AVALIAÇÃO
Setor foi o carro-chefe da campanha do atual prefeito em 2004
População diz que Lísias
não vai melhorar a Saúde
A população de Cascavel não espera em uma melhora
na saúde pública, conforme a pesquisa SDS/Hoje, que perguntou
aos entrevistados se eles acreditam que o prefeito Lísias Tomé
poderia melhorar a saúde pública no Município. Das
400 pessoas ouvidas dias 5 e 6 de dezembro, 70,50% não acreditam
na melhora do setor, contra 28% que crêem que Lísias conseguirá
cumprir com uma das suas principais promessas da campanha à prefeitura
em 2004. Apenas 1,5% não opinou.
A atual administração municipal implantou o sistema de agendamento
de consultas nos postos de saúde e pouco tempo depois recuou. Hoje
cada unidade opera num sistema próprio.
Mas um dos problemas mais graves e que desencadeou a crise no setor, a
falta de médicos, ainda não foi resolvido, embora a administração
tenha realizado concurso público emergencial pouco antes das eleições
de 1º de outubro, apenas cinco profissionais foram contratados e
o processo foi postergado para este ano.
A pasta sofreu outro agravante: a constante troca de secretários.
Desde que assumiu, há dois anos, Lísias já trocou
cinco vezes de titular, tendo, inclusive, chefiado a secretaria por um
tempo.
O prefeito disse que comentaria a pesquisa somente depois da publicação
da matéria sobre o assunto.
A margem de erro da pesquisa é de 4,6 pontos percentuais para mais
ou para menos.
Iniciativas
No entanto, a saúde pública de Cascavel ganhou reforço
em 2006 com a implantação do Samu (Serviço de Atendimento
Móvel de Urgência), que descongestionou o Siate (Sistema
Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência).
Também houve a construção, ampliação
e reforma de UBSs (Unidades Básicas de Saúde), mas o que
não foi suficiente para desafogar os PACs (Postos de Atendimento
Continuado). Ao longo do ano foram realizadas várias reuniões
entre os gestores de saúde pública para que os PACs mudassem
o sistema de triagem e encaminhamento de pacientes ao HU (Hospital Universitário),
cuja direção chegou a reclamar que muitos atendimentos poderiam
ser resolvidos nos próprios postos de saúde.
UNANIMIDADE
Na periferia há a menor confiança
A administração municipal está desacreditada em Cascavel
em relação à saúde, porque em todas as regiões
do Município, sejam em áreas nobres ou periferias, a maioria
das pessoas disse que não acredita em uma melhora na saúde
pública municipal.
No entanto, os índices sobem na periferia. Os entrevistados da
periferia da zona norte estão entre os mais descontentes, com 82,14%
afirmando que a saúde não vai melhorar. Em seguida está
a periferia da região oeste, onde 75,76% da população
concorda com o grupo anterior, seguido de 75% das pessoas do Centro.
Na área nobre da região sul ocorreu o menor desempenho negativo
da administração municipal: 60,38%.
Em todas as demais regiões mais de 60% dos entrevistados disseram
não ter expectativa positiva quanto à melhoria do setor.
Você acredita que o Governo Lísias vai melhorar a saúde
pública em Cascavel?
Sim 28,00%
Não 70,50%
Não informaram 01,50%
CONTROVÉRSIA
Entre os entrevistados pela reportagem do Hoje, as opiniões são
controversas. “Se ele não melhorou até agora, não
vai melhorar daqui para frente”, acredita a dona de casa Marilei
Vieira Pires. “Para mim a área da saúde está
ótima até agora, mas não posso garantir que vai melhorar”,
afirma o operador de máquina João Ribeiro. “Acredito
que melhora, mas é preciso ter um pouco de paciência”,
disse a dona de casa Rosa Bonoto.
Para a dona de casa Mariana Alves de Oliveira, o sistema de saúde
não evoluirá. “Acho que a saúde não
vai melhorar, já que não fez nada até agora. Não
estou conseguindo médico para me atender”, reclama.
FOTOPERSONAGENS:
“Não vai melhorar daqui para frente”
Marilei Vieira Pires, dona de casa
“Não posso garantir que vai melhorar”
João Ribeiro, operador de máquina
“É preciso ter um pouco de paciência”
Rosa Bonoto, dona de casa
“Acho que a saúde não vai melhorar”
Mariana de Oliveira, dona de casa
FOTOLEGENDA:
A festa promovida pela Prefeitura de Cascavel para a virada de ano agradou
quem a prestigiou. O 1º Réveillon Popular foi realizado domingo
à noite em frente ao Paço Municipal e contou com apresentações
musicais e show pirotécnico. “Foi uma das melhores viradas
de ano da minha vida, me diverti muito”, comentou a dona de casa
Margarida da Rosa, moradora do Bairro Claudete. Durante as quatro horas
de evento foram apresentadas diversas atrações, como a apresentação
do teatro de bonecos, hip hop mantido pela Casa da Cultura da Região
Norte, banda Orbital de Curitiba, 15 minutos de queima de fogos de artifício
e a participação especial da cantora Patricia Lima.
