| ELEIÇÕES
Por enquanto apenas cinco estados adotaram rigor
Justiça
fecha cerco contra candidatos de “ficha suja”
Os TRÊS
(Tribunais Regionais Eleitorais) prometem fechar o cerco, nas eleições
deste ano, a candidatos com "ficha suja" na Justiça.
Em cinco estados, a orientação para partidos e juízes
é de evitar que políticos com passado "não recomendável"
disputem as eleições.
O movimento “anti-ficha suja” é mais forte em Alagoas,
Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte.
Em todos, as palavras de ordem são “bom senso” e “analisar
caso a caso”.
Os tribunais deixam claro que não pretendem definir quesitos para
que uma candidatura seja aceitável ou não.
Um candidato que responda a cinco processos e não tenha sido julgado
em nenhum e aquele que seja réu em apenas uma ação,
mas que já tenha sido condenado em primeira instância, poderão
estar ou não no mesmo patamar para disputar a eleição.
Isso vai depender, segundo os tribunais, da gravidade, da repercussão
do crime e de como isso poderá afetar a atuação deles
como prefeitos e vereadores.
A lei complementar 64/1990 diz que são inelegíveis candidatos
condenados em processos já transitados em julgado (quando não
há mais possibilidade de recursos para instâncias superiores)
em casos de crimes contra economia popular, fé pública,
administração pública, patrimônio público
e mercado financeiro, além de tráfico de entorpecentes e
crimes eleitorais.
Já para defender a tese da “ficha limpa”, os juízes
têm se baseado no princípio da moralidade. “Para fazer
um concurso de merendeira no Estado, é exigida uma ficha limpa.
Um vereador ou um prefeito, que vai fiscalizar a coisa pública,
como vai ser eleger com a ficha suja?”, questiona o presidente do
TRE de Alagoas, Antônio Sapucaia.
Na semana passada chegou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma consulta
sobre a candidatura de políticos que respondam a processos sem
condenação definitiva. Carlos Ayres Britto, agora presidente
da corte, evita antecipar o voto.
“É natural. A democracia se aprofunda e passa a exigir maior
qualidade de vida política para o país. Que a representação
popular pelos políticos se faça a partir de uma vida pregressa
deles, senão imaculada - não é isso que se exige
-, pelo menos não marcada por um passivo processual escandaloso,
por uma má fama pública e notória”, afirma.
“Se a decisão vier a ser tomada no sentido de exigir uma
vida pregressa nesse padrão [de moralidade], que sejam fixados
critérios objetivos para a Justiça eleitoral, que não
seja uma coisa puramente subjetiva desse ou daquele juiz, desse ou daquele
tribunal regional”, acrescenta.
Mais discussão
A
discussão sobre a ficha dos candidatos ganhou mais um elemento
recentemente. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça)
do Senado aprovou projeto do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que determina
que a Justiça Eleitoral divulgue, no rádio e na TV, os nomes
de candidatos que respondam a processos.
“Hoje, não pode ser candidato quem tiver sido condenado em
caráter definitivo. Em outras palavras, ninguém é
proibido no Brasil. Tem gente que está sendo processada há
40 anos, recorre daqui, recorre pra lá, e nunca acontece nada”,
diz o senador.
Simon promete dar mais carga à polêmica com outro projeto,
desta vez para proibir a candidatura de quem é réu em algum
processo.
CONGRESSO
Emenda 29 é destaque da pauta
A
regulamentação da Emenda Constitucional 29, que prevê
o repasse de mais recursos para a saúde, com a votação
do projeto de lei do Senado e a criação da CSS (Contribuição
Social para a Saúde), é o principal assunto da Câmara
dos Deputados nesta semana. A discussão e votação
da matéria está prevista para amanhã. A oposição
e o governo convergem na necessidade de aumentar os recursos para a saúde.
A oposição, no entanto, não aceita a criação
de nova contribuição para financiar a saúde e justifica
que há excesso de arrecadação e, portanto, não
é necessária a criação de uma nova tributação.
