odete Fatuch dos Santos, que recebeu mais de R$ 300 mil. “O Município tem dez dias para explicar porque não pagou a dívida da praça e nesse período o prefeito pode propor um acordo”, frisa o advogado.
A dívida foi adquirida pela prefeitura em 1971, mas o precatório tramita na Justiça desde 1990. Na época, o valor a ser pago era de mais de Cr$ 800 mil. Com a correção monetária, a dívida é calculada em R$ 33 milhões.
O procurador jurídico do Município, Antonio Linares Filho, disse que os advogados da prefeitura que ficam em Curitiba já foram informados e preparam argumentos para evitar o seqüestro. “Vamos contestar a alegação de quebra de ordem cronológica. O Município não tem a menor condição de pagar essa dívida. Vamos juntar nossos documentos e depois ver que estratégia será utilizada para convencer o Tribunal de Justiça”, defende Linares.
Com o seqüestro, o dinheiro é transferido ao TJ e repassado aos credores, independente do rombo deixado nos cofres públicos.

 

CRECHES
Obras são retomadas
com novos operários

A execução das obras dos quatro Cmeis (Centros Municipais de Educação Infantil) que são de responsabilidade da Turri Construções Ltda foi retomada. Há mais de dez dias os trabalhos estavam parados e a proprietária da empresa, Lúcia Turri, garante que não haverá mais interrupções. Ela diz que três motivos dificultaram os trabalhos: a necessidade da troca de mão-de-obra, o vandalismo e a dificuldade em adquirir os tijolos ecológicos.
Lúcia disse que 90% dos funcionários, inclusive todos os mestres de obras contratados, foram substituídos por falta da qualidade no serviço. “O resultado da mão-de-obra não foi satisfatório e isso está comprovado nas planilhas”, defende.
O problema do vandalismo foi mostrado pelo Hoje na semana passada. Na obra do Bairro Cascavel Velho, materiais de construção foram furtados e as paredes que estavam quase prontas foram destruídas. Com o problema, Lúcia diz que a empresa não terá lucro com a obra. “Não teremos lucro por causa dos furtos e da troca de funcionários. Pedimos um aditivo de prazo de 90 dias e vamos explicar tudo. A parte que foi danificada teremos de refazer e nós é que vamos pagar”, garante. A empresa fez um boletim de ocorrência na polícia para registrar as ocorrências.
Sobre o fornecimento de tijolos, Lúcia diz que uma fornecedora de Palotina é contatada para fazer o repasse do material. “Terça-feira vamos conversar com outra firma para comprarmos os tijolos”.
O engenheiro da Secretaria de Serviços e Obras Públicas, Sylvio Torres, afirmou que o departamento jurídico da prefeitura vai analisar se concede ou não o aditivo de prazo. Segundo ele, o que resta agora é esperar o andamento da obra, pois a empresa já foi notificada e retomou o serviço. A construção deveria ser concluída este mês.
A Turri Construções, de São Miguel do Iguaçu, é responsável pela construção dos Cmeis dos Bairros Cascavel Velho, Canadá, Brasília e Morumbi. Pela entrega das quatro creches, a Turri receberá R$ 1.710.109,24. Cada obra custa, em média, R$ 430 mil, financiados pela Agência de Fomento Paraná Cidade.

 