FOTOLEGENDA:
A UBS do Bairro 14 de Novembro tem com um consultório dentário,
um consultório médico, salas de enfermagem, curativos, de
preparo, vacinas, assistência social, de expurgo, espera e farmácia.
Segundo as enfermeiras responsáveis, o que falta é pelo
menos mais um consultório médico.
CASCAVEL
Cesta básica fecha ano com alta de 8,2%
Depois de manter-se em declínio durante o primeiro semestre de
2006, o índice Univel/Dieese do custo da cesta básica em
Cascavel apresentou alta na segunda metade do ano e fechou os 12 meses
com alta de 8,22%. Em dezembro o custo ficou em R$ 153,14, 1,89% acima
do valor obtido em novembro.
O índice é realizado por pesquisa dos acadêmicos do
3º ano do curso de Ciências Econômicas da Univel com
dados coletados em 28 estabelecimentos, sob a coordenação
do professor Alberi Antonio Daubermann.
As principais variações em dezembro foram dos derivados
da soja, que, pelo segundo mês consecutivo, lideraram os aumentos
por conta das oscilações no preço da commodity agrícola
no mercado internacional. O preço da margarina subiu 12,82% e o
óleo, 12,44%. Contribuíram ainda o tomate (11,79%), a farinha
(9,23%) e o pão francês (7,63%), além do arroz (6,43%)
pela redução da oferta na entressafra. Os demais produtos
da cesta apresentaram aumentos menores.
A batata, com a boa colheita, teve variação de -10,84%,
a queda no preço da carne bovina no atacado em outubro e novembro,
por causa do período de safra, contribuiu com a redução
de -2,22% no custo da cesta, além do início da colheita
do feijão, que já contribuiu com redução de
-0,29%.
ALTERNATIVA
No entanto, estrutura não é adequada para as crianças
Salão comunitário vira
creche e reduz a fila
O Cmei (Centro Municipal de Educação Infantil) Criança
Feliz, no Bairro 14 de Novembro, região sul de Cascavel, atende
166 crianças de até cinco anos. Conforme a coordenadora
do Centro, Maria de Lourdes Corso, apenas dez crianças estão
na fila de espera, mas todas para o berçário. Isso foi possível,
porque, além da estrutura do Centro, está sendo utilizado
o salão comunitário do bairro, que conseguiu abrigar um
número maior de crianças. “Temos 96 vagas no Cmei
o restante está sendo atendido no salão”, apontou
a coordenadora.
Conforme Maria de Lourdes, o problema é que o local não
tem a estrutura necessária, um ambiente muito quente que impossibilita
que as crianças passem o dia todo dentro. Além disso, a
cozinha é precária e não há espaço
para armazenar alimentos, o que obriga as funcionárias a transportarem
todos os dias os alimentos do Centro para o salão.
Apesar disso, a coordenadora relata que a estrutura do Cmei é boa
e que há espaço para ser ampliado. “Fomos conversar
com a prefeitura, mas por enquanto não existe verba para o local
ser ampliado, mas esta seria a saída mais viável, porque
o atendimento está sendo feito nos dois locais”.
Ela acrescenta que outra solução seria construir um novo
centro em um bairro vizinho, como o Quebec.
Para atender aos pais que não saíram de férias este
mês, o centro atenderá normalmente a partir de hoje.
EDUCAÇÃO
Revitalização de escola
Cerca de 750 alunos freqüentam o Colégio Estadual do Bairro
14 de Novembro, de 5ª série do Ensino Fundamental ao 3º
ano do Ensino Médio. A novidade é que para este ano existe
um projeto no Núcleo Regional de Educação para a
revitalização geral do prédio, que até o início
do ano passado abrigava também a escola municipal do bairro.
De acordo com a diretora do colégio, Marli Scarpari, o espaço
físico é bom e melhorou depois da saída da escola
municipal, que possibilitou a adequação de uma sala de vídeo,
salas de reforço e recursos e uma para o Paraná Digital,
que terá 16 computadores disponíveis para os alunos. Apesar
de o projeto estar pronto, ainda não há quadra esportiva.
“Temos professores dedicados, comprometidos com a escola, porque
a maioria dos nossos alunos é catador de papel”, relatou
a diretora.
Um dos maiores problemas é a falta de vigia no colégio.
Para minimizar isso, foi colocado alarme no local, pago por meio de recursos
da APM (Associação de Pais e Mestres).