Já os aliados do governo afirmam que querem a regulamentação
da Emenda 29, mas que para isso é necessário ter fonte de
financiamento com a aprovação da CSS junto com o projeto
que regulamenta a Emenda 29.
Na semana passada, a oposição entrou em obstrução
para impedir a votação da proposta, o que levou os aliados
do governo a adiar a votação. A oposição promete
continuar obstruindo os trabalhos, para impedir a aprovação
da CSS. Para aprovar o projeto, o governo precisa de 257 votos favoráveis.
Os partidos que compõem a base aliada somam mais de 350 votos.
Antes de começarem a discussão da regulamentação
da Emenda 29, os deputados terão que votar a Medida Provisória
424, que abre crédito extraordinário de R$ 1,8 bilhão
para diversos órgãos do Poder Executivo. A MP está
trancando a pauta e nenhuma outra matéria poderá ser votada
antes dela.
Contra
o imposto
Novo líder da bancada do PDT no Senado, o senador Osmar Dias anunciou
que irá votar contra a criação da CSS. O novo imposto,
caso aprovado, servirá para financiar a saúde, substituindo
a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira), extinta no final do ano passado.
Osmar disse que irá convocar a bancada para formalizar sua posição,
que já foi comunicada ao Ministro do Trabalho, Carlos Lupi. “Eu
disse ao Lupi que não vai adiantar ele fazer como da outra vez,
quando pressionou a bancada e houve fechamento de questão”,
disse o senador, referindo-se à votação da proposta
de redução da alíquota da CPMF, em 2006.
Lupi disse ao senador que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) não fez nenhum tipo de pedido para orientar a posição
da bancada. “E mesmo que fizesse, desta vez, não iria funcionar”,
afirmou o senador paranaense. A posição dos pedetistas reforça
a tese de que o novo imposto não passará no Senado.
ENTREVISTA
Líder tucano se posiciona como grande fiscal do governo Requião
“Ataques não intimidam, me deixam
mais valente”
Líder
da oposição na Assembléia Legislativa do Paraná,
o deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB) é considerado a maior
pedra no sapato do governo estadual. O tucano já travou discussões
memoráveis com parlamentares da base governista e com o próprio
governador Roberto Requião (PMDB), que segundo palavras do próprio
tucano, ficarão na memória dos paranaenses apenas pelas
Escolas do Governo, de todas as terças-feiras.
Presidente estadual do PSDB, Rossoni esteve em Cascavel para comandar
a penúltima etapa dos encontros regionais promovidos pela sigla.
Em entrevista ao Hoje, o experiente político falou de suas brigas
travadas com o governo e não fugiu dos questionamentos relativos
a críticas recebidas nos últimos dias, após ser citado
pelo Ministério Público por envolvimento em operações
ilícitas com recurso público.
A denúncia envolve uma série de políticos na operação
de compensação de créditos entre a Copel e a empresa
Olvepar, no valor de R$ 39,5 milhões, durante o mandato do ex-governador
Jaime Lerner. Parte dos recursos, segundo a denúncia, foram usados
para custear despesas de campanhas dos políticos citados.
Rossoni diz que ficou surpreendido com a denúncia, afirmando que
já solicitou que seja aberto seu sigilo bancários e contas
telefônicas. Ele afirma ser alvo de ataques na tentativa de desestabilizá-lo.
“Eles cometeram um equívoco se acham que me intimidei com
isso, pois isso só me deixou mais valente”.
O parlamentar voltou a fazer críticas relacionadas à situação
do Porto de Paranaguá, as quais afirma que são motivadas
pelo desleixo, má vontade e incompetência do Estado, além
dos gastos com cartões corporativos no Governo Requião.
Jornal
Hoje: Durante a semana, o deputado recebeu as informações
sobre os gastos com cartões corporativos do Governo Requião
e solicitou o auxílio do Tribunal de Contas. O senhor já
analisou a documentação?
