VANDALISMO
Bases são destruídas aos poucos e revoltam moradores, que
reclamam por mais segurança
Abandonados,
módulos são depredados
Atos de vandalismo
chamam atenção de alguns moradores do Bairro Floresta, região
norte de Cascavel, já que os vidros do módulo policial do
bairro vêm sendo quebrados. “Acho que isso acontece para desafiar.
Se estão atacando até mesmo módulo policial, então
como fica a população, não é?”, indigna-se
o presidente da associação de moradores do bairro, Eurídes
Ferreira dos Santos.
Ele conta que o módulo está vazio e que foi atacado várias
vezes. “Uma vez deram 14 tiros aqui, outra quebraram a vidraça
da janela do fundo, que tapei com tijolos, e agora mais um vidro. Outra
despesa”, lamenta Eurides. Ele lembra que um temporal derrubou um
poste próximo ao módulo.
No Bairro Morumbi a situação não é muito diferente.
O módulo está desativado há anos. “Está
totalmente destruído. Foi praticamente demolido por vandalismo
há três anos e continua do mesmo jeito. O módulo precisa
ser totalmente reformado. Antes tínhamos acertado com a prefeitura
para a Guarda Municipal fazer a segurança, já que nas proximidades
há creches, escolas e posto de saúde, mas a guarda acabou.
Estamos estudando outra situação por meio do governo do
Estado trazer segurança à região norte de Cascavel.
Entraremos em contato também com o major Celso Borges para que
deixe uma viatura somente no Bairro Morumbi”, esclarece o presidente
da associação local, José Francisco Fiirst.
O tenente Cláudio Ricardo Pinto conta que o sistema modular é
antigo e que foi construído em parceria com o Município.
“Com o passar do tempo foram desativados para que pudéssemos
fazer a segurança pelas viaturas. Não compensa colocar policiais
no módulo. Não estava dando resultado e então os
módulos foram repassados para a prefeitura. A idéia é
que a guarda municipal tome conta. Não sabemos como a prefeitura
está utilizando esse sistema, mas foi tudo repassado”, explica
o tenente Ricardo.
Base
de apoio
A secretária de Segurança, Nerilda Vendrame, explica que
em Cascavel há oito módulos e que, com o passar dos anos,
a Polícia Militar sentiu a inviabilidade de manter-se no módulo.
“Estamos efetivamente assumindo. O do Terminal Leste e da Praça
do Migrante serão utilizados como base de apoio, como ponto de
informações ao público e, se possível, pelas
guardas patrimoniais, se o anteprojeto for aprovado. O módulo central,
na Avenida Brasil, está sendo utilizado pela Cettrans (Companhia
de Engenharia de Transporte e Trânsito). Os postos do Bairro Floresta
e do Parque São Paulo estão sendo utilizados pela PM como
base de apoio. Já os do Morumbi e do Interlagos não estão
sendo utilizados, mas estamos vendo a possibilidade de reforma”,
explica Nerilda.
1ª
HABILITAÇÃO
Pressão aumenta reprovações
Apesar do
Detran (Departamento de Trânsito) do Paraná ter prorrogado
até 30 de dezembro o prazo para o cancelamento dos processos de
primeira habilitação abertos há mais de um ano, muitos
alunos estão se sentindo pressionados e o índice de reprovação,
segundo instrutores e avaliadores, está maior. Ontem, durante todo
o dia, houve o último mutirão de testes para a primeira
habilitação em Cascavel.
“O pessoal está reprovando bem mais. A pressão é
maior, apesar de ter sido prorrogado até dezembro”, observa
o examinador da 7ª Ciretran (Circunscrição Regional
de Trânsito) em Cascavel, Sidney Mauro.
A estudante Franciele Silva reprovou no teste realizado ontem. Ela conta
que o nervosismo atrapalhou. “A gente fica mais nervoso ainda por
causa do prazo”, constata.
O instrutor Ricardo Manes concorda: “O índice de reprovação
está maior sim. Hoje [ontem] 46 alunos farão a prova, mas
há mais de 50 da nossa escola que ainda precisam fazer a prova
até dezembro”, declara Ricardo.
Foram convocados 12 examinadores, dos quais oito são da região,
para ajudar a avaliar os 150 testes para a categoria A (moto) e cerca
de 250 para a categoria B (carro).
Para o funcionário de auto-escola Rodrigo Ferreira, mesmo com o
prazo prorrogado, ainda está complicado. “Ajuda, mas acredito
que ainda será apertado. Tem muita gente com processos atrasados”.
Último
mutirão
O chefe da 7ª Ciretran em Cascavel, Paulo Bebber, informou que ontem
foi o último mutirão de testes para a primeira habilitação.