SEM AVANÇO
Tratamento para queimados fica para 2009

Há mais de um ano, entidades de classe, políticos e empresários uniram forças para lutar por uma bandeira necessária à região oeste do Paraná: a ala de tratamento para queimados. Apesar de toda mobilização, o processo não avançou e a idéia deve ser retomada somente no próximo ano.
O empresário Valmor Lemainski, um dos apoiadores da proposta, diz que todos estão no aguardo de uma resposta do governo. “Estamos aguardando uma resposta. O lugar ideal para fazer a unidade de tratamento é o HU [Hospital Universitário], que tem espaço para isso”.
A proposta é para construção de uma ala com 15 leitos para casos de alta complexidade, que são as queimaduras de 2º e 3º graus.
No Paraná, apenas Londrina e Curitiba oferecem atendimento especializado. No caso de falta de leitos, a vaga é procurada em Joinville. Segundo o presidente da Acic (Associação Comercial e Industrial de Cascavel), Valdinei da Silva, com R$ 4 milhões é possível estruturar a ala. Ele salienta que dois deputados federais se propuseram a angariar a verba, mas não houve acordo com o governo federal. “Os deputados federais Eduardo Sciarra e Alfredo Kaefer colocaram a verba à disposição, mas o governo não tem liberado recursos”, afirma.
Valdinei adianta que a discussão da ala para queimados será retomada pela entidade em fevereiro. “Vamos retomar as discussões em fevereiro. Hoje, não existem especialistas na região oeste e sudoeste do Paraná. Se alguém sofrer um acidente morre sem atendimento. Essa é uma batalha longa e deve ser debatida por toda a sociedade”.

 

SAÚDE PÚBLICA
Em um mês três pessoas morrem no pronto atendimento

MP investiga mortes
ocorridas no PAC

O MP (Ministério Público) abriu processo para investigar as razões das sucessivas mortes de pacientes que buscam assistência médica no PAC I (Pronto Atendimento Continuado). Três episódios serão levados adiante pelo órgão, que vem apurando as acusações dos familiares. “Ainda há dificuldade para apontar os responsáveis. Se houve erro, descobriremos”, diz Ângelo Mazzuchi Ferreira, promotor de justiça
Pouco foi levantado até agora. Alegações de que faltaram medicamentos em um dos casos serão apuradas. Segundo a denúncia, um medicamento vendido por apenas R$ 2,30 nas farmácias de Cascavel poderia ter evitado a morte da pensionista Matilde de Albuquerque Silva Oliveira, 51 anos. A mulher faleceu a quase um mês no PAC I, após aguardar por cinco dias uma vaga em leitos hospitalares.
O anticoagulante Heparina, usado para tratamento de doenças vasculares e tromboses, não estava disponível, conforme Diego Franzolini, coordenador médico dos PACs, porque o medicamento só pode ser aplicado em hospitais após a recomendação de especialistas. “Não é um medicamento básico de emergência. Não precisaríamos ter, já que o PAC é para outros casos. Mas não podemos lavar nossas mãos, por isso, mudamos o quadro de atendimento”, diz Franzolini.
Diariamente, vários casos graves chegam ao PAC I. Pacientes aguardam por dias para conseguir um leito hospitalar. A demanda forçou mudança no atendimento. “Assumimos a função de um pequeno hospital, com atendimentos além da média complexidade. Pacientes de Cascavel, que necessitam de internamento, ficam no PAC. A recomendação é que essas pessoas permaneçam no máximo 36 horas no local”, relata Rubens Griep, diretor de Atenção Básica da Secretaria de Saúde.
O argumento do Município para a crise da saúde pública é que pacientes com doenças vasculares são barrados pelos hospitais quando necessitam de internamento. “Ninguém quer receber paciente vascular. Enquanto as pessoas morrem, a Central de Leitos não toma atitude”, diz Griep.
O caso da pensionista ainda gera divergências. Enquanto o coordenador dos PACs alega que não havia disponível a Heparina, Rubens afirma que o medicamento estava na unidade, mas não poderia ser aplicado sem diagnosticar a patologia. “Desde o dia 1º de novembro temos a Heparina. Como a mulher não tinha recebido atendimento de especialistas, não era possível aplicar o anticoagulante. O risco é grande, podendo provocar sangramentos internos”, relata.