MODELO
A Escola Municipal Ana Néri foi inaugurada em março de 2006
e tem uma ampla e moderna estrutura. “Foram mais de dez anos de
luta e a conquista foi de toda comunidade”, contou a diretora eleita
para a gestão 2007/2008, Ilce Mallmann de Paula.
São atendidos cerca de 750 alunos de pré II à 4ª
série e do EJA (Educação de Jovens e Adultos) e feitos
alguns trabalhos internos como a conservação do jardim e
da grama, pelos próprios alunos.
A diretora trabalhará junto com a Secretaria de Educação
para implantar laboratórios de português, matemática
e ciências.
SEGURANÇA
Como em toda a cidade, a segurança no Bairro 14 de Novembro deixa
muito a desejar. Longe da escola, onde a Patrulha Escolar passa regularmente,
moradores reclamam dos arrombamentos em residências e do consumo
de drogas, principalmente no pátio do colégio nos fins de
semana.
O marceneiro Leonir de Camargo, há sete anos no bairro, confirma
que em frente ao local a segurança é boa.
José Vilar, há 15 anos no bairro, reclama: “Aqui a
segurança é fraca. Acontecem muitos roubos por aqui, principalmente
por causa das drogas”.
De acordo com o morador João Evangelista, há 18 anos no
bairro, até algum tempo o 14 de Novembro tinha uma guarita com
guardiões. Hoje o local virou ponto de mototáxi.
Conforme levantamento feito pela Polícia Militar, em 2005 o Bairro
14 de Novembro foi o 18º em crimes violentos contra a pessoa (32)
e o 26º em crimes contra o patrimônio público (57).
FOTOPERSONAGEM:
“Em frente à escola não há problemas de segurança”
Leonir de Camargo, morador
“Os assaltos acontecem por causa das drogas”
José Vilar, morador
SAÚDE
Falta de pediatra
Para a comunidade do Bairro 14 de Novembro, um dos principais problemas
da UBS (Unidade Básica de Saúde) é a falta de um
pediatra. O posto tem clínico-geral, ginecologista, duas enfermeiras,
três auxiliares e técnico de enfermagem, um administrativo,
auxiliar de dentista, dois dentistas, quatro agentes comunitários
de saúde, assistente social e duas zeladoras.
A dona de casa Ivone Cardoso de Nascimento declara que há muito
tempo não tem um pediatra na unidade. “Acho que faz mais
de dois anos. E esse especialista é o que mais precisamos. O jeito
é ir para outro posto de saúde”.
Outra falha da unidade apontada pelos moradores é a demora para
conseguir uma consulta. O aposentado Paulo Gonçalves destaca que
a forma de agendamento não está dando muito certo. “Estou
há 60 dias esperando por uma consulta”.
Já para o aposentado José Elias Ferreira o atendimento não
é dos piores: “Se for urgente eles atendem. Dão um
jeito”.
Para a balconista Marilza de Souza a demora no atendimento realmente é
uma das coisas mais complicadas.
FOTOPERSONAGENS: A
“A falta de um pediatra é um dos principais problemas”
Ivone Nascimento, dona de casa
“Já fiquei mais de 30 dias aguardando uma consulta”
Marilza de Souza, balconista
PERFIL
Bairro residencial de classe média baixa, o 14 de Novembro é
formado por quatro loteamentos: o Marisa, o Esplanada, o Quebec e também
o 14 de Novembro. Cerca de 10% do local não conta com iluminação
pública nem asfalto. Aproximadamente 30% dos moradores não
têm água encanada nem esgoto. Dos 1.341 lotes do bairro,
cerca de 5% é baldio. Apenas 40% das residências do local
contam com calçadas.
O 14 de Novembro abriga uma área de fundo de vale. Um dos pontos
mais positivos do bairro é o atendimento às crianças
por meio das creches. Apenas uma dezena delas aguarda para entrar no Centro
Municipal de Educação Infantil Criança Feliz, que
atualmente atende 166 alunos.
ESPORTE
Moradores reivindicam
praça e quadra esportiva
Umas das preocupações dos moradores do Bairro 14 de Novembro
nas áreas de esporte e lazer é a construção
de uma praça e a cobertura da quadra esportiva. A praça
idealizada teria parquinhos de diversão para as crianças
e espaços para o lazer dos adultos.
De acordo com a empresária e líder comunitária, Vera
Kisiel, anos atrás já houve uma tentativa de construir a
praça, mas por falta de recursos a prefeitura abandonou o projeto.
“Agora os moradores pretendem reivindicar juntos a construção
da praça”, disse.
Para a estudante Amanda Klabunde, a prefeitura deveria também se
preocupar em cobrir a quadra de esporte existente no bairro.
Durante o dia, o uso da quadra é gratuito e, à noite, é
cobrada uma taxa pela Associação de Moradores para pagar
a iluminação.
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