“Mesmo se forem necessários mais mutirões não
serão mais realizados”, garante Bebber.
Já o examinador da Ciretran de Nova Aurora Claudemir Oliveira conta
que serão necessários mais mutirões. “Acho
que até o final do ano serão realizados mais mutirões”,
contrapõe. Para ele o prazo deveria ser maior. “Na minha
opinião até seis meses. Mas a ordem é do Denatran
(Departamento Nacional de Trânsito) e pelo menos o Detran conseguiu
prorrogar até dezembro, dando mais três meses para o pessoal
realizar as provas”, esclarece Claudemir.
ACIMA
DO LIMITE
No Paraná, 35% das mulheres não querem o parto normal
Opção pela cesárea é o
dobro do preconizado
O CEPMM (Comitê
Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna) trabalha no
resgate do parto natural e em combate ao índice de crescimento
das cesáreas em todo o Estado. A mestre e enfermeira obstetra Marlei
Fiewski, representante de Cascavel no comitê, explica que foi emitida
uma portaria pelo Ministério da Saúde e criada há
alguns anos a campanha do Parto Humanizado para incentivar o parto normal.
Segundo ela, no Paraná 35% dos partos são cesáreas,
acima dos 15% preconizados pelo Ministério da Saúde. Existem
algumas características principais que induzem a mulher optar pela
cesárea. “O primeiro deles é o medo da dor. A mulher
tem bastante receio do processo do parto”, explica. Outro fator
é o tempo em que demora o parto normal, em média de oito
a 12 horas.
A comodidade e o conforto do dia-a-dia também estão fazendo
as mulheres optarem pela cesariana. “O parto normal precisa do preparo
do corpo e do preparo emocional”, analisa.
O profissional que fará o parto normal deve ser bastante habilidoso,
“ter um amplo conhecimento científico e intervir quando necessário”.
Também existem os partos naturais, nos quais a mulher não
precisa sofrer intervenção, um processo fisiológico.
“Historicamente a cesárea foi essencial para a prevenção
da vida de muitas mulheres e seus filhos, mas muitas poderiam ter seus
bebês naturalmente, mas não o fazem”, avalia.
Ela lembra que, se a gestante faz o parto normal, tem uma recuperação
muita mais rápida, além de o corpo voltar naturalmente ao
que era antes da gestação, ao contrário da cesárea,
que inspira maiores cuidados por um tempo muito maior.
BENEFÍCIO
SUS paga procedimentos
para os partos sem dor
Conforme
A mestre e enfermeira obstetra Marlei Fiewski, o SUS (Sistema Único
de Saúde) paga os procedimentos para o chamado parto sem dor, no
qual a mulher recebe uma anestesia através de cateter durante todo
o procedimento, de acordo com o aumento da dor. Também podem ser
utilizadas algumas técnicas para minimizar as contrações.
“A mulher pode andar, tomar banho e fazer movimentos na bola suíça
que auxiliam na diminuição da dor”, argumenta.
Em alguns municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina já
e aplicada a técnica do parto vertical, em que a mulher dá
à luz de cócoras ou no chão, dependendo da melhor
acomodação. Mas essa técnica ainda não é
feita no Paraná. “Dessa forma o parto normal acontece mais
tranqüilamente”, explica.
Outra diferença entre os procedimentos é o custo, maior
para as cesáreas do que no parto normal. No primeiro precisam de
quatro profissionais envolvidos no processo, o cirurgião, um médico
auxiliar, anestesista e o pediatra. No normal, são apenas dois
profissionais o médico obstetra e o pediatra.
Dados do SUS apontam que um hospital que é credenciado recebe R$
317 para o parto normal e R$ 443,68 para a cesárea. Os credenciados
como Amigo da Criança, que oferecem um serviço mais completo,
como aleitamento materno, a exemplo do HU (Hospital Universitário),
o valor pago pela cesárea é de R$ 481,60 e parto normal,
R$ 334,01.
CASCAVEL
Direito a acompanhante é ignorado
O Ministério
da Saúde publicou em abril de 2005 a Lei 11.108, permitindo que
a gestante seja acompanhada por uma pessoa durante todo o trabalho de
parto e nos dias em que estiver internada em hospitais conveniados ao
SUS. Conforme a enfermeira obstetra Marlei Fiewski, o intuito é
de “dar conforto a mulher, que com uma pessoa conhecida se sente
amparada, minimizando o medo do parto e as dores”.
No entanto, em Cascavel e região a lei é ignorada. “Muitas
mulheres nem têm conhecimento sobre esse direito, que deve ser exigido”,
declara.
