Asilo tropical
Mara Montezuma Assaf – reside em São Paulo (SP) - montezuma.fassa@gmail.com
Ao mesmo tempo em que o ministro Tarso Genro e o presidente Lula investem suas forças para conseguir o asilo tropical para o assassino terrorista Cesare Battisti - sob a tese de que ele nunca matou ninguém e que a Justiça italiana cometeu um erro - vem de novo o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, pedir mudança na Lei de Anistia para que torturadores do tempo do governo militar possam ser exemplarmente punidos.
Seguindo a mesma linha de raciocínio usada por Lula e Tarso Genro no caso Battisti, não é o caso agora de se perguntar também: mas que torturados? Quais torturadores?
Conclui-se que em contraposição à Lei de Anistia ampla, geral e irrestrita aprovada nos anos 80, este governo deseja colocar em vigor uma lei de anistia que seja mínima, específica e restrita, para exclusivo gáudio dos que rezam a cartilha dos esquerdopatas, e incisivo castigo dos que, à época, ousaram contê-los - terroristas que eram - a bem da segurança e da ordem nacional.
E antes que me “torturem” também... quero deixar claro que sou absolutamente contra governos ditatoriais, sejam de direita ou de esquerda. Assim como sou absolutamente contra as teses cínicas que querem nos fazer descer goela abaixo.
Lutero e suas teses
Emo Urbino é cidadão cascavelense - emourbino@hotmail.com
É comum se dizer que Lutero concretizou seu protesto ao meio-dia de 31 de outubro de 1517, afixando às portas da Schlosskirche (Igreja do Castelo) de Wittenberg 95 teses latinas sobre as indulgências, o pecado, a penitência e sobre o purgatório convidando todos os eruditos para uma disputa pública a respeito das mesmas. Na verdade, porém, essa versão é lendária. Ninguém mencionou tal façanha enquanto Lutero viveu.
O primeiro a referi-la foi Melancton em 1546; não se sabe donde tirou a notícia nem ele cita fonte alguma; em 1517 Melancton não se achava em Wittenburg, mas em Tübingen; portanto, não foi testemunha do alegado. De resto, sabe-se que Melancton nem sempre é exato quando narra pormenores da juventude de Lutero.
Pode-se supor que, lendo as 95 teses e o convite de Lutero para um debate público, tenha Melancton imaginado que se tratava do anúncio de uma disputa acadêmica, anúncio que se fazia geralmente afixando proclamas às portas das igrejas.
O fato certo é que, aos 31 de outubro de 1517, frei Martinho Lutero escreveu, indignado, uma carta de protesto ao arcebispo de Mogúncia, enviada com um exemplar de suas teses.
A carta pedia que fosse retirada de circulação a Instructio e corrigido o modo de pregar as indulgências.
Portanto, a numeração se deve aos tipógrafos que as imprimiram em fins de 1517 de acordo com as cópias oferecidas por Lutero e seus amigos.
A variedade das proposições permite distinguir rumos diversos entre elas. Assim há:
*teses aceitáveis ao catolicismo nº 1.2.3.7.26.38.41;
*teses demagógicas nº 92.93.94.95;
*teses que supõem o conceito luterano de justificação nº 5.20.21.25.32.56.58.62;
*teses que procuram reconhecer o magistério do Papa nº 42.50.51.53.55.70.91.
*teses sarcásticas nº 65.66.82.86.
Convém esclarecer que Lutero proferiu suas teses sem a intenção de se afastar da Igreja.
Assim, a 3 de março de 1519, Lutero escreve ao papa Leão X: “Perante Deus e todas as suas criaturas dou testemunho de que nem desejei nem desejo tocar, ou por intriga solapar, a autoridade da Igreja Romana e a de vossa santidade”.
Dois dias depois, escreve a Spalatin: “Nunca foi minha intenção desertar da cátedra apostólica”.
Porém, a nação alemã aproveitou-se da rebeldia de Lutero para desabafar suas tendências antirromanas, que haviam caracterizado a política dos imperadores germânicos durante a Idade Média.
O ambiente predisposto pela política contra Roma favoreceu o cisma de Lutero, que tem sido visto pelos alemães não somente como figura religiosa, mas também, e muito, como porta-voz das reivindicações da nação germânica do século XVI.
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