INDIGNADA
Mulher alega excesso de medicação

As lembranças da convivência com a mãe ainda estão na memória da agente de endemias Raquel Shipitoski de Oliveira. Uma suposta crise de bronquite obrigou a dona de casa Alicia Shipitoski de Oliveira, 50, a procurar auxílio médico no PAC I. Após ficar em observação a mulher morreu. Na certidão de óbito consta que não houve atendimento médico, motivo que não convence a família.
Quase um mês após o caso, a filha está levantando todos os papéis necessários para abrir um processo. Ela está aguardando a entrega do prontuário médico onde constam todos os procedimentos durante o tempo em que a mulher recebeu atendimento. Ela acredita que a equipe cometeu erros ao utilizar alguns medicamentos. “Foram oito gotas de Berotec e 20 de Atrovent. A cada intervalo de dez minutos, ela fazia inalações de 15 minutos”, diz Raquel.
Amenizada a falta de ar, a dona de casa chegou a receber alta dos médicos. Pouco antes de deixar o PAC I ela faleceu. “Fiquei com ela o tempo todo. Saia em alguns momentos, mas logo voltava. Ela me ligou, disse que poderia ir para casa, pediu para que trouxesse o perfume e deixasse a chave onde sempre ficava. Outra paciente disse que antes dela sair, a enfermeira aplicou uma injeção. Foi quando minha mãe gritou e desmaiou”, relata a agente de endemias.
A morte mais recente no PAC I foi da aposentada Maria Aparecida Martins Alves, 67, domingo. As causas do falecimento não foram esclarecidas. Por isso, a família da idosa pediu exame de necropsia contestando o laudo médico. “No velório notamos que ela estava totalmente deformada. A possível causa da morte, falência múltipla dos órgãos, apresentada pela médica não está correta. Ela ficou pouco mais de uma hora no PAC”, diz o filho da mulher, Nerildo Antônio Alves, vigilante.

“Outra paciente disse que antes dela sair, a enfermeira aplicou uma Raquel Shipitoski de Oliveira, agente de endemias

INVERNO?
Frio surpreende cascavelenses

A queda da temperatura pegou de surpresa os moradores de Cascavel ontem. O resultado foi um desfile de roupas de inverno que abandonaram os armários em pleno mesmo com o período de forte calor, típico de final de Primavera. Em média, os termômetros marcaram uma queda de 15 graus entre a segunda-feira à noite e ontem, de acordo com o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná). Ontem cedo a temperatura mínima registrada foi de 12ºC.
Segundo o órgão, o fenômeno, comum no outono, pode ser considerado inusitado na primavera e foi causado pela passagem de uma frente fria, acompanhada por uma massa de ar frio e seco.
O meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, afirma que a diminuição da temperatura não é comum nesta época do ano. “É raro acontecer estas quedas de temperatura nesta época, no entanto é normal. A última que havia acontecido foi em 2001 quando as temperaturas na região de Cascavel chegaram a 10,6 graus”.
Está prevista uma ligeira elevação da temperatura hoje depois da passagem da frente fria. A massa de ar deve se deslocar para o oceano.
Elias Ubiratã, aposentado, se assustou na manhã de ontem ao sair de casa, ele afirma que teve que voltar buscar um casaco para se proteger do frio. “Estava de camiseta e tive que voltar colocar uma blusa, o tempo está ficando cada vez mais complicado e os mais velhos acabam sofrendo mais com isso”.
Maria Catarina de Morais, aposentada, também não esperava a queda na temperatura e saiu de casa agasalhada. “Estava escutando rádio de manhã e ouvi que estava frio, já peguei a blusa e sai preparada”.

 

FOTO LEGENDA:
Diversas denúncias já foram feitas por moradores sobre a quantidade de lixo na Rua Cipreste, no final do Loteamento Cidade Verde. Os terrenos baldios são usados por outros moradores como depósito de lixo. Esta semana, equipe de reportagem voltou ao local para conferir se o problema já tinha sido resolvido. O resultado foi desastroso: há mais lixo jogado no local. Os entulhos são de restos de construção, móveis velhos e até pneus. A Secretaria de Meio Ambiente informou que já programou uma limpeza na área e conta com a população para descobrir quem está jogando lixo no local.

