Edição nº 4984 - Domingo, 04 de maio de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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BILHETAGEM ELETRÔNICA
Substituição do vale-transporte pelo cartão deve acontecer em julho
Sistema gera dúvidas na população

Há muito se comenta a implantação da bilhetagem eletrônica em Cascavel, sistema que saiu do papel no início deste ano. No entanto, as informações até então disponibilizadas à população não foram suficientes para que os passageiros entendam como funcionará o sistema e as dúvidas são inevitáveis. A única certeza que se tem é que o comércio paralelo de vale-transporte está com os dias contados.
A bilhetagem eletrônica vai acabar com o sistema atual de vale-transporte em papel e centralizará o processo em um cartão magnético. O sistema está em fase de implantação e a previsão é de que a partir de julho comece a funcionar.
Em Curitiba a implantação durou três anos. O processo começou em 2000, quando apenas os trabalhadores do sistema de transporte passaram a ter o cartão, que depois foi estendido aos aposentados, às pessoas com necessidades especiais, aos estudantes beneficiados pelo passe escolar, até que todos os passageiros foram integrados ao sistema eletrônico. O cartão substituiu definitivamente o vale-transporte de papel em 2003.
Os principais argumentos para implantar o novo sistema são a possibilidade de traçar um perfil do transporte coletivo e a economia com o fim da evasão de receita gerada pelo comércio paralelo dos vales. Na capital do estado nem o perfil nem a economia foram computados até hoje. “O sistema ainda não chegou a um nível de desenvolvimento que permita a pesquisa de detalhes sobre o perfil”, revela o gestor de operação do transporte coletivo de Curitiba, Luiz Filla.
Já para Cascavel, o presidente da Cettrans, Manoel dos Santos, afirma que tão logo o sistema esteja funcionando o perfil poderá ser analisado. “Creio que na Capital eles não buscaram traçar este perfil, pois o sistema proporciona este trabalho”, assegura.
Com o perfil, é possível saber o número de usuários por linha, as principais conexões feitas e também os horários que cada linha fica com excesso de passageiros. “Podemos, com isso, planejar as ações de melhoria do transporte coletivo, como saber se realmente a linha do Lago Azul possui poucos passageiros e se o Floresta está precisando de mais ônibus. Hoje ficamos sabendo desses fatos quando a população se manifesta, e, com a informatização, poderemos resolver o caso antes que gere prejuízos para quem utiliza o transporte”.
Apesar de o sistema ficar eletrônico, os cobradores serão mantidos para auxiliarem no uso do cartão e também, como é feito hoje, a receber a passagem em dinheiro daqueles que não tiverem o cartão.
Outro benefício da informatização é o controle de horários, que será feito de forma imediata, por meio dos terminais de transbordo. “Se uma linha começa a sofrer atrasos, podemos investigar imediatamente para solucionar o problema, pois quando o ônibus chegar ao terminal, os dados do validador serão descarregados”, afirma Manoel.

ECONOMIA
Fim do mercado paralelo
A Cettrans vê na informatização do sistema de transporte coletivo o fim do mercado paralelo de vale-transporte e também o fim do abuso das gratuidades. “Com a bilhetagem as pessoas não poderão mais trocar os vales por combustível ou por alimentos e lanches em geral. O vale servirá única e exclusivamente para que o funcionário se desloque de casa para o trabalho e vice-versa”, adianta Manoel dos Santos, presidente da Companhia.
O caso de desvio de finalidade para o beneficio é considerado grave e pode, inclusive, resultar na demissão por justa causa do funcionário. “As pessoas não se preocupam com isso porque é raro alguém ser demitido [por essa razão], mas é fato que esse desvio resulta em prejuízo, o que geralmente acarreta em aumento da tarifa”, frisa.
O fato de obrigar o funcionário a usar o vale deve causar um aumento significativo no número de passageiros dentro dos ônibus, uma vez que esse vale já foi vendido. Esse aumento deve trazer, pelo menos no início, diversos transtornos. “A idéia é justamente aumentar esse número de passageiros nos ônibus e diminuir o valor da tarifa. Talvez não agora, mas em breve. Hoje giram em Cascavel, por mês, aproximadamente 2 milhões de vales. A idéia é aumentar esse número”.

