ATAQUES
Israel
dá trégua de 48 horas
O governo de Israel concordou ontem em suspender os ataques aéreos
no Sul do Líbano por 48 horas, informa o Departamento de Estado
norte-americano. O período seria usado para investigar o ataque
ocorrido em Qana.
Segundo Adam Ereli, porta-voz do Departamento de Estado americano, o acordo
incluiria também a abertura, dentro de 24 horas, de um corredor
humanitário para possibilitar a fuga de civis libaneses interessados
em sair da região de combate. O trabalho seria coordenado por forças
da ONU.
Se efetivada, esta será a primeira concessão de Israel no
conflito com o grupo terrorista libanês Hezbollah. Mais cedo o governo
havia rejeitado a trégua.
REPRESÁLIA
Kofi Annan
pede resposta
firme da ONU
Em uma reunião urgente com o Conselho de Segurança da ONU,
o secretário-geral da entidade, Kofi Annan, reiterou seu pedido
por cessar-fogo urgente entre Israel e o grupo terrorista libanês
Hezbollah.
Annan reconheceu o direito isralense de defesa, mas condenou o bombardeio
de ontem, que matou dezenas de civis. Ele também pediu que a ONU
reprima da forma mais forte possível a ação.
Annan afirmou que o conselho tem responsabilidade para solicitar um fim
da violência. “Uma ação é necessária
agora antes que mais crianças, mulheres e homens se transformem
em vítimas do conflito que eles não têm controle”.
ORIENTE MÉDIO
Kofi Annan convocou uma reunião de emergência
Israel
mata 37 crianças;
Hizbollah volta a atacar
Pelo menos 56 pessoas morreram nos bombardeios de Israel contra o vilarejo
de Qana, Sul do Líbano, na madrugada de ontem, no 19ª dia
de combates com o grupo terrorista libanês Hezbollah. Dentre as
vítimas, 37 eram crianças e 16 eram mulheres, segundo fontes
da polícia libanesa e das equipes de resgate ouvidas pelas agências
internacionais de notícias.
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações
Unidas), Kofi Annan, convocou uma reunião de emergência ontem.
“Estou profundamente consternado”, afirmou Annan.
Em discurso incomum, ele disse que a depredação, ontem,
da sede da ONU em Beirute mostrou a falta de ação rápida
e eficiente do órgão no conflito.
Um prédio de três andares situado em uma colina de Qana,
o qual servia de abrigo a famílias que haviam fugido de outras
cidades do Sul do Líbano bombardeadas nos últimos dias pelo
Exército israelense, desabou.
“Não quero que me perguntem sobre números. Todos sabem
que servimos de cobaias para as armas deles, as bombas de implosão.
É a única coisa que se vê”, declarou, entre
lágrimas, Naim Rakka, um dos coordenadores da equipe de emergência
da Defesa Civil libanesa, com os corpos de duas crianças nos braços.
O Hezbollah, por sua vez, ameaçou revidar. “Esse massacre
bárbaro, que representa uma mudança grave e perigosa no
curso da guerra, pode levar a reações contra o mundo mudo
e cúmplice, que deve assumir suas responsabilidades, porque esse
massacre horrível, como outros, não permanecerá impune”,
disse o grupo em comunicado.
Dezenas de foguetes foram lançados contra localidades no Norte
de Israel, atingindo áreas urbanas, inclusive vários edifícios
públicos e uma escola infantil vazia. Os ataques feriram pelo menos
quatro civis e levaram o pânico à região.
Inquérito
O Ministério israelense das Relações Exteriores lamentou
a morte dos civis e afirmou que abrirá um inquérito. “Israel
lamenta a morte de inocentes. Não queremos que civis sejam afetados
pela guerra entre Israel e o Hezbollah”, declarou o porta-voz do
ministério, Mark Reguev. “Israel faz todo o possível
para evitar essa situação e fez muitos pedidos aos civis
para que abandonassem a zona de combate”.
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que o vilarejo servia
de esconderijo para o grupo terrorista libanês e que era uma base
para o lançamento de foguetes contra Israel.
AMEAÇAS
O Irã afirmou ontem que, se a ONU adotar uma resolução
para obrigar o país a suspender as atividades de enriquecimento
de urânio, a crise na região será agravada e esforços
diplomáticos, condenados ao fracasso.
O temor é de que o Irã esteja, com o enriquecimento de urânio,
dando avançando no caminho para construir uma bomba atômica.
O país se defende dizendo que seu propósito é de
gerar energia.
“Se uma resolução contra o Irã for aprovada,
a oferta [das grandes potências] deixará de estar na ordem
do dia. Os europeus devem estar atentos porque revisaremos nossa política
[nuclear] e reagiremos em conseqüência”, declarou o porta-voz
do ministério das Relações Exteriores, Hamid Reza
Assefi. “Pressionando o Irã e tentando nos intimidar, nenhum
país conseguirá nada. Muito pelo contrário, a situação
vai piorar”.
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