 

SAS

Entidades têm medo que hospitais não participem de licitação

Servidores pedem mudanças no sistema

Servidores estaduais de diferentes categorias participaram ontem de uma audiência pública para decidir quais as ações serão desenvolvidas para resolver o impasse do SAS (Serviço de Atendimento de Saúde). Desde segunda-feira, os servidores da região de Cascavel estão sem atendimento.
Durante a audiência, foi criado o Fórum Regional dos Servidores Públicos do Estado do Paraná. O grupo se reunirá para discutir as reivindicações das categorias e buscá-las junto aos responsáveis. A primeira delas será a retomada do atendimento de saúde da região.
O processo para contratação de um estabelecimento de saúde está marcado para sexta-feira e o medo dos servidores é de que nenhum dos hospitais de Cascavel participe da concorrência. “Nós entramos em contato com a direção dos hospitais de Cascavel. Para participar é preciso não ter nenhum tipo de pendência, o que não é o caso de alguns hospitais. Outros não têm interesse por causa de convênios já firmados ou pelo valor pago”, conta Valci Maria Mattos, presidente da APP-Sindicato em Cascavel.
Outro pedido foi a mudança do sistema. A intenção é de que o governo do Estado protocole na Assembléia Legislativa uma nova proposta, mas se isso não for feito, os próprios deputados apresentarão a alteração. “A proposta é de atendimento descentralizado, pagar somente por serviço prestado e não por usuário como é feito hoje, atendimento sem restrições e também aumentar a destinação de verba”, explica José Lemos, suplente de deputado e representante da APP-Sindicato.
Ele afirma que o repasse feito ao SAS é menor do que era feito para o sistema anterior. “O governo gasta com o SAS aproximadamente R$ 6 milhões. No sistema anterior era feito um repasse de 2% do total da folha de pagamento, o que representaria hoje R$ 12 milhões”, ressalta Lemos.
Da audiência, resultaram documentos que serão encaminhados para o governo do Estado pedindo a mudança do sistema e para os hospitais de Cascavel para que participem da licitação. Uma nova reunião já está marcada para a próxima semana para analisar o resultado da licitação.

Sem atendimento

Enquanto o impasse não se resolve, muitos servidores tiveram tratamentos de saúde interrompidos. É o caso de Laura Zanin Muchelin, servidora aposentada. “Tenho hipertensão e fiz duas cirurgias há pouco tempo e estou sem médico. Não sei o que fazer”.
O serviço sempre gerou muita polêmica entre os servidores. Alguns afirmam não terem tido problemas. “Eu sempre fui muito bem atendida, não tenho do que reclamar”, diz Laura.
Já outros usuários esperam meses por uma consulta e ficam sem exames. Um dos usuários do sistema, que participou da assembléia e não quis ter o nome divulgado, contou que há dois anos tenta fazer um exame. “Há dois anos tento fazer o exame e não consigo. Já gastamos R$ 900 com isso e não descobrimos o que tenho. Para tentar resolver meu problema, o médico está fazendo testes com medicamentos em mim para ver qual funciona”, relatou.
José Lemos, representante da APP-Sindicato, destaca que os servidores querem atendimento de qualidade independente da instituição que for contratada. “É um desrespeito com os servidores essa situação. Estamos cobrando há muito tempo e o governo já deveria ter resolvido essa situação, pois foram avisados. Independe de quem ganhar, vamos cobrar um atendimento de qualidade”.
Sobre a possibilidade do HU (Hospital Universitário) assumir parte dos serviços, Lemos afirma que dependerá de ação do governo. “O processo atual não permite a participação do HU, mas o governo tem autonomia para fazer com que o hospital preste o serviço”.
O grande receio é de que o HU não tenha capacidade para atender a demanda de 17,5 mil usuários na região sem comprometer o atendimento da população.     

 

 

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