Edição nº 5013 - Segunda-feira, 02 de junho de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
Principal - Opiniões

O comportamento da sociedade frente à violência
Suzana Carnielli do Prado é estudante do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Cristo Rei, em Cascavel - zaninha_zaninha@hotmail.com

Já estamos fartos de ouvir falar em violência e seus respectivos atos e notícias, principalmente quando tratamos de violência urbana, como no “caso Isabella”, que deixou grande parte da população indignada.
Em todo o País, a violência cresce desenfreadamente e as crianças vêm sendo o grande alvo, pois são 400 mil que sofrem algum tipo de violência anualmente. Esse tipo de violência urbana está pareado com assassinatos, por exemplo. A situação está tão crítica que as pessoas, em seus próprios carros, têm sua segurança ameaçada.
Um comportamento não notável, inexplícito, porém freqüente, é que as novas casas construídas são fortemente preparadas contra violência, apresentam alarmes, câmeras de vigilância, altos muros e portões, cercas elétricas, grades, que seriam, não dispensadas, mas reduzidas se as punições para os que praticam a violência fossem mais rígidas e se o policiamento fosse imposto e organizado adequadamente.
Outro problema ocasionado pela violência urbana e que deve ser ressaltado é o trauma psicológico que algumas pessoas carregam em suas vidas, por serem vítimas de tal violência, e que não só elas, mas todos que a sua voltam vivem sofrem e são indiretamente atingidos pelo ato.
Com o avanço da tecnologia e o seu crescimento exacerbado, os responsáveis pela segurança no Brasil deveriam absorver o que a tecnologia proporciona de melhor nesse aspecto e empregar em novas estratégias de bem-estar e segurança dos cidadãos, bem como inspirar novas leis para atender alguns anseios contra a violência que a humanidade vem propondo e cada vez mais exigindo.

O controle social X atividade policial
Arthur Conceição - cientista político e membro do Centro de Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná

Hoje a maior pauta de discussão na mídia e nas casas parlamentares de todo o País é sobre a questão da segurança pública. Estamos vivendo um pandemônio na estrutura das forças policiais em todos os estados da Federação. A cada dia aparecem de forma esparsa dados reveladores da violência policial sem controle e cada vez mais militarizada.
Segundo alguns estudos do (Necvu/UFRJ) Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os dados parciais que foram encontrados podem chegar a um maior número de mortes de policiais do que no período da ditadura militar no Brasil (1964-1985). Não se tem uma confirmação precisa, pois os dados não são oficiais.
Atualmente, a grande dificuldade de planejamento da segurança pública é devida à falta de relatórios confiáveis. Sem um diagnóstico do problema na forma como ele é, não é possível planejar políticas públicas adequadas e muito menos avaliá-las para se saber se são eficientes. Nos últimos cinco anos esse problema tem levado muitos estados federados e a própria União a dar uma melhor atenção na elaboração das estatísticas sobre violência e segurança pública. Em algumas unidades federativas, o Poder Legislativo aprovou leis que obrigam a publicação periódica dos números das atividades policiais e de todo o aparato da segurança pública.
O grande problema na elaboração dessas estatísticas é quem está manipulando. Para haver uma maior confiança na elaboração dos dados é preciso um controle externo da sociedade civil organizada, quanto à elaboração deste instrumento de controle. Alguns números estatísticos, hoje, existem, mas não são disponibilizadas para a opinião pública ou para os especialistas e estudiosos. Muitos governos tendem a difundir apenas o que não seja comprometedor, com medo de que uma divulgação mais ampla possa se transformar em maior cobrança da sociedade ou dos meios de comunicação. Esse pensamento é totalmente arcaico, fundamentado em conceitos militarizados. Quem tem dados que não precisam ser revelados é o Exército por questões estratégicas ou meramente por ser ações de defesa da soberania. O Exército pode ter essa prerrogativa, mas a Polícia Militar nunca, pois ela faz parte do desenvolvimento da sociedade. Principalmente as mortes devem ser reveladas pelos policiais.
O Comando de Policiamento de Choque de São Paulo, a tropa de elite da Polícia Militar, que inclui a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), é campeão absoluto em casos de resistência seguida de morte - quando alguém acusado por algum crime reage à prisão e morre em suposta troca de tiros com PMs. Em 2006, quando ocorreram os ataques de integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) contra as forças de segurança, 495 pessoas morreram no Estado de São Paulo em 12 dias em supostas trocas de tiros com PMs em serviço. Isso representou uma média de 1,3 morte por dia. Aos homens do CP Choque foram atribuídas 94 mortes ou seja 20% do total. E nenhum desses policiais foi sequer investigado ou punido. A impunidade paira no ar aos agentes de segurança. Porém, a Polícia Militar que mais mata no Brasil é a da cidade do Rio de Janeiro, que em 2007 fuzilou, com média de seis tiros por cadáver, 1.260 pessoas, conforme o registro referente aos autos de resistência apresentado pela Secretária de Segurança do Estado, dizendo que foi por resistirem à prisão. Agora o dados são de fato confirmado pela AI (Anistia Internacional) divulgado terça-feira (27/05), em Londres. Uma vergonha para a sociedade brasileira.
O número de pessoas mortas em operações policiais no Estado carioca aumentou 20% em um ano, sendo que em 2006 foram mortas pela PM/RJ 982 pessoas. Nesse mesmo tempo morreram apenas 31 policiais em serviço, contra 25 em 2006. Tudo isso está envolto o conceito militar de fazer segurança pública. Agem sempre com a palavra combate, usam regras militares, não se submetem a aquartelamento e nem fazem muito planejamento estratégico de forma civil. Os comandantes fazem sem escutar a base. O resultado de tudo isso é morte, descontentamento no trabalho e aumento da corrupção devido ao alto grau de hierarquia. As Forças Armadas sempre foram e devem ser militares e dispõem de tempo e recurso para manter o aparato militar. Agora as polícias gastam muito tempo para manter a estrutura e deixam de planejar segurança pública.
Agora quando o ministro da Secretária Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, propôs grupos intersetoriais para ajudar na fiscalização da polícia como um todo, vozes contrárias dos comandos das instituições policiais se levantam. Essas vozes contrárias são um erro e esse é um grande passo para democratizarmos a segurança pública, e devemos sempre aceitar mudanças e propormos uma polícia única estadual no nosso país. A sociedade deve pensar numa polícia com uma estrutura mais simplificada e desmilitarizada e com menos hierarquia, pois será mais fácil o controle institucional e a fiscalização da sociedade civil. Com essa proposta de controle a União passa a pensar e novas regras e discussões abrirão novas portas para melhorar o aparato policial brasileiro.

Janelas:
Estamos vivendo um pandemônio na estrutura das forças policiais em todos os estados da Federação

A sociedade deve pensar numa polícia com uma estrutura mais simplificada e desmilitarizada e com menos hierarquia, pois será mais fácil o controle institucional e a fiscalização da sociedade civil

Expediente - Fale Conosco



Enquete

Você acredita que os radares vão ajudar a reduzir acidentes em Cascavel?

Sim
Não


Resultado Parcial




Pauta
Envie sua sugestão de pauta, matéria ou release para o Jornal Hoje.

Edições Anteriores a 21/07/2009
disponíveis na íntegra para consulta.

Video 30 anos
Veja aqui o vídeo promocional 30 anos Jornal Hoje

Busca online