ESCOLAR RURAL
Veículos do transporte passam por vistoria
Cerca de 27 veículos, entre ônibus, Vans e Kombis, utilizados no transporte escolar rural em Cascavel passaram ontem por fiscalização da Cettrans (Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito). Na frota, que pertence à empresa Silva & Risso, foram verificados pneus, cinto de segurança, tacógrafo, extintores, parte elétrica, entre outros itens que garantem a segurança dos estudantes. Segundo fiscais da Cettrans, antes da vistoria são verificados os documentos dos veículos, que devem ter no máximo dez anos. Em caso de irregularidades, o proprietário da frota tem dez dias para apresentar o carro para nova vistoria. Ontem foram constatados somente problemas elétricos, que acabaram corrigidos por um profissional do ramo presente no local.
Dez fiscais estão trabalhando e hoje realizam vistoria na frota da empresa Transpaula. No total, 38 veículos serão avaliados.
O empresário André Silva e Rizzo, da empresa fiscalizada ontem, observou que a verificação se faz necessária e é importante para comprovar que o serviço está sendo oferecido com qualidade e segurança.
A vistoria é feita duas vezes por ano, a cada seis meses.

INFORMATIZAÇÃO
Empresa não cumpriu 173 itens acordados
Projur recomenda a
rescisão de contrato

A Projur (Procuradoria Jurídica) da Prefeitura de Cascavel emitiu parecer sobre o processo de informatização da saúde, recomendando a rescisão do contrato com a empresa Fabrício e Marques Ltda.
A decisão teve como base um relatório da comissão formada para avaliar a implantação do sistema. “Dos 400 itens avaliados, 173 não foram cumpridos pela empresa. A primeira fase não chegou a ser concluída”, explica Antônio Linares Filho, procurador jurídico do Município.
De acordo com o relatório, nas unidades onde foi instalado o programa está funcionando. “Funciona, mas precisamos de toda a rede instalada”, comenta o procurador.
O parecer já foi encaminhado para o secretário de Saúde, Nadir Willi, que também emitirá opinião. “Conversei com o Willi e a tendência é de que ele siga o parecer da Procuradoria”, diz Linares.
Depois o documento segue para o prefeito Lísias Tomé, que decidirá pela rescisão ou não do contrato. “O prefeito é quem decide. Se ele acolher a decisão na próxima semana já será publicado no ‘Diário Oficial’”, afirma o procurador.
Além da quebra de contrato, a empresa está sujeita a penalidades. “O contrato prevê multa de 10% dos valores recebidos pela empresa, impedimento de participar de licitações públicas e até a emissão da declaração de inidoneidade”, declara Linares. A empresa tem o direito de recorrer somente sobre as penalidades.
Quanto aos próximos passos da informatização, Linares afirma que todas as possibilidades serão cuidadosamente analisadas. “Não podemos fugir desta necessidade. Sabemos que hoje empresas de Cascavel já têm condições de fazer o serviço. Mas antes de qualquer decisão, faremos um extenso levantamento”, ressalta Linares.
Uma das alternativas é a utilização de programas desenvolvidos pela Celepar (Companhia de Informática do Paraná), oferecidos de graça. “Uma comissão formada por funcionários da Secretaria de Saúde e do Departamento de Informática da prefeitura deve ir até Curitiba conhecer os programas oferecidos pelo Estado”.
A Fabrício e Marques Ltda. tinha seis meses para concluir a instalação a partir da assinatura do contrato, mas já se passaram mais de um ano do início do serviço, ainda sem conclusão. A empresa recebeu até agora aproximadamente R$ 90 mil, correspondentes ao serviço executado. O valor total do contrato é de R$ 1,79 milhão.