O hospital deve abrigar o acompanhante, mas não precisa dar comida,
apenas ter um local para ficar com a gestante. Para isso, Marlei ressalta
que deve ser feito um trabalho nas unidades básicas de saúde,
orientando as mães a respeito.
Conforme o chefe da 10ª Regional de Saúde, Jorge Trannin,
a medida veio imposta do Ministério da Saúde, de cima para
baixo e não pode ser viabilizada, porque precisa ser feita uma
preparação com a gestante e com o acompanhante nas unidades
básicas. “O acompanhante que não estiver preparado
pode atrapalhar o procedimento do parto”, relata.
Além disso, ele lembra que nem todas as gestantes fazem um pré-natal
correto, ou, às vezes, fazem o pré-natal com um médico
e o parto com outro, dando uma instabilidade emocional para a gestante
e o seu acompanhante. “Para que seja viável o acompanhamento
temos que ter um trabalho de base mais intenso com as gestantes”,
descreve.
Mortalidade materna
O CEPMM também contabiliza e faz um trabalho acerca da mortalidade
materna. A classificação consiste na definição
da causa básica do óbito; classificação da
morte em obstetrícia direta, indireta ou tardia; definir a evitabilidade
do óbito; se o óbito estava ou não declarado no atestado
médico; medidas de prevenção, entre outros.
Dados do comitê de 2004 sinalizam que 75,7% dos óbitos poderiam
ter sido evitados através de medidas simples, como a qualidade
na formação de profissionais e na vigilância do risco
gestacional. A vigilância dos óbitos de mulher em idade fértil
e dos óbitos maternos é obrigatória em todos municípios
do Estado, sendo um evento de notificação compulsória.
Abrangendo 25 municípios, a 10ª Regional de Saúde conta
com o Comitê Regional de Mortalidade Materna. Seu funcionamento
contribui para a melhoria do sistema de registro dos óbitos e,
conseqüentemente, para o aumento da qualidade de informações
disponíveis sobre a mortalidade.
Assim como o estadual, ele congrega instituições governamentais
e da sociedade civil organizada, identificando as causas e propõe
medidas de prevenção.
NÚMEROS
Para a coleta dos dados as gestantes são acompanhadas desde o início
da gestação até 42 dias após o parto.
Dados de
2004 no Paraná:
Óbitos maternos - 111
Nascidos vivos - 159.268
Óbitos tardios - 16 (após os 42 dias do parto)
*Os dados de 2005 foram retirados do site do Ministério da Saúde
devido à campanha eleitoral
Dados de
2004
10ª Regional de Saúde
Óbitos maternos: 6
Nascidos vivos: 7.510
Coeficiente de mortalidade: 79,89 por 100 mil nascidos vivos
Dados de
2005
10ª Regional de Saúde
Óbitos maternos: 6
Nascidos vivos: 7.799
Coeficiente de mortalidade: 76,93 por 100 mil nascidos vivos
SAFRA VERÃO
Com a redução, produtores do oeste esperam bons negócios
na hora da venda
Custo da produção
cai até 30%
Após praticamente três anos de crise, o produtor
de soja está agora investindo no plantio da safra de Verão
2006/2007, confiando que poderá voltar a ter lucros. Isso porque
os itens que compõem a planilha de custos de produção
apresentaram substancial redução, uma média geral
de 20% a 30%.
Conforme o engenheiro agrônomo de Cascavel Gilmar Dornelles, a queda
do preço da soja e o valor do dólar sobre o real obrigaram
os fornecedores a se adequarem aos novos custos. Além disso, os
agricultores foram mais prudentes na hora do investimento. “O produtor
foi cauteloso na compra. Normalmente em julho, agosto ele definia as áreas
para o plantio de milho e soja. Este ano ainda tem produtor procurando
preço. Ele foi mais cauteloso, especulou mais”.
Alguns produtos apresentaram até 45% de queda no custo com relação
aos valores praticados na safra passada, mas a maioria dos insumos registrou
baixa de 20% a 30%, segundo o engenheiro. “Nesse preço, se
o produtor conseguir vender de R$ 23 a R$ 25 a saca de soja, ele vai lucrar
porque os custos ficaram em torno de R$ 35 a R$ 50 por alqueire em insumos,
variando de acordo com a tecnologia, tipo de semente e insumos utilizados”.
O produtor da região de Espigão Azul Valmir Dalgalo confirma
a queda de custos e revela que está esperançoso quanto a
melhoras no momento da venda. “Depois de plantar é só
esperar para ver como o mercado vai reagir”.