Valdir
Rossoni: Vou te devolver uma pergunta. Se você tem um arquivo
em casa, você guarda num papel em uma gaveta ou no computador? Bem,
este governo ainda está no século passado, ele mandou um
caminhão de documentos todos fora de ordem. Somente por ter enviado
aquele monte de caixas, o governo já deveria ser processado. Recebemos
aquelas caixas na quarta-feira, mas até agora não abrimos.
Faremos isso segunda-feira [hoje], mas vou abrir na frente da imprensa,
porque quero que todos saibam como o governo enviou as documentações.
Hoje:
O senhor também vem sendo um crítico da situação
do Porto de Paranaguá. Qual a conclusão tirada após
a audiência pública realizada na semana?
Rossoni: A situação no Porto é gravíssima,
que pode acarretar em uma tragédia. Não há outra
saída a não ser convocar o superintendente do Porto [Eduardo
Requião] para questioná-lo. A audiência com o engenheiro
Gert Prange [especialista no setor portuário] deixou clara a gravidade.
O governo age com má vontade, desleixo e incompetência.
Hoje:
O senhor também foi alvo de críticas na última semana,
por uma denúncia de envolvimento com uso de subsídios da
Copel para gastos com campanhas. O que tem a dizer sobre isso?
Rossoni: Seria estranho se eu não fosse atacado. Para
quem fiscaliza da forma que eu fiscalizo, eu não receber nenhum
ataque estava sendo até estranho, principalmente sendo oposição
do governo que eu sou. Tenho 55 anos e nenhum processo, nenhuma denúncia
contra mim. Estou absolutamente tranqüilo, se isso foi uma forma
de intimidar, eles cometeram um equívoco, pois só me deixaram
mais valente. Não posso falar de algo que não tenho conhecimento,
nunca acompanhei essa denúncia, nunca fui intimado, não
posso falar do que eu não sei. O que estranhei é meu nome
estar lá, mas é claro que isso interessa a muita gente.
Eles [governo] querem ter um líder da oposição enfraquecido.
Hoje:
Em relação às eleições de outubro,
como estão os trabalhos de preparação do PSDB?
Rossoni: Depois de Cascavel, só faltará Curitiba,
região metropolitana e litoral para realizarmos nossos encontros
regionais, que será realizado no dia 28 de junho. Já percorremos
todo o Estado, preparando nossos pré-candidatos a vereador, vice-prefeito
e prefeito. Estamos dando condições mínimas para
que eles possam discutir projetos e propostas, trazendo lideranças
do partido para se integrar as eleições municipais, procurando
mostrar que estamos em busca de um PSDB forte.
Hoje:
Qual a importância do pleito de outubro para o sucesso na sucessão
do governo do Estado em 2010? O PSDB terá candidato próprio
ao governo?
Rossoni: Se nós não tivermos um bom 2008, não
teremos um bom 2010. As perspectivas são boas, tudo caminha bem
e esperamos que os alicerces de 2010 aconteçam agora em 2008. Nós
defendemos candidatura própria do PSDB, mas não desprezamos
a conversa com os nossos aliados. Temos bons nomes como o prefeito [de
Curitiba] Beto Richa, os deputados Gustavo Fruet e Alfredo Kaefer e o
senador Alvaro Dias. Mas estamos em Curitiba compondo uma grande aliança
para eleger o prefeito e nós temos aliados neste projeto, nós
não podemos construir um projeto sem os nossos aliados.
Hoje:
Em relação a sucessão a prefeito em Cascavel, o PSDB
confirmou aliança com o PDT, que tem o nome do deputado Edgar Bueno
como pré-candidato. O que pensa desta composição?
Rossoni: É uma decisão sábia, nós
sabíamos que o deputado Alfredo [Kaefer] iria dar um bom caminho
para o PSDB, depositamos toda confiança nele e concordamos com
sua decisão. O deputado Edgar [Bueno] se caracteriza pelo seu caráter,
ele tem uma longa história pública, sem nunca ter questionada
sua integridade moral. Ele tem todos os indicativos para ser o prefeito
que Cascavel precisa. Ao ter sido deputado, ele abriu caminhos. Na posição
de prefeito, você tem que buscar recursos e o deputado tem essa
experiência.
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