DENGUE
Possíveis criadouros são encontrados em locais públicos
A possibilidade de uma epidemia de dengue em Cascavel fez com que as ações de combate à doença fossem intensificadas desde o início de 2008. Mutirões de limpeza já foram realizados em vários pontos da cidade. Novas ações educativas foram implantadas.
Um dos principais apelos das autoridades de saúde é para que a população mantenha seus quintais limpos. No entanto, a própria Prefeitura de Cascavel não está seguindo uma das recomendações básicas. Evitar que a água limpa fique acumulada.
As obras da Praça Wilson Joffre ainda não foram concluídas. Uma das novidades no local será um chafariz. A estrutura já começou a ser construída e enquanto não é finalizada serve para acumular água da chuva. Há mais de um mês é possível observar a estrutura quase cheia.
Uma das alternativas para oxigenar a água e evitar que o local se torne um criadouro do mosquito da dengue é a utilização de uma bomba. O equipamento já estaria instalado, mas não está em funcionamento.
Outro ponto que não recebe cuidados é um dos quiosques do Calçadão da Avenida Brasil. O local está desativado e há mais de 15 dias a ex-proprietária abriu mão do ponto comercial. As chaves foram entregues ao secretário de Planejamento, Alessandro Lopes.
O telhado forma pequenas valetas onde a água da chuva fica acumulada. O teto também serve de depósito. Alguns engradados com garrafas estão expostos, sem nenhuma proteção.
Na Avenida Tancredo Neves, ao lado da 10ª Regional de Saúde, mais um local com água parada. A estrutura de concreto servia de base para uma placa com orientações aos motoristas. A placa foi retirada e no local onde era fixada formou-se um buraco, onde a água fica depositada. Pequenas plantas começaram a nascer.
Depois do contato da reportagem do Hoje, uma equipe do Programa de Combate a Endemias verificou a situação de dois locais.
Segundo a coordenadora do programa, Cristina Carnaval, na praça não foram encontradas larvas do Aedes aegypti, por ser uma construção nova. Ela confirmou que a bomba no chafariz não está ligada. Os agentes aplicaram larvicida na água.
No quiosque também não foram encontradas larvas, mas foram recolhidas mais de 500 garrafas de vidro, que foram levadas para o Ecolixo.
A preocupação é que os ovos do mosquito suportam um grande período de seca. No primeiro contanto com a água podem eclodir.

ALAGADA
Em dias de chuva, a Rua Acre vira lago
A imagem registrada por um cidadão cascavelense mostra a situação da Rua Acre, Bairro Country, nos dias de chuva. O lago impede a passagem dos moradores, que são obrigados a desviar o trajeto quando chove.
O asfalto da rua foi construído semana passada, mas a boca-de-lobo foi esquecida. A fotografia é do síndico de um condomínio, tenente Diego Astori, e foi entregue à prefeitura, mas a situação persiste. “Quando chove muito, não passo com o carro, pois o nível de água passa de meio. Ficam alagadas as Ruas Acre e a Di Cavalcanti. É uma rua muito usada por todos os moradores”, relata Astori.
Segundo o engenheiro da Secretaria de Serviços e Obras Públicas Jéferson Maciel, o serviço foi feito pela metade pois as equipes de pavimentação e de instalação das bocas-de-lobo não trabalham juntas. O problema já era de seu conhecimento e ele garante que na semana que vem tudo estará resolvido.
De acordo com Maciel, a rua possui as valetas de escoamentos, mas estão entupidas. “Havia um problema na tubulação do Ecolixo, que já foi arrumada. Talvez tenhamos que abrir mais bocas-de-lobo, mas a rua já possui toda a tubulação. Vamos desentupir as bocas-de-lobo que existem e o problema será resolvido”.

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