Cultivo
O período de plantio da soja para a safra de Verão inicia
na próxima semana, mas grande parte dos produtores da região
oeste pretende iniciar os trabalhos depois do dia 10, de acordo com dados
da Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento) do Paraná.
O produtor Valmir Dalgalo explica que já se preparou para iniciar
o cultivo dos 48 alqueires de sua propriedade na segunda semana de outubro.
“Alguns dias de atraso não diferenciam o período de
colheita, então me programei para começar dia 10. Geralmente
é assim que faço todos os anos”.
Dos 48 alqueires, 35 serão plantados com soja transgênica,
anuncia Valmir.
A colheita precoce da soja ocorre em janeiro, quando os produtores iniciam
o plantio do trigo.
Custos
Avaliação feita pela Cocamar Cooperativa Agroindustrial
prevê que o produtor que obtiver uma produtividade de 2,8 mil quilos
por hectare ou 113 sacas por alqueire terá um custo médio
de produção de 52,9 sacas por alqueire, entre serviços,
insumos, juros, impostos e transporte externo. Esse custo significa o
desembolso direto relacionado com a produção e representa
26% a menos que as 71,8 sacas que compuseram o custo para o mesmo volume
de produção na safra passada.
O engenheiro agrônomo Antonio Sacoman, coordenador técnico
de produção de grãos da cooperativa, ressalta que
os custos do cultivo da soja estão retornando à média
histórica. Assim, mesmo que os preços da commodity não
sejam tão atraentes como há alguns anos, o agricultor que
chegar à média de 113 sacas por alqueire conseguirá
lucrar bem, diante do custo de 52,9 sacas por alqueire. O saldo de 60,1
sacas por alqueire, se vendido pelo preço entre R$ 25,50 e R$ 26,50
para abril de 2007, proporcionará um resultado líquido entre
R$ 1.532,55 e R$ 1.592,65 por alqueire.
Sacoman enfatiza, no entanto, que o produtor precisa investir em tecnologia
para garantir produtividade. Se ele chegar a 140 sacas por alqueire -
volume comum na região quando o tempo é mais favorável
-, o custo médio será de 63 sacas, o que resultará
em uma sobra de 78 sacas por alqueire. Nesse caso o resultado pula para
R$ 2.067/alqueire, ou seja, 30% a mais que no primeiro caso, com investimento
de apenas 19% a mais.
PREVISÃO
Paraná deve ter aumento
na soja e queda no milho
Pesquisa desenvolvida pela Ocepar (Organização
das Cooperativas do Paraná) indica que a área de soja no
Paraná na próxima safra deverá apresentar ligeiro
aumento em relação à temporada anterior, enquanto
o plantio de milho na primeira safra deverá ter um recuo mais significativo.
Conforme o gerente técnico e econômico da Ocepar, Flávio
Turra, o milho deve ter uma redução de 7% a 8%, enquanto
a soja um aumento de 3%. “Um dos fatores que explicam isso é
que o milho tem o custo de produção mais alto. O outro é
que a soja pelo menos tem mais liquidez na hora da comercialização”,
acrescenta.
MODIFICADA
Área de
transgênicos
deve crescer
Projeção da Abrasem (Associação
Brasileira de Sementes) e da Braspov (Associação Brasileira
dos Obtentores Vegetais) aponta que a soja modificada representará
cerca de 60% da área total estimada em 20,5 milhões de hectares,
ante 42% em 2005/06.
Se confirmada a previsão das entidades, a área com soja
transgênica passará de 9,4 milhões para 12,6 milhões
de hectares no Brasil. “Ainda não é possível
ter um número exato porque as indústrias começam
somente agora a processar as sementes. Mas um aumento de pelo menos 60%
é factível”, acredita Ivo Carraro, presidente da Braspov.
De acordo com dados da Abrasem, a expectativa é de que a oferta
de sementes transgênicas fornecidas pelas indústrias passem
de 3 milhões de sacas, na safra passada, para 7 milhões
no ciclo 2006/07, ou seja, 70% do total de sementes geneticamente modificadas
disponíveis no País. “Os produtores encontrarão
sementes certificadas com facilidade. Há disponibilidade em todos
os estados”, afirma.
O dirigente diz que o avanço do plantio ocorrerá principalmente
no Sul do País. No Paraná, onde a área plantada com
transgênicos ocupou 35% das lavouras de soja na safra 2005/06, os
grãos modificados deverão ocupar até 50% da área
de 3,9 milhões de hectares prevista para 2006/07.
A disponibilidade de sementes modificadas no Estado é calculada
em 4 milhões de sacas, suficiente para cobrir toda a área
cultivada com a oleaginosa no Paraná.
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