AGRICULTURA
As prestações serão postergadas automaticamente
Pronaf
prorroga parcelas
que vencem até amanhã
Os agricultores que
contraíram empréstimos de investimento para o cultivo de
arroz, milho, feijão, soja, trigo e mandioca ou gado leiteiro pelo
Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar), e estão com
as prestações do financiamento vencidas ou vencendo até
amanhã, têm o prazo prorrogado automaticamente para o fim
do contrato. Isso vale também para os assentados da reforma agrária.
As culturas beneficiadas apresentaram problemas, como a queda de preço.
“O governo decidiu que é automático. Ele [agricultor]
nem precisa se apresentar ao banco. As prestações dos financiamentos
em que a cultura principal, a cultura geradora de renda, é arroz,
milho, feijão, soja, trigo, mandioca ou gado leiteiro têm
suas prestações alongadas para o fim do contrato”,
anunciou o gerente-geral de Financiamento à Produção
Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário, João
Luiz Guadagnin.
“O real está valorizado e boa parte dos produtos é
cotada a preços internacionais. Então o agricultor perde
dinheiro. Por isso, para os empréstimos de investimento, devido
à queda de preço e dificuldade de pagamento, o governo decidiu
dar mais um tempo, jogando a prestação para o final do contrato,
quando o agricultor terá mais condições para efetuar
o pagamento. Em função dessa queda de preço é
que o governo decidiu apoiar os agricultores e dar ainda um bônus
de adimplência para os financiamentos de custeio”, explicou.
Para essas culturas o bônus de adimplência para empréstimos
de custeio, como a compra de insumos e sementes, varia de acordo com o
produto. Para o arroz, o bônus é de 30%. Já para o
leite, que tem o menor desconto, o bônus é de 12%. Isso só
vale para quem pagar no prazo.
OMC
EUA correm para salvar
Doha e não ficar com ônus
A autoridade que pronunciou
duas vezes o “não”, levando ao colapso da Rodada Doha,
recorreu ontem a uma conversa informal com o ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, em um hotel à beira da praia de Copacabana.
Esse será o primeiro de uma série de diálogos que
a representante dos Estados Unidos para o Comércio, Susan Schwab,
travará até novembro para retomar as negociações,
suspensas segunda-feira, e evitar que o ônus do fracasso da rodada
recaia sobre os ombros do presidente George W. Bush.
Não fosse a alcunha de “Mrs. No” (senhora Não),
Susan Schwab teria um fardo menos pesado pela frente. Susan assumiu dia
8 de junho e recebeu de herança a conclusão de uma rodada
para a qual poucos anteviam êxito. Em julho, nas duas últimas
reuniões de ministros na sede da OMC (Organização
Mundial do Comércio), em Genebra, a embaixadora negou a apresentação
de uma nova oferta dos Estados Unidos sobre os cortes nos subsídios
aos agropecuaristas.
No primeiro encontro, concluído dia 1º, Susan provocou um
grave impasse. Desembarcou em Genebra com a clara instrução
de Bush de não mover uma palha na oferta de corte de subsídios,
considerada inaceitável por seus parceiros.
Para a segunda reunião, contou com uma estreita margem de flexibilidade
concedida pela Casa Branca. Mas logo no início dos debates sobre
as subvenções agrícolas, declarou que as contrapartidas
nas ofertas da Índia e da União Européia sobre a
abertura de seus mercados agrícolas eram insuficientes para alterar
a oferta americana.
Diante desse redondo “não”, o diretor-geral da OMC,
Pascal Lamy, anunciou a suspensão das negociações.
REESTRUTURAÇÃO
A Varig demitiu sexta-feira 41 dos 66 funcionários da companhia
que trabalhavam na loja no Centro de Curitiba e no Aeroporto Internacional
Afonso Pena. Todos da loja foram dispensados e o estabelecimento fechado.
Restaram apenas 25: um gerente, três supervisores e 21 atendentes,
que também serão demitidos e recontratados pela nova controladora
da companhia aérea. Como a Varig mantém suspenso os 14 vôos
no Afonso Pena, todos os pilotos e co-pilotos entraram na lista de dispensas.
Em Foz do Iguaçu os vôos também estão suspensos,
mas não foi revelado o total de demissões.
INFORMALIDADE
Emprego no comércio será fiscalização
O governo federal intensificará a fiscalização no
comércio para combater a informalidade no setor, segundo informou
o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
"O comércio é um dos segmentos que não têm
correspondido à criação de vagas esperada. Isso pode
ocorrer em razão do aumento da informalidade. Vou recomendar ao
setor de fiscalização e às Delegacias Regionais do
Trabalho um olhar especial para isso", declarou Marinho.
No primeiro semestre, o setor abriu 71,7 mil vagas, segundo dados do Caged
(Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). No mesmo período
de 2005, foram 133,1 mil.
De janeiro a junho, 174,5 mil empresas foram fiscalizadas no País,
das quais 29,6 mil foram autuadas. Dos 14,2 milhões de trabalhadores
atingidos por essas ações, 337 mil estavam sem registro,
segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho.
Ao ser questionado sobre o plano de combate à informalidade, o
ministro disse que "[o plano] tanto é eficiente que, de vez
em quando, o governo é acusado de exagerar nos números [da
criação de vagas] por conta da fiscalização".
Marinho disse ainda que, em agosto, o Conselho Curador do FGTS (Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço) discutirá a criação
do fundo de investimentos para infra-estrutura com recursos do FGTS. "A
idéia é comprar debêntures com recursos do FGTS até
30% do valor total dos investimentos. Mas vamos investir em novos empreendimentos
e não participar de fundos já existentes porque muitos não
investem em novos projetos, mas sim estão especulando na Bolsa
e no mercado financeiro."
Lucros
vigorosos
Os grandes bancos privados que operam no Brasil devem ter fechado o primeiro
semestre deste ano com lucros vigorosos, apesar da queda de cinco pontos
percentuais no juro básico (Selic) desde setembro de 2005. A taxa
está em 14,75% ao ano.
Segundo Rafael Quintanilha, da corretora Ágora Senior, com os cortes
dos juros, os bancos têm apostado no aumento do crédito para
elevar a rentabilidade.
Estimativas do analista apontam um lucro de R$ 3,144 bilhões para
o Bradesco nos primeiros seis meses do ano, uma expansão de 20%
sobre o resultado de igual intervalo de 2005.
|